24 de mar de 2016

Grampo, impeachment e golpe: clichê barato.

• Temer e o dilema entre ser governo e o impeachment. Presidente do PMDB, o vice da República articula o impeachment, mas é pressionado pelos governistas que defendem a permanência no governo e o apoio à presidente. Cresce adesão ao impeachment, diz mapeamento. Levantamento realizado por grupo a favor da deposição mostra que o cenário no Congresso não está favorável para a presidente. Indecisos têm definido voto contra o governo, diz Mapa do Impeachment. 
• Ex-presidente do STF diz que impeachment não é golpe. Para Ayres Britto, voz das urnas não basta para legitimar um governo. 
• Planilhas da Odebrecht citam 286 políticos de 24 partidos. Listas foram encontradas em material apreendido com executivo da empresa. Documentos da Odebrecht citam mais de 200 políticos e valores recebidos. Planilhas apreendidas pela Lava Jato fazem referências a políticos governistas e da oposição, de 18 partidos, e listam apelidos e montantes repassados. Nomes vão de Aécio a Jaques Wagner. MPF não confirma acordo de delação com executivos da Odebrecht. Apesar da disposição apresentada pela empreiteira, MPF afirma que a simples manifestação dessa vontade pela imprensa, seja por qualquer grupo empresarial investigado, não possui qualquer consequência jurídica. Jornal Nacional não divulga lista da Odebrecht. E a razão é simples, segundo Bonner: Além de a polícia não saber ainda se [os políticos] cometeram alguma ilegalidade, a lista inclui mais de 200 pessoas de todos esses partidos. Não faria sentido escolher uns e omitir outros, e o tempo não nos permitiria divulgar todos
• Senadores entram com reclamação disciplinar contra Moro no CNJ. Grupo de 14 senadores alega que Moro agiu com arbitrariedade e expôs a presidente a uma situação absurda ao levantar o sigilo de conversas telefônicas do ex-presidente Lula quando se preparava para assumir a Casa Civil. 
• Ministro da Justiça determina reforço de segurança para Teori Zavascki. A medida é uma resposta às intimidações feitas contra Teori, por manifestantes antigoverno, depois que o magistrado determinou a Moro remessa de autos sobre Lula ao STF. Lobão divulgou endereço de filho do ministro. 
Queremos muito que o PMDB permaneça no governo, diz Dilma. Durante evento da Aeronáutica realizado em Brasília, a presidente defendeu a retomada do crescimento e ressaltou a importância do PMDB para o equilíbrio do governo. 
• Lula, em gravação telefônica: Jamais iria para o governo para me proteger. Em diálogo com o governador do Piauí, Lula diz que vai pedir para Dilma liberar crédito para os estados. Piauiense diz que governo tem apoio de 21 governadores e oito partidos da base. 
• Lava Jato vasculha apartamento de ex-tesoureiro de governador tucano. Apartamento em São Paulo de Jayme Rincón, atual presidente da Agência Goiana de Transportes, foi alvo de busca e apreensão. Endereço consta de planilha da Odebrecht para pagamento de R$ 1 milhão de ex-assessor do secretário de Marconi Perillo. 
• Petrobras a longo prazo: Rombo mostra o quanto está longe a recuperação da estatal após descalabros da administração petista. O PT e o governo tentam fazer de Moro um vilão. É provável que magistrado mereça muito mais elogios do que críticas. 
• Itamaraty adverte diplomata que fez alerta sobre golpe. Milton Rondó Filo enviou mensagens para representações no exterior. Telegramas enviados na sexta conclamavam diplomatas à resistência democrática para apoiar adequadamente o diálogo entre o ministério, a sociedade civil brasileira e a local. Comunicados foram anulados em seguida por secretário-geral. Líderes pedem convocação de ministro por alerta do Itamaraty sobre golpe. Líder do PPS e vice-líderes do PSDB e da oposição apresentam requerimento para que Mauro Vieira, das Relações Exteriores, esclareça no plenário da Câmara recomendação que partiu do Itamaraty a diplomatas para que alertassem sobre risco de golpe no Brasil. 
• Oposição pede à PGR que investigue Dilma por inclusão de Lula no Diário Oficial. DEM aciona PGR para apurar se a presidente cometeu crime de responsabilidade, improbidade administrativa e prevaricação com a publicação do nome de Lula como ministro da Casa Civil. 
