8 de mar de 2016

Dia da Mulher.

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento. 
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
(Carlos Drumond de Andrade) 

• Elo entre marqueteiro do PT e Odebrecht coopera na Lava Jato. Secretária pode esclarecer se pagamentos têm relação com campanhas petistas.
• Rio tem um roubo a cada 5 minutos e 27 segundos. 
• Pezão escolhe filha do ministro Fux como nova desembargadora do RJ. 
• Luiz Estevão se entrega à polícia em Brasília. Ex-senador foi condenado a 31 anos de prisão por fraudes no Fórum Trabalhista de SP. Antes de condenação, defesa de Estevão entrou com 34 recursos em dez anos. 
• Supremo se manifesta e destrava rito do impeachment. Ministros começaram a publicar acórdão sobre como processo deve tramitar. 
• Zika pode causar dano fetal em toda a gravidez, diz estudo. Trabalho acompanhou 42 mulheres do Rio, infectadas durante a gestação. 
• Lula aluga cobertura para não incomodar vizinho. Segundo aliado, imóvel pertence ao primo do pecuarista José Carlos Bumlai. 
• E-mails de empreiteiro somem de servidor do grupo. A conta de Marcelo Odebrecht não pode ser recuperada por falta de backup
• Chineses avançam em distribuição de energia no Brasil. Eletropaulo, CPFL e Celg-D estão na mira da estatal chinesa State Grid. 
• Atrasos da Anvisa afetam indústria farmacêutica. Mercadorias importadas ficam paradas por quase dois meses em Viracopos. 

• Para conter refugiados, Turquia pede entrada na EU. País é considerado fundamental na solução da crise por ser rota para a Europa. 
• Alemã de 15 anos torna-se mártir de extremistas. Jovem islâmica confessou ter esfaqueado um policial e está presa. 
• EUA: trem com 241 pessoas a bordo descarrila; há 14 feridos. 
• Crises afetam imagem do Brasil no exterior e confundem estrangeiros. 
• Grupos investem fortunas para impedir avanço de Trump. 
• Japão rejeita críticas da ONU por caso de escravas sexuais na guerra. 

Faltaram a Lula os conselhos de uma criança.
No teatro infantil, com seus enredos básicos, sua comédia ingênua e seus exageros trágicos, as crianças se integram à catarse. Elas participam do espetáculo. Interferem na história, vaiam os vilões e torcem pelos herois. Avisam para a Chapeuzinho Vermelho, aos berros, que o Lobo Mau vai atacar. Às vezes, invadem o palco para evitar o ataque. O que faltou a Lula foi uma criança de cinco anos que saltasse da poltrona do teatro e gritasse para o mito do PT, a plenos pulmões: Fuja dos seus amigos!
Não bastasse o tríplex no Guarujá, que Lula alega ter desistido de comprar depois que virou escândalo; e o sítio de Atibaia, que virou escândalo porque o ex-soberano utiliza mesmo sem comprar, surge agora a cobertura de São Bernardo. Fica ao lado de outra cobertura, onde mora Lula. No papel, o imóvel foi comprado em 2011 por Glaucos da Costamarques, um primo do amigo José Carlos Bumlai, preso em Curitiba. Foi alugado para Lula, que prefere não ter vizinhos.
Presidente do Instituto Lula, o faz-tudo Paulo Okamotto explicou que o ex-soberano petista não quer ter ninguém morando do seu lado porque sabe do desconforto que é ter um vizinho político. Desconforto?!? Decerto Okamotto se refere ao risco de abrir a porta e dar de cara com agentes da Polícia Federal no hall do elevador. Mas as dúvidas continuam boiando no ar.
Por que diabos Lula não comprou, ele próprio, a cobertura ao lado? O primo de Bumlai afirma que pagou cerca de R$ 500 mil pelo imóvel. Isso é dinheiro de troco para Lula, um gênio das palestras invisíveis, que diz ter feito fortuna equiparando o preço de sua lábia à tabela de Bill Clinton, o conferencista mais caro do planeta.
Se houvesse uma criança de cinco anos na plateia, ao perceber que um primo de Bumlai entrara em cena, ela teria se esgoelado: Não, não. Isso não! Durante as visitas de Lula e Marisa Letícia às obras da reforma do tríplex do Guarujá, a criança teria entrado em desespero: Pelo amor de Deus, do lado de Leo Pinheiro, dono da OAS, não! Ao cruzar o portão do sítio de Atibaia, cedido pelos sócios de Lulinha e reformado pelo pool Odebrechet-OAS-Bumlai, a família Lula da Silva ouviria da criança: Isso vai dar merda!
Ah, que político imaculado seria Lula se tivesse do seu lado um conselheiro mirim, com cinco anos de idade! (Josias de Souza) 

