29 de jan de 2016

Milagreiros no afundar Brasil...

• Dólar opera em alta, cotado a R$ 4,08. No ano, o dólar já acumula alta de 3,34%. 
• Odebrecht fez reforma de sítio usado por Lula, diz fornecedora. Em entrevista à Folha, ex-dona de loja de materiais de construção afirma que empreiteira gastou ao menos R$ 500 mil no imóvel em Atibaia (SP). Empresa nega ter qualquer relação com obra na propriedade.
• Rombo nas contas públicas soma R$ 111 bilhões em 2015, maior da história. Recessão na economia e pagamento de pedaladas afetou resultado. Após pagar juros, déficit somou R$ 613 bilhões, mais de 10% do PIB. Rombo do Tesouro mede o fosso entre os fins das políticas públicas e os meios para viabilizá-los. 
• Rio-2016 fica R$ 400 milhões mais cara, e custo passa dos R$ 39 bilhões. 
• Teimosia: Dilma defende CPMF e flexibiliza uso do FGTS para dinamizar economia. 
• Brasil está diante de epidemia que chama a atenção do mundo, diz ministro. Para o ministro da Saúde, Marcelo Castro, acabar com os criadouros é uma tarefa difícil, mas não impossível. 
• 9 maneiras de se proteger contra o zika vírus.Leia
• Prazo para micro e pequena empresa aderir ao Supersimples termina hoje. 
• Delator volta a ligar Dirceu a esquema de corrupção. Fernando Moura afirmou que mentiu em depoimento por se sentir ameaçado. 
• Estudantes têm até esta sexta-feira às 23h59 para se inscrever no Fies. Renda familiar de até 2,5 salários mínimos per capta é exigida. 
• Para analistas, pacote de crédito do governo é inócuo. Economistas afirmam que demanda atual por financiamentos é baixa. 
• Recessão exige novo arranjo político, diz ex-diretor do BC. Para Luiz Figueiredo, economia só melhora com avanço da situação fiscal. 
• Lava Jato deixou de gravar pelo menos três depoimentos. Alberto Youssef e seus auxiliares falaram sem registro em áudio ou vídeo. 

• Bolsas chinesas têm 20% de queda no mês. Índice das maiores companhias de Xangai e Shenzen subiu 3,2%. 
• Zika avança de forma explosiva nas Américas, alerta OMS. Entidade afirma que vírus pode atingir 1,5 mi no país e 4 mi no continente. 
• Argentina pode poupar R$ 10 bi sem subsídios de energia. Medida do presidente Macri pode fazer conta de luz subir até 350% na capital. 
• Donald Trump boicota debate nos EUA e é ironizado por adversários. 
• Coreia do Norte dá sinais de preparar lançamento de satélite ou míssil.
• Petróleo em baixa faz Venezuela vender ouro para pagar dívida. 
• Brasil e Bolívia negociam ampliar por 20 anos contrato de venda de gás.

