7 de abr de 2016

Quem bota a mão no fogo...

 photo loucura_zpsvmr2zjlb.jpg • Greve geral começa no Rio, e audiência com governador é marcada; Dívida de R$ 10 milhões ameaça parar delegacias no Estado do Rio. 
• Linha 4: Estado é autorizado a pedir empréstimo ao BNDES de R$ 900 mi. Valor irá complementar recursos e permitir que nova linha esteja pronta a tempo dos Jogos Olímpicos de 2016. 
• Inadimplência mais alta vai impactar resultado de bancos em 2016, diz BC. 
• Propina abasteceu campanha de Dilma de 2014, diz ex-presidente de empreiteira Otávio Marques de Azevedo. Doação da Andrade Gutierrez foi legal, afirma comitê de campanha da presidente. 
• Gilmar Mendes é eleito presidente do Tribunal Superior Eleitoral. 
• Produção da indústria no Rio caiu 1,9% em fevereiro. 
• Finalmente!.... Neste dia histórico - 6 de abril de 2016 - acaba de ser aprovado no Senado Federal, por unanimidade, o Projeto que muda totalmente o Sistema de Gestão dos Fundos de Pensão; Apresentado e enriquecido pelos Senadores Paulo Bauer, Waldir Raupp, Ana Amélia e Aécio Neves, referido Projeto cria regras específicas para a designação dos Dirigentes desses Fundos, exige profissionalismo e competência dos mesmos e os responsabiliza por eventuais desvios na Gestão dos Fundos, inclusive por aplicações duvidosas dos recursos dos participantes, para atender a interesses externos do Governo de plantão ou da Patrocinadora!; Acabou-se a farra PTista-sindical, ou de qualquer outro partido político! Os Fundos são de seus legítimos donos - os participantes - e devem ser geridos com profissionalismo e seriedade!; Abre-se uma nova janela de esperança para todos nós, que vimos nosso Fundo ser utilizado por motivos partidários-sindicais, com gestores incompetentes e comprometidos com interesses alheios aos interesses do próprio Fundo e dos participantes!; Estão de parabéns o Senado Federal e aqueles que lideraram as negociações para essa importante mudança!; E que ponham suas barbas de molho, os conselheiros que têm por obrigação legal fiscalizar a Gestão desses Fundos, mas que, até hoje, sempre andaram de mãos dadas com esses gestores irresponsáveis! (Márcio Dayrell Batitucci) 
• Governo dá cargos por voto contra impeachment. Ministérios, presidência da Caixa Econômica Federal e postos em autarquias serão destinados a aliados do PP, do PTN e dos irmãos Cid e Ciro Gomes. Parlamentares prometem votar com governo; petistas são sacrificados. 
• Doleiro vira delator e diz ter novas provas contra Cunha. Leonardo Meirelles deve tornar públicas suas informações nesta quinta. 
• O ex-deputado e ex-delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz pede asilo político na Suíça, alegando que sua vida corre risco por conta de seu trabalho como delegado investigando a corrupção. Seu dossiê foi aceito nesta quarta-feira (6) pelas autoridades que passarão a avaliar o processo. 
• PP permanece na base do governo, diz Ciro Nogueira. Presidente do partido afirma que a sigla permanecerá no bloco de apoio a Dilma até a votação do processo de impeachment. O partido está dividido, mas hoje eu sinto que a tendência da maioria é votar contra, diz. 
• Eletrobras receberá R$ 1 bilhão da União para cobrir despesas. 
• Pânico com relação a surto de gripe H1N1 evidência as falhas do sistema público de saúde. 
• Justiça Federal dá cinco dias para Samarco interromper vazamento. 
• Roberto Jefferson está em Brasília e pressiona PTB pelo impeachment. Condenado no mensalão, ex-deputado e homem forte do partido chega a Brasília para dar um arrocho nos petebistas pró-governo. 
• Entidade presidida por ministra decide apoiar impeachment de Dilma. Presidida pela ministra Kátia Abreu, que se diz contra o processo, CNA diz que a petista não tem mais condições de comandar o país. Comunicado cita ameaças de invasão a terras. 
• PV anuncia apoio à abertura do impeachment contra Dilma. O anúncio, feito em sessão plenária de hoje (quarta, 6) na Câmara, avalia que a decisão foi unânime. O PV tem 8 congressistas em atividade - 7 deputados e 1 senador. 
• Jovair conclui leitura de parecer sobre impeachment. Relator acredita que parecer despertará as piores e as melhores emoções nos cidadãos brasileiros. Para Jovair, Dilma cometeu crime de responsabilidade e denúncia não pode ser caracterizada como golpe de Estado. Para relator, presidente cometeu crime de responsabilidade com pedaladas fiscais e autorização de créditos suplementes sem autorização do Congresso. Texto será votado na próxima semana; Relator do impeachment é acusado de crime eleitoral. Ministério Público Federal acusa Jovair Arantes de ter utilizado indevidamente servidor da Conab em sua campanha eleitoral de 2014. Companhia Nacional de Abastecimento é controlada por indicados do petebista desde 2011, mostra O Globo. 
• Collor volta ao partido pelo qual se elegeu presidente e sofreu impeachment. Senador, que havia deixado o PTB por não apoiar o impeachment de Dilma, filiou-se ao PTC, nome utilizado pelo antigo PRN desde 2000. Pesou a identidade, justifica o ex-presidente. 
• Cunha põe pedido de impeachment de Temer em curso. Depois de classificar como absurda a determinação judicial, Cunha recua e acata ordem de ministro Marco Aurélio (STF) para que fosse posto em tramitação pedido feito por advogado contra o vice-presidente. 
• Deputado vai ao STF para desarquivar impeachment de Temer. Cabo Daciolo teve demanda arquivada por determinação de Cunha. No recurso ao Supremo, ele argumenta que todos os ilícitos atribuídos à presidente Dilma estão associados ao vice. 
• Renan arquiva pedido de impeachment contra ministro do STF. Rubens Nunes, autor do pedido, afirmou que Marco Aurélio cometeu abuso de poder; ato indecoroso e crime de responsabilidade por promover intervenção entre os Poderes ao solicitar andamento do impeachment de Michel Temer. 
• Por segurança, governador pede votação do impeachment em dia útil. Rodrigo Rollemberg pediu a Eduardo Cunha que votação do processo contra a presidente não seja feita em fim de semana ou feriado para evitar confronto e facilitar o trabalho de segurança do governo do Distrito Federal. 
• Cunha tenta barrar depoimento de Youssef e Baiano no Conselho de Ética. Presidente da Câmara tenta evitar depoimento de testemunhas como o doleiro e operador do PMDB, o empresário Júlio Camargo e o lobista João Henriques, relacionadas pelo relator do processo de cassação, Marcos Rogério. 