De mao a piau.
Sábado reúne-se a direção do PMDB, em São Paulo, com o partido dividido. Metade defendendo o rompimento com o governo Dilma. A outra metade, apoiando. Domingo, nas principais capitais, inclusive as associações populares, organiza-se movimento popular contra o governo. A presidente Dilma tem quatro dias para virar o jogo, de preferência rezando pela continuidade da chuva. Não que se a maioria da população, debaixo do sol, dedique-se a ampla manifestação contra o governo, aliás, o mais provável na dependência de São Pedro. O mundo não acabará, muito menos o Brasil. Mas será triste para o palácio do Planalto, especialmente agora que o ex-presidente Lula anda em queda livre.
A situação anda de mal a pior, para os detentores do poder. Como na China de algumas décadas atrás, quando ia de Mao a Piau. Ganhou o primeiro, até com o sacrifício do segundo. Aqui, duas figuras fundamentais embaralham a equação: o vice-presidente Michel Temer procura situar-se no meio da confusão que divide seu partido, ainda que se poupando. Caso o governo Dilma não resista ao retorno do impeachment, que ressurge de forma avassaladora, o vice espera salvar-se. Tem condições, aliás, como também poderá naufragar junto com a titular, se o Tribunal Superior Eleitoral assim entender.
O problema é que o governo passa apertado, sob o risco de desaparecer por haver outra figura capaz de salvá-lo ou levá-lo para as profundezas: o Lula. Jamais o primeiro companheiro andou tão mal. As acusações que explodem sobre ele, implicando-o com as tramoias da Lava Jato, desequilibram sua postura. Nem será preciso repeti-las, do triplex ao sítio, das palestras às ligações com as empreiteiras e às propinas postas em dúvida.
Haverá que aguardar até a próxima segunda-feira, sem que nenhum dos três personagens tenha certeza de nada.
A estrada que não vai
Um feliz brasileiro decidiu conhecer Portugal. Alugou um carro e foi conhecer aquele magnífico interior. Perdeu-se quando deveria estar naquela noite para a volta. Estacionou na beira de estrada e perguntou a um plácido camponês: Esta estrada vai para Lisboa? Não vai não senhor! 
Nosso patrício sofredor seguiu adiante, mas poucos metros depois de uma curva deparou-se com uma placa: Lisboa, vinte quilômetros. 
Irritado, deu marcha a ré e cobrou do camponês, que respondeu. Quem vai para Lisboa é o senhor. A estrada fica aqui... (Carlos Chagas) 