2016: Coloque seus pés no chão!...
Em meio à inconsistência e à superficialidade da grande maioria dos textos que vemos circular na imprensa de nosso País, às vezes, nos surpreendemos pela propriedade e pela adequação factual de alguns poucos jornalistas que temos por aí!...
O texto abaixo, da lavra de Fernando Gabeira, é uma dessas exceções!/ Tomando por exemplo o caso daquele solitário japonês que ficou a lutar por seu País, 30 após a guerra ter sido extinta, Gabeira nos descreve, com precisão e acerto, as inúteis batalhas que ainda são travadas em nosso meio, em uma pretensa “guerra” que já não existe mais e que, a cada dia, vem perdendo o seu sentido, em vista das novas frentes, das novas conquistas e dos novos caminhos que têm sido desbravados pelo mundo afora. E que deveriam estar igualmente sob a mira de nosso País! 
...O Petróleo... O petróleo é nosso... A Petrobrás de excelência, como mola mestra do desenvolvimento e das riquezas do Brasil!...
Momentos de um saudoso passado que vai ficando para trás, com o gradativo abandono da energia fóssil, substituída com vantagens visíveis pela energia solar, pela energia eólica, pela energia da cana, da mandioca, da mamona e de outros congêneres...
Além disso, com o petróleo sobrando no mundo e sendo vendido na faixa dos 30 dólares, com a exploração inovadora do xisto americano, com a volta do Irã ao mercado, com a Petrobrás levantando o troféu da maior dívida corporativa existente no mundo, com a hecatombe de roubalheira instaurada pelo PT-sindical apóstata no petrolão, a melancólica farsa do pré-sal criada por Lulla e sua gangue para garantir sua permanência no Poder, não são mais que uma guerra extinta, coisa do século passado...
O texto do Gabeira deveria ser lido com atenção, especialmente por nossos colegas da Petrobras, que ainda não se deram conta do tamanho do buraco em que nossa Empresa foi jogada por essa gangue PTista-sindical apóstata. Como o sonhador japonês que guerreou em vão por 30 anos, esses nossos colegas, ainda ficam pegando em armas para garantir a soberania Petrobrás, a exclusividade da inviável exploração do pré-sal nos dias de hoje, por uma Empresa que não tem recursos nem para saldar seus compromissos junto a seus fornecedores! 
O petróleo não é, e nem precisa mais ser nosso!
Se querem ainda salvar o que restou da Petrobras, peguem em armas para eliminar dela os gestores PTistas-sindicalistas que a destroem, apoiem com todas as suas forças as investigações que estão sendo feitas para colocar à nu, os malfeitos cometidos dentro da Empresa e punir seus responsáveis, fechem fileiras combativas para analisar, entender e aperfeiçoar a reestruturação de Gestão que está sendo proposta pela Empresa, especialmente para que sejam rigorosamente observados os ...novos critérios para a indicação de gestores e executivos e sua responsabilização formal por desvios...! Enterrando definitivamente os critérios de excelência adotados nesses últimos 13 anos: ser PTista e ser sindicalista! 
A guerra pela Petrobras acabou! Essa batalha está perdida! Vamos tentar ganhar as batalhas que ainda estão por vir para, pelo menos, salvar o nosso País!... (Márcio Dayrell Batitucci)

