7 de mar de 2016

Querem ensanguentar o país...

 photo chegouodia_zpsjjpdcpbf.jpg • Congresso enfrenta crise, veto e aumento de despesa. Às vésperas das manifestações do dia 13, agenda criminal e impasse político ameaçam paralisar as atividades legislativas. Pauta inclui vetos, Lei Geral das Estatais, alívio em dívidas para Estados e municípios e elevação de receita para a saúde. 
• Em nota, Moro explica condução coercitiva de ex-presidente. Juiz repudiou atos de violência durante o depoimento do ex-presidente Lula à PF e disse que condução coercitiva do petista não significa antecipação de culpa
• Temer volta a falar em unidade para tirar o Brasil da crise. Em discurso sem menção a Dilma, vice prega harmonia entre os Poderes. 
• Sem-teto prometem radicalizar ações contra Dilma. MTST divulga nesta segunda manifesto em que anuncia série de protestos. 
• Alunos que trancam cursos superam os que se formam. Em 2014, 1 milhão se formou, enquanto 1,2 milhão trancou as matrículas. 
• Se ceder ao PT, presidente joga economia num buraco ainda mais profundo. 
• Sinal amarelo: Ministros do STF acham que Moro avançou sinal em depoimento de Lula. 
Prender Lula seria como brincar com fogo. Para ex-ministro Gilberto Carvalho, ex-presidente sofre justiçamento
• Crise política enxerta gordura no dólar. Para ex-presidente do BC, câmbio deveria estar entre R$ 3 e R$ 3,50. 
• Bancos oferecem aos clientes crédito anticalote. Linhas têm juros mais baixos que os do cartão de crédito e cheque especial. 
• PF investiga empresa de logística da Rio-16. Firma que movimentará 30 mi de itens tem funcionários envolvidos em roubo. 
• STF vai homologar delação feita por Delcídio. Tanto a Polícia Federal como o Ministério Público Federal conseguiram elementos capazes de confirmar algumas importantes revelações feitas pelo ex-líder do governo no Senado. 
• Crise econômica se dissemina ainda mais, com aumento dos pedidos de recuperação judicial. 
• Okamotto viabilizou lavagem de R$ 1,2 mi, diz Procuradoria da República. Valor é referente ao pagamento do aluguel de dez guarda-móveis usados para armazenar parte da mudança do ex-presidente quando ele deixou o Planalto no segundo mandato. 
• Ex-tesoureiro das campanhas de Lula e Dilma, José de Filippi Junior, é delatado por dono da UTC. O valor da propina direcionada ao PT alcançou, segundo os delatores, R$ 2,4 milhões. Do total repassado ao partido entre 2010 de 2014, R$ 750 mil teriam sido pagos em espécie. 
• Sede do PT em SP também é alvo de pichadores. Grupo diz que pretende continuar escrevendo as frases de protesto nos muros ligados ao PT
• Advogado de Lula fala em tentativa de intimidar defesa do ex-presidente. Em nota, Teixeira afirma que houve clara tentativa das autoridades de intimidar um dos advogados do ex-presidente, violando suas prerrogativas profissionais. Roberto Teixeira é novo alvo de investigação do Ministério Público. MP afirma que advogado de Lula foi designado para representar ex-presidente nas ações de compra do sítio de Atibaia (SP). Antigo dono do empreendimento reconheceu participação de Teixeira. 
• Nova denúncia ao STF revela rotina de luxo de Cunha. Em apenas nove dias, Cunha gastou no cartão de crédito US$ 42,2 mil (R$ 169,5 mil) em restaurantes, hotel e lojas de grife em Miami Beach. À época, salário do político era de R$ 17,7 mil. Cunha é investigado por contas no exterior. Deputado é suspeito de intermediar a distribuição dos desvios da Petrobras. 
• Ex-assessor do Planalto pagou reforma de sítio em dinheiro, diz jornal. Rogério Aurélio Pimentel é investigado pela 24ª fase da Operação Lava Jato. PF apura repasse de R$ 167 mil à construtora para quitar despesas de obras realizadas no sítio de Atibaia. 
• Pedro Corrêa: Lula sabia do petrolão. O ex-presidente do Partido Progressista, preso na Lava Jato, está prestes a fechar acordo de delação premiada. Foco principal são episódios envolvendo o ex-presidente Lula. As informações são da revista Época. 
