8 de jan de 2016

Percebam desmanche dos ajuizados...

• Ontem assisti uma aula na tv de como se enganar e precisar do português na Pátria Educadora. (AA) 
•  Inflação medida pelo IGP-DI fecha 2015 em 10,7%. O índice é superior aos 3,78% registrados em 2014, segundo a Fundação Getulio Vargas. A maior alta de preços foi observada no atacado, analisado pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que encerrou 2015 com uma taxa de 11,31%. 
• Descontada a inflação, poupança tem pior rendimento desde 2002. Poder aquisitivo da caderneta caiu 2,28% em 2015, mostra Economatica. 
• Inflação ficou em 10,67%, acima do rendimento de 8,15% da aplicação. 
• Alguma coisa não fecha. Quem, em sã consciência daria mais dinheiro à presidente? - Aprovar a CPMF é questão de saúde pública, diz Dilma. Presidenta também comentou que o país precisará de reformas, como a administrativa e a da Previdência. O Brasil vai ter que encarar a reforma da Previdência
• Advogado pede à PGR afastamento de Renan. Criminalista que propôs impeachment de Temer cobra de Janot que afaste o peemedebista da presidência do Senado enquanto ele for alvo de investigações da Lava Jato. Pau que dá em Chico dá em Francisco, defende no pedido. 
• BC fecha corretora de câmbio investigada na Lava Jato. A TOV Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários é uma das principais corretoras citadas pelos doleiros como canal para operações de dólar como pagamento de importações fantasmas. 
• Dilma quer (mais não vai ter) aumentar idade para aposentadoria dos trabalhadores. A presidente disse que a alteração, criticada pelo PT e pelos movimentos sociais, pode ser feita por meio da fixação de uma idade mínima ou de um instrumento que misture idade com tempo de contribuição, como ocorreu com a fórmula 85/95 móvel. 
• Delegados fazem abaixo-assinado contra cortes da PF. Delegados federais aprovam novo manifesto contra o corte de R$ 133 milhões no orçamento da PF para este ano. Associação acusa governo de fazer acordo com relator para reduzir previsão orçamentária. 
• Mensagens ligam Wagner a condenado na Lava Jato. De acordo com o Estadão, diálogos em poder da PGR indicam que ministro da Casa Civil ajudou executivo da OAS a negociar liberação de verba quando era governador da Bahia. Jaques Wagner critica vazamento de informações inconsistentes da Lava Jato. De acordo com o Estadão, diálogos indicam que ministro da Casa Civil ajudou executivo da OAS a negociar liberação de verba quando era governador da Bahia. Estou absolutamente tranquilo, diz petista. 
• Juízes e procuradores ameaçam ir ao STF contra restrições ao auxílio-moradia. Magistrados e integrantes do Ministério Público discutem recorrer ao Supremo contra restrição imposta ao benefício pela LDO, sancionada na virada do ano pela presidente Dilma. 
• Cubanos abandonam o programa Mais Médicos no interior de SP. Prefeitura afirmou que foi surpreendida, mas providenciou o remanejamento. Profissionais estavam no Brasil desde 2014; governo vai iniciar desligamento. 
• Sem contrato, Planalto perde agentes de segurança: Com o fim do contrato que mantinha com uma empresa de vigilância, o Palácio do Planalto deixa de contar com 60 agentes e quatro supervisores que atuavam na área. Funcionários do Planalto esperam que os agentes da Casa Militar da Presidência da República que foram destacados deem conta do recado. No ano passado, um carro chegou a ser levado do estacionamento de visitantes da vice-presidência da República, e descobriu-se que as câmeras de vigilância que lá existiam só serviam de enfeite. Não gravavam nada.
• Parlamentares querem legislar sobre teto de servidores públicos. Proposta de emenda constitucional que aguarda inclusão na pauta do Plenário do Senado garante ao Legislativo poder para fixar regras sobre aplicação do limite remuneratório do funcionalismo. 

Coelhos não passeiam ao luar.
• Jacques Wagner, chefe da Casa Civil, avisa que a população não deve esperar grandes notícias, em matéria de reformas econômicas. Não tem coelho na cartola, ele comenta, acrescentando que não haverá pacotes. As mudanças serão paulatinas, passo a passo na recuperação da confiança do empresariado e na criação de empregos.
O diabo é que o Lula exige mais. Quer a presidente Dilma anunciando medidas de impacto para o governo sair da crise, sugerindo a adoção de propostas como as constantes nos documentos do PMDB e do PT, voltadas para a retomada do crescimento econômico.
Fica difícil conciliar as duas paralelas, que parecem fluir em sentido oposto. Nem no infinito se encontrarão. Entre elas transita a presidente Dilma, ignorando-se para onde vai. Se depender do ex-presidente, para medidas imediatas de recuperação do otimismo e de sólida maioria parlamentar, de forma a dissolver a sombra do impeachment. Conforme o ex-governador da Bahia, lentamente, sem criar falsas expectativas nem realizar milagres.
O singular nesse confronto é que tanto o Lula quanto Wagner posicionam-se no quadro sucessório. O primeiro ocupando a pole-position na raia do PT, mesmo desgastado e às voltas com a queda de popularidade e especulações sobre o envolvimento de familiares, amigos e correligionários sob investigação da Polícia Federal e do Ministério Público. O outro como alternativa para o caso de afastamento do chefe.
Vale repetir que nem tudo depende do trio Lula-Dilma-Wagner e penduricalhos. A sorte da política econômica repousa em mãos do empresariado e dos trabalhadores, por enquanto situados em campos opostos, cada grupo defendendo seus interesses e opondo-se aos do adversário.
Faz tempo que a divisão envolve o PT, os demais partidos, as centrais sindicais, a Fiesp e variadas corporações. A receita do Lula continua a mesma, ou seja, que Dilma deve viajar mais pelo país, dar mais entrevistas, retomar o protagonismo da agenda política, anunciar mudanças na estratégia econômica e recompor sua base de apoio no Congresso. Também precisa evitar divisões no PT. O problema é que essas sugestões vem sendo dadas há meses, mas com pouca aceitação. O tal Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, composto pela empresariado e por lideranças sindicais, criado no governo dele, não se reúne há um ano, quando deveria estar sendo cooptado como forma de sensibilizar a opinião pública.
Em suma, nada de novo debaixo do sol, apesar de a noite parecer próxima, período em que será mais difícil encontrar coelhos passeando ao luar. (Carlos Chagas) 