• Bombas de ataque que matou 90 no Iêmen são dos EUA. Acusação é da Human Rights Watch. 
• Como seita do fim do mundo que causou mortes no Japão está ressurgindo na Europa. Seita que ficou famosa - e foi sufocada - após aterrorizar o Japão em 1995, a Aum Shinrikyo (Verdade suprema, em tradução literal) está voltando aos holofotes agora, mais de 20 anos depois. E bem longe do país asiático. Nos últimos dias, a polícia da Rússia invadiu uma série de propriedades associadas ao grupo e prendeu ao menos dez pessoas. No mês passado, a ex-república iugoslava de Montenegro expulsou 58 estrangeiros suspeitos de associação com a Aum, nome curto pelo qual geralmente é conhecida. 
• Sob protesto, Keiko Fujimori é favorita no Peru. Filha de ex-ditador lidera intenção de voto, mas tem alta rejeição no 2º turno. 
• Sobe risco de convenção republicana rachar. Derrota de Trump na terça dificulta indicação sem melhorar performance. 

Um país posto em frangalhos.
Jamais se viu vexame maior como o oferecido pelo palácio do Planalto - leia-se dona Dilma e o chamado núcleo duro do ministério - nessa novela de horror do impeachment da presidente da República. Esforçar-se por salvar o seu mandato é dever fundamental de Madame, mas constituiu uma vergonha anunciar a reforma do ministério como chamariz para, quinze minutos depois, garantir que só nomeia novos ministros depois deles terem votado contra o seu afastamento.
Trata-se de chantagem explícita feita contra pequenos partidos e até contra o PMDB. Porque parece digno de Al Capone um deputado encontrar razões para livrar-se da presidente, mas logo depois mudar de lado, garantindo a permanência dela na chefia do governo.
Ignora-se quem fica pior nessa operação de compra e venda, se Dilma ou o deputado que vendeu seu voto. É a prova de que ninguém confia em ninguém. Mais ainda, de que nem a presidente nem sua base parlamentar ligam a mínima para a administração federal. Ministérios vendidos como filés dão bem a tônica de ser o impeachment uma necessidade. Caso não precisasse de votos para manter seu lugar, ela não estaria loteando seu governo de forma tão vergonhosa.
A situação fica pior quando se percebe a sombra da traição como mola mestra dessa operação ainda pairando sobre a Praça dos Três Poderes: Dilma, ganhando o voto essencial para continuar presidente, e, depois, esquecendo a nomeação; ou, o deputado, sendo nomeado ministro e, em seguida, votando pelo afastamento da presidente.
Como fica o país, diante dessa barganha que faria a alegria de Hitler e Mussolini? Trair compromissos é peculiar à prática política, mas deixar o país exposto à vergonha de não poder acreditar em nada, mais grave ainda.
O PMDB trocou de dirigente máximo, mandando Michel Temer para o banco e recrutando Romero Jucá. A estratégia é poupar o vice-presidente de maiores choques com a presidente, dando-lhe tempo para cuidar da composição de seu futuro governo. Isso na hipótese de se considerar o impeachment como coisa certa. O diabo é que certeza não se tem de nada. Pode ser que os partidários do afastamento venham a precisar de mais um ou dois votos, não na Câmara, ao menos no Senado.
De qualquer forma, ficando Dilma ou entrando Temer, nenhum dos dois terá condições de levar o Brasil até 2018. Serão governos postos em frangalhos, junto com o pais. Só que a solução alternativa é pior: rasgar a Constituição para convocação de novas eleições gerais fora do prazo. Em nome do quê ou de quem? Se impopularidade não é penhor do afastamento de quem foi eleito, como aceitar que solução seja um governo de união nacional? (Carlos Chagas) 