• Filósofo Bajonas Teixeira de Brito Junior aponta três erros na Operação Lula. “Foram três erros muito instrutivos sobre como se dá a investigação em torno de Lula e como se vem preparando isso que foi desencadeado agora, sua condução coercitiva para depor na PF. O primeiro foi a divulgação de um despacho sigiloso do juiz Sérgio Moro. 
• A tábua de salvação do pré-sal e do setor petróleo (I). O pré-sal foi vendido por Lula e pelo PT como a derradeira redenção nacional. O sucesso demonstrado por evidências e resultados concretos apresentados pela realidade foi substituído por uma retórica ufanista e de consistência questionável
• Do CCC ao PPA: Sérgio Moro persegue petistas. É perseguição, sim. Há vários políticos e partidos sendo investigados, mas todos os holofotes dos investigadores e da mídia recaem sobre aqueles suspeitos de serem petistas ou de ter qualquer relação com o PT
• O grito da jararaca: Depois da reação do jararaca (vide o texto abaixo), agora, mais que nunca, devemos nos dispor a ir às ruas no dia 13 próximo para mostrar à petelândia que o Brasil não se curvará a um bando de desordeiros que, mamando nas tetas da nação em salários de vadios em cargos arranjados pela quadrilha, querem manter essa boquinha eternamente, vindo às ruas para defender um crápula e seus comparsas. Não precisaremos fazer nada, porque a quantidade de camisas verde e amarela fará tudo e calará a minoria vestida de vermelho. (AC) Aqui

• Política externa americana deverá ser ainda mais intervencionista. 
• Rubio, esperança antiTrump, perde força em prévias. Republicano precisa de bom resultado para se manter na disputa. 
• Ex-primeira-dama dos EUA, Nancy Reagan morre aos 94. Ela teve influência no governo e redefiniu o papel de mulher do presidente.
• Eleição no Irã confirma que centristas são a força dominante no tabuleiro político do país.

Ganhando ou perdendo, dará no mesmo.
Mais fácil derrubar Dilma derrubando Lula? Ou mais fácil derrubar Lula derrubando Dilma? Não adianta nada.Tanto faz. Porque quem pretende impedir a eleição de Lula, em 2018, precisa desmanchar a imagem de Dilma. Um não subsiste sem a outra, sendo a recíproca verdadeira. Esse silogismo explica a visita da presidente da República ao antecessor, ontem, em São Paulo, depois da confusão verificada na véspera, por obra e graça da Justiça. Dilma foi à Canossa, enquanto Lula atravessou o Rubicão.
Traduzindo: raras vezes desde que celebraram sua aliança, jamais precisaram um da outra. Ou outra do um. Pode estar sendo marcada uma fase nova em suas relações. Enganou-se quem supôs o rompimento.
Sem querer, o juiz Sérgio Moro trabalhou para a unidade do PT, colaborando pela sua preservação no poder. Equivalem-se, a partir de agora, criador e criatura. São os dois contra o mundo, ainda que só por milagre Dilma consiga eleger Lula. Ou Lula ver-se eleito por Dilma. Trata-se da única oportunidade de conseguirem chegar juntos ao alto da montanha.
Que o Lula meteu os pés pelas mãos, não se duvida desde que estimulou o uso de dinheiros públicos em negócios privados. Já no seu primeiro mandato, fechava os olhos a contratos fajutos, superfaturamentos e tráfico de influências. Agora, muito pior. Sua principal auxiliar sabia e até impulsionava essas operações. Se desde antes, em governos passados, todos faziam e podiam, por que não eles? Só que dessa vez o termômetro subiu além do previsível. A bolha estourou. Eis o resultado: se a dupla Lula-Dilma vencer, horrível. Se perder, não será pior? (Carlos Chagas) 

Expectativas negativas e radicalização.
Os discursos proferidos pela vitima de 6ª. feira passada, o Sr. Lulla da Silva, um cidadão comum, sem qualquer direito especial e que se arvora como sendo um deus intocável, acima da Lei e de todos, se constituiu como uma verdadeira agressão ao Estado de Direito e às Instituições brasileiras!
Agrediu à Justiça, à Polícia Federal, à imprensa e à democracia. Além de ter explicitamente incitado a população à violência, ao radicalismo e ao confronto violento! É um mentecapto, totalmente desvinculado da realidade e dos fatos que rondam a ele e ao seu PT-sindical apóstata! 
