25 de abr de 2016

Hoje, segundo capítulo novela impeachment...

• Sob pressão, começa hoje trabalho da comissão do impeachment no Senado. Menos da metade dos senadores se declara a favor de saída definitiva. STF investiga um terço dos senadores que integram a comissão do impeachment. 39 dos 81 senadores dizem apoiar saída definitiva de Dilma. São necessários 54 votos na Casa para a presidente perder de vez o mandato. Governo estuda ir ao Supremo se perder em comissão do Senado. 
• Temer é contra o aumento de impostos, afirma Skaf. Presidente da Fiesp entregou ao vice proposta para retomada do crescimento. Temer não assumiu compromisso de retirar CPMF da pauta. 
• Temer é o melhor. O esquema montado pelo PT ainda está sendo revelado pela Lava Jato. E, como disse o editorial do Estadão, ninguém sabe o que está por vir. Nesse sentido, nada melhor do que o governo transitório de Michel Temer. Ele tem duas missões: 1 - Salvar o Brasil da bancarrota. 2 - Permitir que, em 2018, os eleitores possam escolher um presidente sem denúncias criminais. 
• Vacinação contra H1N1 começa hoje no Rio de Janeiro. 
• Prazo para retirar ou transferir título de eleitor vai até 4 de maio. 
• Tribunal de Contas da União toma lugar das agências reguladoras.
• Analistas já preveem inflação em 6,98% este ano. Relatório registra sétima redução seguida para IPCA; PIB de 2016 piora. 
• Dados do Tesouro Nacional apontam que o estoque total da dívida pública federal, incluindo as dívidas interna e externa, teve alta de 2,38% em março sobre fevereiro, chegando a R$ 2,887 trilhões; no período, a dívida pública mobiliária federal interna subiu 2,81%, somando R$ 2,754 trilhões. 
• O advogado Antonio Carlos Brasil Fioravante Pieruccini, 67, detalhou em delação premiada homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) ter feito entregas de dinheiro em shoppings, apartamentos, estacionamentos e hotéis para pessoas ligadas a três políticos: a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), o deputado federal Nelson Meurer (PP-PR) e o ex-deputado João Pizzolatti (PP-SC).

 • Fracassa tentativa de fazer Unasul engolir lorota de golpe no Brasil. Nota do conselho de ministros ignora crise política brasileira. 
• Obama faz elogio a Merkel por refugiados. Chanceler alemã está do lado certo da história, diz presidente dos EUA. Obama cobra mais ação da Otan na luta contra o EI. Em visita à Alemanha, presidente dos EUA confirma envio de outros 250 militares americanos à Síria. 
• Crescem queixas de crimes sexuais no Exército de Israel. Registros aumentam após país abrir centro para reclamações anônimas. 
• Drogas na ONU: Teve lugar em Nova York na última semana a terceira sessão especial das Nações Unidas sobre drogas, com a participação de dezenas de chefes de Estado -a primeira iniciativa do gênero desde 1998; Os debates deixaram claro um cisma crescente na comunidade internacional com respeito ao tema. De um lado, países como México, Colômbia, Canadá, Noruega, Uruguai, entre outros, denunciaram a falência do paradigma de guerra às drogas e a necessidade de uma abordagem mais flexível da questão; De outro, nações como Rússia, China, Irã, Indonésia e Arábia Saudita, além de países da África, defenderam a manutenção do modelo atual e, em alguns casos, até a utilização da pena de morte para enfrentar o problema; O documento final reflete a difícil negociação entre esses dois polos. 