• Governo quer aval e envia projeto para encerrar ano com déficit primário de R$ 96,7 bilhões. Equipe econômica vai enviar ao Congresso projeto para alterar Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e permitir que União possa fechar o ano com déficit primário de R$ 96,7 bilhões e prevê déficit equivalente a 1,55% do PIB. 
• Delcídio falta, Conselho de Ética marca novo depoimento e convoca filho de Cerveró. Senador, que deveria ser ouvido hoje, apresentou atestado médico para justificar ausência. Novo depoimento foi marcado para o dia 7. Colegiado decide convocar Bernardo Cerveró, Edson Ribeiro e Diogo Ferreira, pivôs da prisão do ex-líder do governo. 
• Câmara aprova quatro propostas que garantem direitos à mulher. Propostas instituem 2016 como Ano do Empoderamento da Mulher na Política e no Esporte; preveem aumento de pena para descumprimento de medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha; tornam obrigatórias as cirurgias plásticas reparadoras para pacientes com câncer e proíbem a revista íntima em empresas privadas e órgãos de entidades da administração pública. 
• Senado aprova Instituição Fiscal Independente. Entre funções atribuídas ao novo órgão está divulgar estimativas de parâmetros e variáveis relevantes para a construção de cenários fiscais e orçamentários, e projetar evolução de variáveis fiscais determinantes para o equilíbrio de longo prazo do setor público. 

Collor e Dilma.
De derrota em derrota, na última segunda-feira, com a decisão da ministra Rosa Weber de obstar, no Supremo Tribunal Federal, os interesses do Lula e da presidente Dilma, o impeachment vai ficando cada dia mais provável. Dos 513 deputados, imagina-se hoje que perto de 400 se pronunciarão a favor. As esperanças de Madame e de seu criador assentavam-se nos 81 senadores, ou melhor, na maioria deles. Comentários do presidente Renan Calheiros, ontem, desfaziam essa impressão. Basta um a mais, computando-se a presença dos que estiverem em plenário, para afastar a presidente do palácio do Planalto. Primeiro temporariamente. Depois, em definitivo.
A pergunta é por que se afasta uma chefe da nação eleita pelo voto direto, duas décadas depois de outro por igual processo. Não terá sido por conta de uma Fiat Elba, num caso, e agora em função de pedaladas ou da nomeação de um novo chefe da Casa Civil, em outro, mesmo em se tratando do Lula. Esses foram pecados, jamais justificando chamas eternas.
Colllor, e agora ao que parece, Dilma, estavam ou estarão condenados bem antes do julgamento. Deveu, um, e deverá, outra, seu afastamento às próprias personalidades. Assumiram como numa monarquia, esquecidos de que a República fora proclamada há mais de cem anos. Uma vez investidos no poder, julgaram-se acima do Bem e do Mal. Adotaram a postura de rei, um, e de rainha, outra, ignorando a maior das qualidades que deveriam ostentar: a humildade. Mesmo que no fundo se julgassem superiores à humanidade, precisariam disfarçar. Fernando Henrique, por exemplo, encenou essa farsa, mas saiu aplaudido.
Collor por jovem demais, Dilma, por formação ideológica, esqueceram de atentar para os sentimentos do povo à sua volta. Imaginaram governar um país obrigado a render-lhes não apenas homenagens, mas obediência ostensiva. A cada pronunciamento ou aparição pública, estavam quilômetros acima de suas bases, sem atentar para que a população, tendo ou não votado neles, rejeita a presunção, o orgulho e a prepotência. Especialmente da parte dos que deveriam respaldá-los.
Claro que diferenças existiram e existem entre eles, mas aproximam-se de uma semelhança definitiva: um triste final. (Carlos Chagas) 

• Brasil tem estrutura forte para resolver crise, diz Obama. Afirmação foi feita em entrevista coletiva após reunião com Macri na Argentina. Obama faz elogios a Macri em encontro na Argentina. Americano diz ter se impressionado com rapidez das medidas econômicas. 
• Revista britânica diz que única opção de Dilma é o impeachment. Editorial da The Economist menciona que chegou a hora de ir para a presidente da República, e afirma que a saída de Dilma ofereceria ao Brasil a oportunidade de um novo começo
• Bruxelas ensaia volta à normalidade após ataques. Transporte público teve dia atípico com filas e revistas policiais.