No entrevista abaixo, feita com o filósofo e economista Eduardo Gianetti da Fonseca, que cresceu aqui ao nosso lado, no Bairro do Carmo, em Belo Horizonte, vemos os riscos e o perigo da radicalização política e popular, que está sendo promovida por Lulla e por seu PT-sindical apóstata.
O País, em vista da incompetência e da opção pela apropriação dos bens do Estado, feita por esse Partido de irresponsáveis, nunca, em toda a sua história, sofreu uma tão rápida e tão profunda reversão de expectativas, em todos os segmentos da vida nacional! 
Esse fato relevante, aliado à incitação explícita à violência e à radicalização promovida pelos arautos do quanto pior, melhor, pode trazer consequências imprevisíveis para o nosso País!
Como mais um exemplo dessa irresponsabilidade, corre pela Internet a notícia de que a direção do PT-sindical apóstata, está ensaiando em programar a passeata do desagravo aos criminosos, para o mesmo dia e horário do nosso movimento de 13 de março!... Já viram o que vai acontecer!...
Assim, mais do que nunca, não podemos perder essa grande oportunidade de começar a virada de nosso País, protestando contra tudo isso que está por aí! 
Mexa-se! Faça a sua parte! Vá para rua no próximo dia 13! E leve seus amigos e seus parentes!
O mundo não anda sozinho!... Nossas ações é que determinam para onde ele vai!... (Márcio Dayrell Batitucci) 

Nunca houve reversão de expectativas tão rápida.
A reversão brusca nas expectativas de melhora nas condições de vida dos brasileiros, provocada pela crise econômica, criou um risco elevado de radicalização do ambiente político. A opinião é do economista Eduardo Giannetti da Fonseca, que foi assessor da ex-senadora Marina Silva em suas campanhas pela Presidência, em 2010 e 2014. 
Intelectual e autor de livros sobre economia e filosofia, Giannetti acha que será inevitável a procura dos brasileiros por um candidato fora do quadro político tradicional quando ocorrerem as novas eleições. 
Podem surgir figuras sem base partidária, sem sustentação e com propostas mirabolantes e miraculosas de salvação, diz o economista. Leia a entrevista. 
Folha - Que impacto a turbulência política, que aumentou nos últimos dias, pode ter sobre a economia? 
Eduardo Giannetti da Fonseca - O impacto imediato e inequívoco é a instabilidade nos mercados financeiros. Para a economia real, não há um impacto tão dramático a curto prazo. Mas significa que a incerteza continuará cada vez maior. Com um cenário tão conturbado como o que o Brasil está vivendo agora, não há nenhuma expectativa de que se altere esse quadro. Pelo contrário. Acho que os investimentos tendem a continuar caindo. Estamos caminhando para mais um ano de recessão, em um patamar análogo ao do ano passado. 
Qual pode ser a consequência social dessa situação? 
A grande pergunta que eu me faço é até onde o tecido social brasileiro suporta o aumento do desemprego que vem ocorrendo. O agravante é que não é como nos anos 1980 e no início dos 1990, quando havia uma situação de crise crônica no país e as pessoas já tinham se adaptado a viver naquela situação. 
Agora estamos vivendo a maior reversão de expectativas em um curto período de tempo que o país já passou. Há poucos anos, a expectativa era que a vida ia melhorar, as coisas tendiam sempre a caminhar para a melhora na renda, no emprego, nas oportunidades. Em um curto período de tempo, vivemos uma guinada radical para uma situação de muita angústia, incerteza e medo em relação ao futuro. Não sei até que ponto a sociedade brasileira vai aceitar uma situação que se reverteu de forma tão dramática. Acho que estamos caminhando para manifestações de peso e eventualmente uma radicalização perigosa nas ruas. 
Qual é o risco político disso? 