A Democracia de um neurônio só.
Toda unanimidade é burra, disse o Nelson Rodrigues. Sem dar muita bola para o Nelson ou para a burrice, o Brasil é um país onde imperam algumas unanimidades. O programa governamental Bolsa Família é uma unanimidade nacional. Não há um líder político, um acadêmico reconhecido, uma voz que fale ao povão que, de fato, questione o programa. A exceção de praxe cabe a alguns jornalistas.
Todas os atores que se apresentam no cenário político, quando passam pelo Bolsa Família, estacionam no lugar comum. Irão mantê-lo, aprimorá-lo e ampliá-lo. Ninguém é capaz de dizer até onde ou mesmo, até quando. Parece que o objetivo é fazer com que totalidade da população seja beneficiária direta do papai governo. Somos uma nação de esfomeados que jamais serão capazes de se auto-sustentar.
A superficialidade do debate, ou melhor, a inexistência do debate faz com que a conclusão óbvia para um liberal fique encoberta, fora do alcance até mesmo das ditas mentes mais brilhantes não precisamente marxistas: o sucesso de um programa social não se mede pelo número de pessoas que entram nele, mas pelo número de pessoas que dele saem! Ronald Reagan teria dito algo assim.
O próprio leitor que chegou até aqui já pode estar com raiva deste autor reacionário e insensível, sem nem se dar conta de que em nenhum momento foi abordado o mérito do programa. Também o leitor é vítima de um ambiente que toca um samba de uma nota só. Isso o envolve de tal maneira que o induz a reagir de forma automática contra qualquer apontamento que se faça a respeito das unanimidades nacionais. Não há raciocínio, há apenas reflexo.
Tal ambiente é consequência de décadas de ausência de uma corrente liberal influente. O que havia no final do Império, definhou.
A ascensão do varguismo após a revolução de 30 contribuiu com algumas pás de terra sobre o que restava de liberalismo no país. O populismo de Getúlio, o uso do trabalhismo e o caráter antidemocrático do Estado Novo, encurralou os liberais no ringue do debate público brasileiro. O estado era Getúlio, Getúlio era o pai dos pobres. Os poucos liberais que restavam abrigaram na então recém-criada UDN.
Getúlio caiu, permaneceram o estado, os pobres, o populismo e toda a instabilidade política de nosso regime republicano.
A tomada do poder pelos militares em 1964 jogou a última pá de terra sobre o que restava de liberalismo no Brasil. Os militares baniram todos os partidos e forjaram um novo cenário político. Os liberais que influenciavam uma parte da UDN perderam o espaço que haviam alcançado.
O lance definitivo aconteceu no ambiente acadêmico. A esquerda se aprimorou e paralelamente à luta armada, passou a trabalhar a chamada revolução cultural, baseada nos escritos de Antônio Gramsci. Aos poucos, ocupou os espaços nas universidades, dominou a produção acadêmica e formou líderes e intelectuais de cultura marxista com nível de preparo para ocupar postos chave em diversos setores da sociedade, seja na economia, nas artes, na imprensa e na própria universidade.
O predomínio marxista na universidade baniu os autores liberais da discussão acadêmica. Isso impediu a formação de novos intelectuais liberais e consequentemente, novas referências políticas e culturais.
O resultado do predomínio esquerdista pode ser visto já durante o próprio regime militar, que especialmente em sua fase final, foi marcado por uma brutal intervenção estatal na economia, algo que frontalmente contrário aos princípios liberais. Não havia liberais como referência, com exceção de um Roberto Campos que amadurecia como liberal.
Campos amadureceu e morreu. Era o único, não multiplicou seguidores, tampouco deixou sucessor. Hoje, no debate público brasileiro não há liberais. Logo, não há debate. Intelectualmente, somos uma democracia maneta. Temos somente a mão esquerda e vivemos a babar na gravata. Daí para o leitor, tolido de um debate sério, se deparar com um questionamento sobre uma bondade estatal e se assustar é consequência inevitável.
Quem acompanha os ambientes virtuais nota que há um jovem movimento liberal que emerge. Alguns think tanks foram criados e tornaram acessíveis obras escassas e outras antes nem editadas no Brasil. Apesar de alguns esforços, isso ainda está longe de caracterizar um movimento político, mas avança no campo intelectual, o que não chega a ser um problema, pelo contrário, é o caminho correto para que um movimento político surja com solidez.
É possível que em breve o leitor que hoje se assusta, esteja familiarizado com posições que tradicionalmente não está acostumado a ouvir. Ambiente efervescente de ideias diferentes deve abranger da granfina ao contínuo.
A democracia é feita de tensões e não é possível o seu desenvolvimento ocorra sem o choque de ideias.
Por isso que é necessário que surjam intelectuais e atores políticos com formação diversa e com coragem para sustentar posições com mais compromisso intelectual do que populismo, o que não implica necessariamente em inocência. É o que faz o eixo referencial do país se deslocar para o rumo certo.
Questionar uma unanimidade nacional, como o Bolsa Família, pode não ter nada de reacionarismo ou insensibilidade. Pode ter fundamentação racional e correta ou no mínimo, intelectualmente honesta./ É o que se espera em um novo cenário, pois, no cenário atual, os atores que se apresentam não possuem formação ou coragem para desmitificar nenhuma unanimidade nacional em público. Aliás, nem em público, nem em lugar algum. Nem mesmo em um terreno baldio, na presença apenas de uma cabra vadia. (Paulo Martins) 
Nenhuma tendência é tão forte na natureza humana quanto o desejo de estabelecer regras de conduta para as outras pessoas. (William Howard Taft)

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