Depoimento sobre intolerância política.
Fui criado numa típica família de classe média. Minha mãe tocava um pequeno negócio para manter um carro, uma casa, a educação dos filhos e para poder fazer uma viagem ao exterior a cada três anos, entre períodos de dificuldades. Não foram poucas as vezes em que a geladeira da minha casa esteve vazia para que a geladeira dos funcionários da empresa estivessem cheias. Não foram poucos os natais em que minha mãe deixou de dar presentes melhores aos seus próprios filhos para poder pagar o 13° salário dos seus empregados.
Enquanto acompanhava o dia a dia de minha mãe, eu via Lula na televisão, sempre esbravejando contra a classe média e contra os empresários, acusando-os de serem verdadeiros crápulas. Eram raros os dias em que Lula não aparecia no Jornal Nacional invocando a revolta dos pobres contra os ricos, dos trabalhadores contra os patrões. Foi assim que Lula e o PT conquistaram os corações dos artistas, dos intelectuais e dos jornalistas que hoje reclamam da intolerância política.
Na universidade, presenciei de perto o comportamento das pessoas que preferem bandeiras de sindicatos, de partidos políticos e de Cuba à bandeira de seu próprio país.
Presenciei o desprezo pelas pessoas que trabalham duro para manter o mundo funcionando. Presenciei o desprezo por católicos e protestantes. Presenciei o ódio a todos que conseguem enriquecer trabalhando. Contudo, o que mais me chamava a atenção era a intolerância entre eles mesmos.
Nas assembleias dos Diretórios Acadêmicos e nos Congressos da UNE, o clima era de total intolerância com a ideia e com a palavra do outro. Longas vaias impediam que as pessoas fossem ouvidas ao microfone. As ideias eram discutidas apenas entre aqueles que concordavam com elas. Não havia espaço grupos mais moderados. Não havia debate. Havia apenas a imposição do mais forte, daquele que conseguia mobilizar mais pelegos e intimidar de forma mais eficiente os grupos adversários. Não raro, tudo acabava em pancadaria. Os grupos apadrinhados pelo PT, pelo PSTU e pelo PCdoB não compartilhavam sequer os ônibus que os levavam aos eventos.
A intolerância dentro do movimento estudantil reflete a intolerância que marca a história do comunismo e do socialismo. As primeiras providências tomadas por todas as revoluções da história foram: Matar opositores, matar apoiadores moderados e coibir qualquer potencial foco de questionamentos. Foi Stalin que matou Trotsky. Foi o PT que caluniou Marina Silva na última eleição. Foi o PT que lançou a campanha “helicóptero do Aécio”. Socialistas são canibais. Quem matou Celso Daniel?
O curso de arquitetura, do qual eu fazia parte, era um oásis na universidade. O posicionamento político e ideológico não delimitava espaços nem relacionamentos. O mesmo acontecia na Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura, FENEA, cujo estatuto proibia conotação política em seus eventos e projetos.
Então Lula chegou ao poder…
Ao levar para dentro do Palácio do Planalto os discursos de luta de classes, de gênero e de raça, Lula institucionalizou a intolerância.
Ao fazer da educação pública um instrumento de doutrinação ideológica, Lula plantou a semente para uma sociedade vitimista, invejosa e intolerante.
Não era mais um simples sindicalista esbravejando contra o sistema. Era o Presidente da República! Era o Presidente da República que dizia que os pobres deveriam odiar os ricos, que os negros deveriam odiar os brancos, que os gays deveriam odiar os heteros, que as mulheres deveriam odiar os homens, que os empregados deveriam odiar seus patrões e que a esquerda deveria odiar a direita.
A intolerância manifestada sistematicamente pelo Presidente da República descia em cascata através da mídia, envenenando a sociedade.