Acho quase inevitável, com o mandato terminando antecipadamente ou na eleição de 2018, o eleitorado buscar pessoas de fora do establishment político. Isso já está ocorrendo de uma forma ou de outra no mundo inteiro pelo desgaste das formas tradicionais de representação. Mas eu tendo a crer que, no caso brasileiro, isso tende a ir mais longe. O que é um ambiente muito perigoso para a ordem democrática. Podem surgir figuras sem base partidária, sem sustentação e com propostas mirabolantes e miraculosas de salvação. O Brasil no passado já vivenciou coisas desse tipo. A vitória de Jânio [Quadros, em 1961], de certa maneira, foi isso. E a vitória de [Fernando] Collor [em 1989], certamente, foi isso. Foram duas figuras que vieram do nada, sem estrutura, e que repentinamente apareceram como salvadores. E os dois casos com resultados muito traumáticos para a ordem democrática. 
É possível que o governo consiga tomar medidas que revertam a crise econômica? 
Por mais boa vontade que eu tente encontrar dentro de mim, não vejo esse governo com capacidade de retomar o mínimo de iniciativa. Ele perdeu o controle do processo político de forma irrecuperável. O melhor cenário para ele agora é ir se arrastando e sangrando até o fim do mandato. Eu não imagino uma recuperação de governabilidade com capacidade de iniciativa no mandato da Dilma. A lógica do presidencialismo de coalizão é: eu faço concessões, eu entrego ministérios, cedo estatais, dou verbas e, em troca, conquisto uma base de sustentação que me permite tomar iniciativas e governar o país. O segundo governo Dilma já nasceu incapaz de conquistar essa governabilidade e, de lá para cá, o quadro só piorou. Essa é a falência de um presidencialismo de coalizão que já vinha claudicante, se tornando disfuncional, mas que agora chegou ao limite. 
A solução seria mudar esse modelo de governança? 
Vamos precisar de uma reforma política, sem dúvida nenhuma. O Congresso eleito à sombra da eleição majoritária para o Executivo fica muito desprestigiado. As pessoas não lembram alguns meses depois em quem votaram para deputado ou para senador. E não há representação nenhuma. A sociedade civil não se reconhece nos representantes que ela mesma elegeu. Vamos ter de caminhar para um sistema distrital misto. Para trazer o representante mais para perto do eleitor. 
Do lado econômico, qual é a agenda mais urgente? 
Em 1988 foi feita uma opção pelo Estado federativo. Decidimos repassar as atribuições típicas do setor público para os Estados e os municípios. Se tudo tivesse corrido dentro do script, o que teria acontecido? Um aumento dos gastos nos Estados e municípios em áreas como educação e saúde, que teria correspondido a uma diminuição do gasto do governo central. Mas os números mostram que os três níveis de governo passaram a crescer ao mesmo tempo. A União cresceu até mais do que os Estados e os municípios. E como a União financiou esse aumento de gastos, dado que ela é obrigada a compartilhar os impostos tradicionais? Ela se serviu de uma modalidade de tributo que era para ser exceção e virou regra, que é a contribuição. 
Como solucionar isso? 
Acho que o dinheiro público deve ser gasto o mais próximo possível de onde ele é arrecadado. Só deve ir para Brasília o dinheiro que é estritamente do governo central e o dinheiro da redistribuição regional. Mas tem que descentralizar a autoridade para tributar. Os Estados e os municípios deveriam ficar responsáveis pelas atividades típicas de setor público do lado do gasto, mas também arrecadar localmente e financiar com arrecadação próxima os seus gastos. E Brasília vai ter de encolher. 
Será que existirá consenso na sociedade para que mudanças como essa sejam feitas? 
A sociedade precisa encontrar forças para enfrentar os problemas. A questão é quanto vai ter que aumentar o sofrimento para que a sociedade mobilize a vontade necessária de mudar. Era a pergunta que fazíamos na época da inflação. (Eduardo Giannetti, economista e filósofo, por Érica Fraga, SP)

Ladrões de galinha e vaquinha.
Uma notável coincidência ocorreu nos dois únicos julgamentos de que participei como jurado. No primeiro, o crime fora consequência de um roubo pequeno. Estava mais do que provado, mas um dos jurados se obstinava em absolver o réu. Insistimos para que reconsiderasse sua decisão, mas ele se explicou: - Sei que o crime está provado. O réu nega, como todo réu, mas do meu ponto de vista o crime foi cometido para roubar quantia pequena, o réu não passa de um ladrão de galinhas. O que considero errado é isso. Não vale a pena condenar alguém por motivo tão insignificante. E também não vale a pena arriscar-se por quantia tão pequena. Se quer roubar, o melhor é roubar pra valer.