Olhando além do horizonte.
Mesmo sem tornar público, o PT já se conformou em passar para a oposição, disposto a chefiá-la e a não dar trégua ao novo governo. Contam como certa a degola da presidente Dilma, no Senado. Farão pontaria permanente na nova situação, dispostos a denunciá-la como artífice do retrocesso econômico e político. Os companheiros vão preparar o retorno para 2018, com a óbvia candidatura do Lula, certos de que Michel Temer pretende demolir conquistas sociais favoráveis às massas. A equação continuará a mesma, apenas invertida.
Já anunciado, o grande salto para o futuro, engendrado pelo PMDB, prevê iniciativas capazes de ampliar os espaços do capital, ao tempo em que reduzirá as garantias do trabalho. A negociação direta entre patrões e empregados substituirá parte das leis trabalhistas.
Fica difícil imaginar como reagirá o Congresso, apesar de a maioria dos votos pelo impeachment de Dilma deixar deputados e senadores de saia justa quando se tratar da manutenção dos postulados de defesa dos assalariados. Imagina-se que logo os partidos ditos de esquerda se unirão ao PT, reforçados pelos movimentos sindicais e populares.
Eleições municipais
O primeiro teste virá com as eleições municipais de outubro, em especial nas grandes capitais, situação capaz de levar o novo governo de Temer à defensiva. De seu lado já tentam compensar essa óbvia virada à direita com exortações pela preservação dos avanços à esquerda praticados nos dois governos do Lula. Só que a onda gerada pelo enfraquecimento e a queda de Dilma produzirá efeitos ainda por algum tempo. Posto em frangalhos, o PT necessitará de muito oxigênio para a recuperação./ Em suma, haverá que tentar olhar além do horizonte. (Carlos Chagas) 

Freud estará morto? 
No futuro, sexo será coisa de pobre. Diz, de repente, meu amigo esquisito, que anda meio deprimido com o Brasil inteligente, que insiste em amar o populismo brega do PT. Mas, voltemos à hipótese acima. Por que no futuro sexo será coisa de pobre?
Vamos desenvolver essa intuição desesperadora. Simples: porque os mais ricos e instruídos farão sexo sustentável consigo mesmos. O acúmulo de riqueza está deixando a moçadinha mais instruída brocha. A vida sexual nessa camada social será uma grande punheta. Faça um teste: entre os mais jovens, só os pobres ainda acreditam na diferença sexual. Dito de forma direta: só os mais pobres acreditam que existam homens e mulheres entre nós.
E qual a razão filosófica pra isso? Simples, de novo. A histeria (aquela que deixava as mulheres do tempo de Freud paralisadas diante do gozo) hoje se fez laço político utópico. A utopia política é histérica porque toda utopia é histérica. Limpinha, perfeita, imaculada, paralisada diante da realidade suja. A histeria teme o gozo porque tem horror ao sexo, sujo em sua natureza íntima. E os inteligentinhos (histéricos de carteirinha) determinaram que o sexo é político.
Para gozar, temos que ser sujos e injustos. Imagine uma histérica de hoje, toda limpinha, fazendo um boquete num cara? A exigência será que o esperma seja orgânico e igual para todos.
Os heterossexuais serão visto andando em bandos na periferia, mergulhados em sua ignorância, acreditando na fábula da diferença entre os sexos. Os mais ricos terão aderido ao movimento transnada. Mesmo os gays já serão um fenômeno de classe C. O chique mesmo será visto nas ruas da zona oeste, passeando com seu golden retriever: o transnada. Figura eclética, criada pela sociologia progressista.
Nosso transnada frequentará consultórios de psicanalistas e se cortará diante de sua analista, procurando sentir alguma coisa, já que a sociologia de gênero terá provado que seu corpo é uma representação social. Como sentir alguma coisa se seu corpo é uma representação social? Como um fantasma, nosso transnada vagará pelo mundo das representações sociais.
Detalhe: a cegueira contemporânea é não perceber que a agressão ao desejo agora não vem do cristianismo, mas do sexo como representação social. É a utopia do sexo correto que aniquilará o desejo pelo corpo.
Acreditar que o corpo seja uma representação social é como crer em almas penadas: uma vez tendo caído na rede, você fica bobo e o próximo passo será a crença em duendes.
Aprofundemos um pouco mais. Como pensar em sexo sem pensar na pulsão de morte? Conceito problemático para um mundo rico que localizou o mal na opressão social. Só o capital carrega a letra escarlate da pulsão de morte. E sem pulsão de morte, o sujeito está morto. Por isso, só os mais pobres farão sexo. Porque estes ainda gozarão com o mal em si mesmos. Sem pulsão de morte não há sexo nem gozo.
Vou contar um fato que presenciei recentemente, que parece não ter nada a ver com isso, mas que tem tudo a ver.
Estava eu observando um grupo de monitores conversando com um grupo de crianças de uns quatro ou cinco anos, num ambiente de classe A em São Paulo. Um dos meninos chuta uma árvore. Parece irritado. O monitor, carregado daquela bondade perigosa e adocicada, diz para ele em forma de repreensão, mas fingindo ser uma forma de amor ao portador:
Joãozinho! (vamos chama-lo de Joãozinho para prestar uma homenagem a esse personagem já perdido no tempo, um tempo sem a melação de hoje em dia). Você não lembra do desenho que acabamos de ver?. Joãozinho para, assustado. Você não lembra que o desenho mostra que se maltratarmos a natureza isso fará mal para nós mesmos? Joãozinho permanecia imóvel diante de tanto amor à natureza.
Os idiotas do bem esqueceram do ensinamento do grande Nelson Rodrigues, nosso maior especialista em sexo, desejo e pulsão de morte: Só os neuróticos verão a Deus. No futuro, só os sujos terão corpo. Só os pobres de espírito farão sexo. Só os injustos gozarão. Freud estará de fato morto. (Luiz Felipe Pondé, filósofo, escritor e ensaísta) 