Senti os efeitos disso em minha vida particular e profissional. De uma das pessoas mais populares entre meus colegas de faculdade, passei a ser mal visto pela maioria delas por ousar me manifestar contra o governo e contra o socialismo. Quando meu primeiro artigo foi publicado no Instituto Liberal e reproduzido por Rodrigo Constantino em sua coluna na Veja, perdi uma centena de amigos no Facebook num único dia. Pessoas que gostavam de mim passaram a me repudiar. Pessoas que bebiam e viajavam comigo passaram a fazer piada com meu nome, pelas costas. De elogiado por muitos, meu trabalho em arte passou a ser ridicularizado. Pessoas se desfizeram de quadros que eu havia lhes presenteado. Houve um movimento entre estudantes de arquitetura para se apagar os murais que eu havia pintado em suas faculdades. Uma de minhas ex-professoras não teve pudor em dizer que não se sentia mais a vontade para conversar comigo por eu ser de direita. Não rola mais tomar uma cerveja contigo. Você é de direita e eu sou de esquerda, ouvi de um amigo. Perdi 70% dos poucos clientes que eu tinha. Poucos meses atrás, a direção de um espaço cultural mantido pelo governo cancelou uma exposição já agendada alegando que meu posicionamento político era incompatível com o deles.
Aconteceu comigo o que acontece com todo e qualquer artista que ousa defender ideias liberais. O meio cultural, composto por aqueles que se apresentam como pessoas evoluídas espiritualmente, não vacila diante de um artista que critica o socialismo e governos de esquerda. Trata de rejeitá-lo. O clima de intolerância é tal que os artistas que não concordam com as ideias e com os procedimentos da esquerda simplesmente se calam porque sabem que uma simples opinião pode transformar amigos em inimigos.
Isso explica a completa ausência de filmes e peças de teatro com viés liberal. Todos os projetos culturais com conotação política impõem o estereótipo do empresário mal caráter e do conservador violento, machista e homofóbico.
Enquanto minha imagem e meu círculo social e profissional eram desconstruídos devido ao meu posicionamento político, eu tomava conhecimento do que acontecia nos ambientes que formaram minha vida acadêmica. Os encontros de estudantes de arquitetura foram transformados em encontros de militantes socialistas, nos quais a liberdade foi substituída pela patrulha ideológica. As pessoas perderam o direito de serem elas mesmas. Todas tiveram que se encaixar dentro de um ou de outro grupo. Os críticos foram isolados ou expulsos. A própria FENEA alterou seu estatuto para se dar uma função política - desde que seja socialista, claro. Nas faculdades, professores passaram a dar mais ou menos atenção aos alunos em função de seus posicionamentos políticos.
A conotação pejorativa do pensamento liberal - menos estado, mais liberdade - ganhou novas proporções. A maioria dos jornalistas de direita foram excluídos dos grandes jornais. Foi proibido se referir a Cuba como sendo uma ditadura. O termo extrema-esquerda foi banido enquanto os termos extrema-direita e ultra-conservador passaram a ser utilizados para identificar qualquer grupo ou partido crítico do socialismo. Qualquer palavra mal colocada por um membro da direita passou a ganhar repercussões bombásticas. Numa novela da Globo, um dos personagens fez propaganda de um livro sobre Che Guevara, aquele anjinho socialista que promoveu a paz e o amor perseguindo, prendendo e assassinando opositores.
Nos movimentos feminista, gay e de afirmação racial patrocinados pelo governo, o que reina é a total intolerância com qualquer pessoa que faça simples questionamentos.
Todos os partidos que ostentam bandeiras vermelhas têm Lênin, Marx e Gramsci como referência teórica, ou seja, têm como referência o pensamento daqueles que incentivaram a destruição de todos os movimentos que cobram a autonomia do indivíduo. Gramsci, em especial, desenhou todo o processo de envenenamento ideológico que está corroendo os pilares da cultura ocidental. Não há uma só linha em toda a literatura socialista que pregue tolerância aos valores da direita. A tolerância nunca compôs o ideal socialista. Lula só fala em diálogo com a oposição quando se vê acuado.
Sendo assim, por qual razão deveríamos amar os socialistas? Por qual razão deveríamos respeitar aqueles que nos desrespeitam? Por qual razão deveríamos tolerar aqueles que tentam nos destruir? Deveríamos oferecer flores àqueles que nos apedrejam?
Fato: Muito, muito antes de odiarmos os partidos de extrema-esquerda, eles já nos odiavam.
A pauta intolerância política que vem sendo levantada na grande mídia não passa de mais uma estratégia para fazer a vítima se sentir culpada pelas agressões que recebe. (João Cesar de Melo)

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