No auge da crise, o auge do lulopetismo de coalizão comprada.
Estamos entrando no clímax da crise política que consome o Brasil desde o estouro da bolha econômica inflada pela deletéria expansão econômica pelo consumo, que é a principal política pública na área de gestão econômica da era lulopetista (2002-2016).
Já falamos neste espaço algumas vezes que uma economia só cresce de maneira sustentável se o aumento do consumo ocorrer em conjunto com o aumento da produtividade da economia, caso contrário, esse consumo estará dilapidando poupança nacional e inviabilizando, no longo prazo, investimentos em desenvolvimento tecnológico, educacional e estrutural. O crescimento do consumo de maneira forçada, através de subsídios para pobres e ricos, inevitavelmente gera crise econômica, desemprego e liquidação de maus investimentos. Um roteiro infalível seguido à risca pela equipe econômica de Guido Mantega, que Levy e Barbosa não puderam contornar.
Enquanto a crise econômica vai gerando uma intensa crise política, o lulopetismo volta a fazer a única coisa que sabe quando está politicamente necessitado de apoio: corrupção e troca de favores.
O lulopetismo nunca foi uma unanimidade no Congresso Nacional. Sequer formou, em qualquer momento, uma maioria ideologicamente comprometida com seus princípios ideológicos básicos. Nem mesmo na saída das eleições de 2002, quando Lula só não venceu no Estado de Alagoas.
Essa falta de apoio parlamentar genuíno no Brasil é um problema particularmente grave, pois o sistema de governo brasileiro é um presidencialismo com muitos elementos de parlamentarismo. Vários dos constituintes de 1988 já declararam que a Constituição brasileira foi pensada para um modelo parlamentarista, e não presidencialista, sofrendo gatilhos para poder se adaptar a esse tipo de sistema. O próprio ambiente multipartidário não é propício para o presidencialismo, pois o Presidente nunca consegue apoio parlamentar suficiente apenas dentro do seu próprio partido ou coligação original. O presidencialismo faz muito mais sentido em um sistema bipartidário.
Daí vários cientistas políticos nacionais declararem que o Brasil vive um sistema político misto, chamado de presidencialismo de coalizão, onde o Presidente, recém-eleito, precisa cooptar outros partidos, mormente através de cargos e favores, para conseguir a maioria necessária para governar.
Voltando ao lulopetismo, esse movimento político fez desse erro de sistema uma arte. Transformou a coalizão política em formação de quadrilha. Deputados deixaram de ser convencidos e passaram a ser comprados, no sistema conhecido como Mensalão, que inclusive gerou condenações criminais como as imputadas a José Dirceu e José Genoíno. Além disso, outros movimentos como o Petrolão e os saques a todas as estatais brasileiras, em especial os Correios e a Petrobras.
Agora, nos seus momentos finais, escancara esse método de fazer política negociando cargos e, provavelmente, mais propinas, para partidos grandes (como o PP), médios (como PR e PRB) e pequenos (como o PTN) para impedir a aprovação do impeachment, tal como Collor fez há 24 anos atrás.
Uma vez eu ouvi uma frase de um amigo que se encaixa perfeitamente ao momento atual: a hipocrisia é a deferência que o imoral faz à virtude. Normalmente, mesmo uma pessoa inescrupulosa sabe distinguir o certo do errado, ainda que escolha sempre fazer o que é errado. Então, enquanto pratica sua imoralidade, tenta esconder esse feito, praticando hipocrisia porque sabe que a sociedade o recriminará se descobrir a verdade. Quando o malfeitor sequer é hipócrita, escancarando sua vilania em público, é porque perdeu totalmente o norte moral, já não mais se importando com o que os outros, ou Deus, pensam dele. Não há nenhum balizamento ético.
É nesse estágio que se encontra o lulopetismo. Na falta de qualquer referência, destila suas impropriedades como se coisa normal fosse. Nas palavras de Lula, querem criminalizar a política, frase essa muito bem ironizada pelo site Sensacionalista, ao anunciar que Lula acha que querem criminalizar o crime. A política não é antiética. O homem é um animal político, já dizia Aristóteles. Antiético é o PT, e sequer faz questão de esconder.
Basta agora conferirmos quem abraçará esse monstro para morrer politicamente junto. Com a palavra, os nobres deputados. (Bernardo Santoro)

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