Segredos e inconfidências.
Para não dar a algum eventual leitor malévolo desta crônica o pretexto para acusar-me de machista, deixo claro desde já que o conhecido episódio histórico de delação, associado ao que conhecemos como Inconfidência Mineira, não foi praticado por uma mulher, e sim pelo delator Joaquim Silvério dos Reis. Se Tiradentes não foi o que dizem, e os outros inconfidentes não foram o que disseram, não é assunto das minhas atuais cogitações, restritas à probabilidade de alguém guardar ou revelar um segredo. Adianto também que não me lembro de nenhuma ocasião em que eu mesmo tenha sido vítima de uma inconfidência feminina.
Erguido bem no início este escudo defensivo, passo a considerar a voz corrente, quase um dogma da crença popular - as mulheres não sabem guardar segredos. Essa tal de voz corrente pode também dar margem a explorações anti-Jacinto, pois nenhum tribunal a aceitaria como prova da defesa. Portanto, acho melhor acrescentar mais argamassa na minha muralha defensiva, compilando frases de escritores famosos sobre essa característica atribuída ao sexo feminino. Para não indispor as leitoras contra os respectivos autores, omito os seus nomes.
• A mulher é capaz de guardar um segredo, desde que não se diga a ela que é segredo. O único segredo que uma mulher pode guardar é aquele que não sabe.
• As mulheres têm necessidade de confiar seus segredos mais íntimos ao primeiro que se apresente. Para ajudar a conservar um segredo, a mulher recorre a todas as suas amigas. Quando pede a uma amiga para guardar um segredo, é porque precisa divulgá-lo.
• O único segredo que uma mulher guarda tenazmente é a sua idade. Nunca confie numa mulher que revela sua verdadeira idade; se ela faz isso, é capaz de qualquer coisa.
• Se você realmente quer guardar um segredo, não precisa de ajuda. Ninguém guarda melhor um segredo do que quem o ignora. Só guarda segredo quem não o sabe.
• Segredo entre mais de dois é comício. Três pessoas podem manter um segredo, se duas delas estiverem mortas.
• Quando o vinho entra, o segredo sai.
Esses autores generalizaram muito, e alguns até o fizeram de modo pitoresco, mas nem de longe é possível aceitar esses conceitos como sendo aplicáveis a todas as mulheres. Tanto assim é, que cada um de nós tem uma mãe a ser excluída, eu tenho a obrigação de excluir minhas distintas leitoras, além de muitas outras exceções previsíveis. Veja também que alguns desses escritores não limitam sua verrina às mulheres. Mas o fato concreto é que a desconfiança pesa genericamente sobre muitas mulheres quanto à sua inconfidência, ou incapacidade de guardar segredos.
Se você já leu romances policiais e relatos de espionagem, ou os viu transformados em filmes, deve ter notado as inúmeras encrencas provocadas pelos chamados segredos de alcova, transmitidos ao inimigo através de concubinas. Seria injusto generalizar com base nesses escritos novelescos, mas eles teriam pouca receptividade no público se fossem baseados em fatos improváveis. Tratando-se de concubinos, a própria situação dos dois já é motivo para desconfianças mútuas.
Mas há um grupo confiável de pessoas, historicamente imunes a inconfidências e desconfianças. Inúmeros relatos fidedignos descrevem o heroísmo de membros desse grupo, que guardaram segredos à custa da própria vida ou liberdade. Motivo suficiente para confiar que não será divulgada a autoacusação feita no confessionário, pois o sacerdote é obrigado ao segredo de confissão; e comete pecado mortal, sujeito a excomunhão, se o revelar conscientemente (veja mais sobre este assunto nos verbetes Excomunhão e Segredo de confissão, da Wikipedia).
Há muito tempo se fala em admitir mulheres ao sacerdócio. O assunto sempre volta de modo insistente, cada vez mais virulento, alegando até o inconcebível apoio de membros da hierarquia eclesiástica. Se não houvesse motivos muito mais graves para não admitir o sacerdócio feminino, eu lhe pergunto: Você ficaria tranquilo depois de confessar seus pecados a uma sacerdota, vigária, pároca, bispa?
Caso a Igreja resolva introduzir essa aberração, apesar dos seus vinte séculos de experiência, correrá o risco de suas sacerdotas se instalarem em confessionários sem filas, sem interessados em confessar-se. Afinal de contas, não é sem motivo que surgiu a tal voz corrente. Ninguém correrá o risco das prováveis inconfidências, além de o confessionário transformar-se numa central de divulgação de fofocas.
Sem maiores dificuldades, apontei algumas exceções para as inconfidências femininas, e poderia acrescentar ainda muitas outras, se meu espaço limitado o permitisse. Mas não conte comigo para aprovar ou frequentar confessionários cujos ocupantes sejam mulheres. Por favor, inclua-me fora dessa. (Jacinto Flecha)

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