7 de jan de 2016

Opiniões parar ler...

O Capitalismo descendo a ladeira...
Salta aos olhos de todos nós, a substancial transformação que vem se operando no capitalismo de hoje. A visão de curto prazo dos empreendedores modernos e sua nítida opção pelo lucro imediato, vem subvertendo e destruindo a própria essência do capitalismo. 
O artigo abaixo nos mostra com clareza essa nova realidade, inclusive citando o recém exemplo da Samarco... 
Nos tempos de antanho, quando estava despontando a Samarco, a Vila de Germano, a implantação da Unidade de Ponta de Ubu (Anchieta), o Mineroduto Germano/Ubu, etc., fiz vários trabalhos de Diagnóstico Estratégico e de Desenvolvimento da Equipe de Gestores da Samarco, sob a liderança empreendedora e visionária do extraordinário Riuiti Kanadani. Dava gosto ver se estruturando e se moldando uma das melhores Mineradoras do País que, inclusive, frequentou por muitos anos, a Lista das “Melhores e Maiores” da Revista Exame!...
Como acontecia em tantas Empresas, estavam ali “Empreendedores Industriais”, voltados para a essência do “capitalismo produtivo” de investimentos e de transformação de bens... O lucro era uma consequência, não um fim! 
Hoje, essas mesmas Corporações entronizaram o “capitalismo financeiro” como sua Missão e seu objetivo maior: são “gestores rentistas”, calculistas, que só veem à sua frente planilhas, índices, gráficos, taxas de retorno, com metas de lucro diárias, semanais, mensais, tudo à curto prazo. E como aconteceu na Samarco, deixaram de olhar para o produto, o minério, as máquinas, a terra, a lama, a barragem...
Estranhamente, as modernas corporações “financeiras” não são mais conduzidas por Gestores, por profissionais e por técnicos! São geridas por “fundos”, neurotizados pela remuneração do acionista!
Esse “capitalismo financeiro” está destruindo as grandes Empresas. E colocando-as na faixa de um grande risco, como aconteceu com a Samarco que, de olho no lucro do amanhã, “economizou uns milhões” na blindagem de sua barragem, não a protegendo com materiais e tecnologias modernas e, de repente, se viu soterrada pela “lama dos “bilhões”, perdendo toda a sua reserva econômica que será engolida pelas indenizações, multas, obras de reparo, edificações de vilas, saneamento ambiental, etc...
No capitalismo moderno, o “meio” está se transformando em um “fim” em si mesmo!... (Márcio Dayrell Batitucci) 
 photo barragem1.jpg Samarco, a agonia do capitalismo financeiro.
O caso das barragens da Samarco nos leva a reflexões colaterais sobre o capitalismo financeiro e seus personagens. A Samarco hoje é controlada pela maior companhia de mineração do mundo, a BHP, fusão da Broken Hill Proprietary, fundada na Austrália em 1851, e a Billiton, originada na Indonésia holandesa na mesma época, depois integrante do Grupo Royal Dutch Shell, e a nossa Vale, cuja origem é a americana Itabira Iron, de Percival Farquar, maior empresário do Brasil nas primeiras décadas do Século XX, empresa nacionalizada pelo Presidente Artur Bernardes e que virou Cia. Vale do Rio Doce na década de 40.
Como empresas tão experientes lograram correr um nível de risco patrimonial tão alto a ponto de incorrer em indenizações que provavelmente vão zerar o valor financeiro da Samarco? Esta faturou R$ 7,2 bilhões em 2014, ganhou líquidos 2,8 bilhões e investiu apenas 78 milhões em segurança ambiental. Com um pouco mais reforçaria as barragens, que são de terra, as mais baratas que existem, instalaria sensores para monitorar o risco da pressão do volume sobre a parede e, com mitigação maior de risco, transformaria a parte de terra despejada na represa em pellets, que poderiam ser armazenados fora da represa e diminuiriam consideravelmente o volume dentro da barragem. Assim, ficaria com muito menor ocupação resultante apenas em água impura, mas em muito menor volume do que o conjunto lama+detritos+água. Essa solução mais definitiva custaria um pouco mais, mas seria um seguro infinitamente mais barato do que o custo econômico que agora cairá sobre a empresa que será devorada pelas indenizações.
Como os executivos não assumiram esse caminho? Por causa do modelo de capitalismo financeiro que vem assumindo a direção das grandes empresas da economia produtiva. Foram-se os executivos "de indústria", "do ramo". Hoje, assumiu uma geração de jovens calculistas que trabalham exclusivamente com planilhas, índices, taxas de retorno. Não tem ligação com o produto físico, com as máquinas, com a terra, com o minério, com a barragem. O mundo deles e de seus chefes e acionistas é exclusivamente financeiro.
O lucro pode ser fantástico, mais de um terço do faturamento, mas nem por isso a pressão para obter mais é da essência dessa cultura financeira. Fora das planilhas e dos "budgets", dos "targets", não tem mais nada no radar, nem o futuro da empresa, é só o próximo trimestre, base dos bônus. No semestre posterior pode ter caído o CEO mundial do grupo e o CEO da Samarco, então a única meta que conta é o lucro do trimestre.
Conheci profundamente o sistema. De 1974 a 1978, fui o principal executivo de uma subsidiaria de multinacional americana no Brasil, havia uma obsessão com a meta trimestral, nada mais importava. No fim de cada trimestre, todos os executivos-chefes de cada divisão viajavam para a matriz em St. Louis, eram 130 divisões no mundo e lá mesmo no bunker do subsolo do prédio havia, durante toda a semana, em um auditório, uma revisão do budget de cada divisão. Se o executivo não tivesse atingido a meta era execrado em público e alguns despedidos lá mesmo. Depois, partia-se para fixação da nova meta para o trimestre seguinte, a pressão era intensa visando aumentar o lucro prometido, máxima pressão, até que o executivo acabasse por aceitar, mesmo sabendo que era impossível atingir, pelo menos ele teria o emprego por mais um trimestre.
Era um sistema diabólico para espremer cada divisão como um limão. Isso há 40 anos. Hoje, está muito pior, o único critério de sucesso é aumentar a taxa de retorno para o acionista com o mínimo de investimento, o mínimo de empregados e o maior aproveitamento dos ativos. Os que atingiam e ultrapassavam um pouco viravam heróis e eram homenageados com convite para jantar com o CEO, ganhavam sorrisos e cumprimentos, às vezes até promoção no ato.
Esse "capitalismo do trimestre" leva a mega distorções. É possível aumentar o lucro no curto prazo economizando em itens que causarão danos só no longo prazo, como não fazer a manutenção periódica dos equipamentos, trocar mão de obra cara por mais barata, rebaixar a qualidade do produto, continua vendendo, mas vai queimando a marca. Economizar na segurança ambiental é uma típica manobra para aumentar o lucro no curto prazo, a custo do longo prazo...
Esse é o típico capitalismo AMBEV: padronizar todas as cervejas, só muda o rótulo, o gosto é o mesmo. Isso faz cair o custo por causa dos mega volumes de uma fabricação uniforme, abrindo espaço para centenas de fábricas de cervejas artesanais, porque o consumidor não quer o mesmo paladar padronizado. Isso é o capitalismo financeiro, os controladores da AMBEV são todos financistas e não industriais, heróis do capitalismo de corte de custos até o osso.
Hoje, firmas como a BHP e a Vale são controladas por fundos e não por pessoas. Os fundos querem taxas de retorno, é preciso pressionar os executivos. Estes, encostados na parede, cortam custos essenciais para fazer subir a taxa de retorno. Esse capitalismo deixa destroços pelo caminho, no limite vão acabar com o emprego e a sustentabilidade do planeta. O caso Samarco pode ser um dos maiores símbolos desse sistema que gera sua própria autodestruição. (André Araújo, Fonte: Desenvolvimentistas)