Não há certeza de nada.
Os números continuam batendo cabeça, no Senado. Serão duas votações, a da admissibilidade e a da condenação. Para a primeira, tornam-se necessários 41 votos. Para a segunda, 54. Há quem discorde, apesar de a Constituição prever o mínimo de dois terços dos senadores para afastar em definitivo a presidente Dilma.
O placard do Estadão aponta 48 votos já favoráveis à degola, bastantes para iniciar o processo mas insuficientes para ver Dilma pelas costas.
Existem indecisos e mudos no total de 81 representantes da Federação, enquanto correm os prazos. Como haverá também os enganadores, aqueles que anunciam o contrário do que vão votar.
Numa palavra, apesar das tendências, não há certeza de nada. A presidente e o PT revelam desânimo, mas no fundo guardam esperança.
Acontecerá o quê, quando maio chegar? Frustração, caso a presidente permaneça no cargo, conforme a votação revelada na Câmara dos Deputados, favorável ao impeachment por ampla maioria. E agora segundo as pesquisas no Senado, mesmo sem ainda alcançar o quórum. E mais a população quase toda, sem falar na torcida do Flamengo. A conclusão é de que Madame dispõe de uma leve chance para completar seu mandato, apesar das previsões negativas.
Nesse caso, os desdobramentos: seria inaugurado um novo governo, com Dilma mudando o ministério e apelando para a união nacional? Ou multiplicaria sua arrogância, julgando-se invencível para continuar a empurrar o país no rumo do precipício?
Claro que aparece, até em diapasão maior, o reverso da medalha. Dispensada, a presidente sumiria da História, aguardando-se a experiência de Michel Temer, tido como o retorno da direita ao poder? Ou o ainda vice-presidente também surpreenderia, impondo uma administração acorde com as necessidades nacionais?
Também se coloca outra alternativa, a de o Tribunal Superior Eleitoral cassar os dois e entregar o poder ao segundo colocado nas eleições de 2014, Aécio Neves? O que dizer da intervenção do Supremo Tribunal Federal, estabelecendo imediatas novas eleições presidenciais?
Em suma, certeza de uma dessas opções ninguém garante. Aliás, só uma: golpe, ninguém dará. Ou não? (Carlos Chagas) 
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.

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