Haveria muitos argumentos contra a posição assumida pelo meu colega jurado, mas de qualquer forma ele seria voto vencido, e ninguém quis perder tempo com argumentos desnecessários e inúteis. Evidentemente não concordei com a posição dele, fiquei espantado com o cinismo. Confirmada a sentença de condenação, saí do tribunal interessado em saber se ele só condenaria criminosos que fossem grandes ladrões. Não esses ladrões de quase nada, que também não dispõem de grandes quantias para pagar bons advogados e outras despesas. Tentei reencontrar o autor da frase, para conversarmos um pouco, mas não consegui.
Muito tempo depois, fui convocado para jurado do crime cometido por um funcionário público, acusado de desviar dinheiro do paquiderme estatal. Desvio grande, confirmado por uma série de depoimentos, documentos e fatos conexos.
Quando o acusado sentou-se no banco dos réus, não o reconheci imediatamente, mas a leitura do nome e outros dados não deixaram dúvida - era o jurado autor daquela frase, que agora ocupava a posição de réu, exatamente oposta à anterior. A incrível coincidência de eu estar ali para julgar aquele réu, depois de ter participado ao lado dele no julgamento de outro, trazia-me à memória a frase cínica: Se quer roubar, o melhor é roubar pra valer! Tudo confirmava que não era um ladrão reles, mas ladrão de grandes quantias. E a frase dele incluía a certeza de que se pode usar parte dessas grandes quantias para pagar bons advogados, ter cúmplices no corpo de jurados, comprar o que seja necessário, talvez até a parcialidade do próprio juiz.
Durante todo o julgamento o réu se mantinha tranquilo, como quem tem certeza da sua inocência. Ou de ser inocentado... A tranquilidade dele e os seus sorrisos para os jurados sugeriam não só a inocência, mas a certeza da absolvição. Houve belas entonações no discurso do advogado de defesa, até mesmo por ser patente no réu a tranquilidade e paz de espírito, que só se encontra no inocente.
Votei pela condenação, pois os autos do processo não deixavam margem a dúvidas. Mas quase todos os outros jurados o absolveram, a sentença foi lavrada, e o acusado saiu inteiramente livre.
Certamente o leitor não ignora o comentário de que no Brasil só existe cadeia para ladrão de galinhas. Explica-se, por ser o dinheiro do rico usado para comprar sua defesa: bons advogados, testemunhos favoráveis bem remunerados, produção fraudulenta de provas, comparsas no banco dos jurados, até juízes corruptos. O segundo réu (e também jurado no primeiro caso), que enriqueceu com o roubo de quantia vultosa, certamente usou parte dela para defender-se, e foi absolvido.
Se o ladrão é dos grandes, principalmente se pertence a uma grande quadrilha, tudo que é comprável está à sua disposição. Seus comparsas procuram evitar uma condenação; e se ele é condenado a uma multa ou devolução de grande quantia, podem se quotizar numa vaquinha para pagá-la. Ninguém pode incriminar os que gastam dinheiro para tirar de apuros um amigo; mesmo se tudo indicar que usam para isso o dinheiro roubado, e depois distribuído entre os comparsas para esse efeito.
Imagine que uma quadrilha roubou cem milhões, e durante o processo só se conseguiu incriminar o réu no roubo de dez milhões. É claro que não faltará dinheiro para a restituição. Seria muito natural exigir do culpado a restituição integral, mas muitas vezes os responsáveis até se esquecem de requerê-la. Também é evidente que não faltará dinheiro para os parceiros cobrirem eventuais multas e outras despesas. É muito estranho não se levantar suspeitas sobre amigos tão prestimosos. Investigadores que farejam tanta coisa poderiam até farejar um provável caixa comum desse dinheiro. Em termos mais atuais, investigar de qual cueca saiu esse dilúvio de doações.
Se esses fatos e comentários lhe fazem lembrar assuntos recentes do nosso noticiário, esteja certo de que não se trata de acaso.
Em tempo: O texto inicial é adaptado de uma crônica de Machado de Assis, intitulada Suje-se gordo. Veja que o problema é bem antigo. E só tem aumentado... (Jacinto Flexa) 
Em toda a história da humanidade, ninguém jamais morreu de desigualdade. Porém, muitos morreram de pobreza. (James Harrigan and Anthony Davies)

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