O fim da “bolsa empresário” e o modelo petista de fazer política.
O governo encerrou o Programa de Sustentação dos Investimentos (PSI), uma linha de crédito concedida por meio do BNDES para diversos empresários com juros subsidiados, a título de investimento para aumento da produtividade nacional, na expectativa de que houvesse, com isso, crescimento do emprego, da renda e da tributação.
A conta final ainda não foi fechada, em virtude dos cálculos a serem feitos acerca dos investimentos realizados em 2015, mas estima-se em mais de R$ 400 bilhões a quantia canalizada pelo governo para esse fim, com um prejuízo total de mais de R$ 250 bilhões. Por causa desse caos, o PSI ficou conhecido como “bolsa empresário”, em jocosa alusão ao programa Bolsa Família, destinado a assistir famílias de baixa renda.
O método político de manutenção do poder através do favorecimento pessoal de grupos de interesse organizados com dinheiro (grandes empresários) e votos (camadas pobres da sociedade) não é uma novidade, tendo sido aperfeiçoado por Mussolini na Itália e experimentado pela primeira vez no Brasil com Getúlio Vargas, conhecido como “pai dos pobres”, mas também “mãe dos ricos”, já que, enquanto criava direitos trabalhistas e sindicatos, abria linhas de crédito e incentivava o protecionismo para aqueles que sustentavam economicamente seu regime.
Talvez a grande novidade desse velho método político seja a magnitude do modo como foi executado. Está se apresentando aqui um esquema que gerou um prejuízo que supera os PIBs anuais de mais da metade dos países do mundo, individualmente considerados, e que será liquidado e incorporado como prejuízo na conta de cada brasileiro, tenha ele se beneficiado desse sistema ou não. Todos pagarão a conta final de um sistema de financiamento que, já no seu processo inicial, gerava prejuízo para toda a nação.
A ideia era relativamente simples: o governo obrigava o BNDES a emprestar dinheiro para empresários a juros que variavam de 6,5% a 11% ao ano, enquanto, para custear esse programa, captava recursos no mercado financeiro através de títulos da dívida pública que raramente eram vendidos abaixo da taxa de 12% ao ano. Como a captação do dinheiro era mais cara que o seu empréstimo, a conta desse prejuízo ficava, como sempre, para o pobre pagador de impostos.
Não por coincidência, apenas 1% dos empresários beneficiados - todos grandes conglomerados que teriam totais condições de serem financiados por credores privados - recebeu o equivalente a 56% dos empréstimos baratos concedidos. Certamente também não é coincidência que grande parte desses empresários investiu grandes quantias de recursos em campanhas de candidatos ligados ao governo federal nos últimos anos.
O Brasil precisa, urgentemente, rever sua visão do que é de fato o capitalismo, superando essa mentalidade corporocrata em que governo e grandes empresários concentram renda em troca de produtos e serviços caros e de baixa qualidade, substituindo-a por uma visão de uma economia pujante, com competição, baixa tributação e burocracia enxuta. É essa a real fórmula para o desenvolvimento nacional com geração de emprego e renda desconcentrada, e seus resultados estão unanimemente aprovados pelos países que se encontram na vanguarda econômica mundial. (Bernardo Santoro é diretor-presidente do Instituto Liberal)
Os princípios mais importantes podem e devem ser inflexíveis. (Abrahan Lincoln)

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