A Guerra acabou.
Um soldado japonês, chamado Hiroo Onoda, lutou por 30 anos, depois que a II Guerra acabou. Ele foi mandado para as Filipinas com a missão de resistir e ficou por lá, sem saber do término do conflito. É quase impossível reproduzir, hoje, a saga de Hiroo Onoda. Mas se olhamos para o Brasil, num período de derrocada da Petrobras e dos próprios preços do petróleo, veremos que o país tem um pouco da persistência do soldado japonês.
Fomos educados a pensar que o petróleo é nossa grande riqueza, constantemente ameaçada pelos estrangeiros. Saímos às ruas, os mais velhos, para defender essa tese e gritávamos orgulhosamente: o petróleo é nosso. Com a descoberta do pré-sal, no governo do PT, reacendeu-se a chama: o petróleo é nossa redenção e dele brotam as fontes dos nossos recursos. No primeiro mandato de Lula, ele flertou com o álcool, planejou usinas de álcool em todo lugar, inclusive em parceria com os americanos. Mas o petróleo era muito forte. O pré-sal fez com que Lula jogasse todos os projetos de álcool para o espaço, lambuzasse as mãos com óleo negro e acariciasse as costas de Dilma, numa célebre foto em que parecia dizer: você é a herdeira e vai nos levar ao paraíso.
Alguns sabiam que não era bem assim. Conheciam a história da doença holandesa, como os países dependentes da produção do petróleo correm o risco de se atrasar. E viam também que recursos não bastam. Os royalties saíam pelo ralo em grandes festas municipais, obras caras e quase inúteis. Os patrióticos soldados do petróleo atacaram na regulação do pré-sal. É preciso não só defender o papel da Petrobras, como afirmar nossa vocação nacionalista: a empresa era obrigada a participar de todos os projetos na área do pré-sal.
A alternativa era dar à Petrobras a preferência. Onde quisesse, participaria; onde não quisesse, descartaria. A preferência era inclusive evitar as canoas furadas. Mas não soava tão nacionalista, tão apaixonada. O populismo de esquerda queria se apresentar como o grande defensor da Petrobras. Seus adversários do PSDB não tinham como contestá-lo, na verdade entraram na onda, com medo de perder votos. Enquanto o petróleo seguia seu destino de commodity, subindo e descendo no mercado, acossado pelos perigos do aquecimento global, nossos soldados continuavam a luta para protegê-lo da ambição estrangeira, imperialista, alienígena, enfim, o adjetivo dependia do estilo pessoal do orador.
O soldado japonês ficou 30 anos lutando numa guerra por disciplina e amor ao seu país. Quem o mandou para as Filipinas disse: fique lá até que determinemos sua volta. Os soldados brasileiros do petróleo amam o Brasil de uma forma diferente do japonês. Eles se identificam tanto com o país que, ao afirmarem que o petróleo é nosso, querem dizer que o petróleo é deles. Essa confusão entre soldado e pátria, partido e país, acabou inspirando a maior roubalheira da história do Brasil: o petrolão. O governo japonês garantiu um salário digno para o soldado Hiroo Onoda até o fim de sua vida. O brasileiro terá de garantir uma longa prisão para seus retardatários guerreiros. A última grande batalha aconteceu nas ruas do Rio, quando já se sabia do escândalo da Petrobras. Comandado por Lula, um pequeno pelotão desfilou pelas ruas defendendo a grande empresa dos seus inimigos internos e externos.
Assim como Lula, usavam macacões da cor laranja. Se fosse nos Estados Unidos, pareceriam candidatos à prisão, pois já estavam vestidos com a cor certa. O laranja é a cor do uniforme dos presidiários lá e inspirou o título de uma série sobre a cadeia: Orange is the new black. Mas se prendêssemos todos ali, poderíamos cometer injustiças. Nem todos saquearam a Petrobras. Alguns, talvez a minoria, simplesmente, não sabem que a guerra acabou e continuam acreditando que os americanos querem nosso petróleo e que o mundo inteiro se tenciona para nos explorar. Não sabem como os americanos avançaram na exploração do xisto, ignoram os investimentos alemães e chineses na energia solar, não dimensionam um conflito muito mais importante para o petróleo: o da Arábia Saudita e Irã, sunitas versus xiitas.
Assim como o japonês que não sabia do fim da guerra, nossos soldados talvez tenham ignorado um outro marco da história contemporânea: a queda do Muro de Berlim. Seguem de cabeça erguida rumo ao socialismo do século XXI, simplesmente como se o século anterior não tivesse existido. Em vez de fazer uma luta armada para implantar seu modelo, optaram por uma sinistra marcha pelas instituições, dominando-as progressivamente, até que sejam apenas um brinquedo na mão do partido e seu líder. Essa novidade também foi para o museu, com a crise na Venezuela, a derrota na Argentina. O Brasil não é um país muito rápido para apreender as mudanças, a ponto de prender os líderes saqueadores e mandar os iludidos soldados cuidarem de sua vida.
Pelo menos já compreendeu o ridículo de expor as mãos tintas pelo petróleo, de acreditar que nosso futuro depende apenas dele, de se divertir gastando royalties em incontáveis shows musicais nas cidades do interior. A guerra acabou. Hoje a ação da Petrobras vale menos que um coco na praia. E as reservas do pré-sal que nos trariam fortunas mirabolantes tornam-se economicamente inviáveis com o petróleo a US$ 30 o barril. O exército laranja e seu general com mãos sujas de óleo deveriam sair das trincheiras. Perderam. O pior é que fizeram o Brasil perder muito mais, com suas ilusões, erros e crimes. (Fernando Gabeira)

A vingança do Delfim.
Dilma Rousseff não gostou nem um pouco do recado que recebeu de Delfim Netto, através do Lula: Ela deveria assumir a presidência da República. O ex-ministro da Fazenda e do Planejamento, venenoso como sempre, definiu-se como parceiro intransigente das elites financeiras, pressionando o governo dito do PT para adotar reformas ao avesso, como a da Previdência Social, reduzindo pensões e aposentadorias, da flexibilização do mercado de trabalho, restringindo benefícios sociais estabelecidos há décadas em favor dos assalariados, da desindexação entre os salários e o aumento da inflação e, por último, da desvinculação das emendas ao orçamento das obrigações prometidas pelo Executivo.
A ironia está em que, nem diante dos generais-presidentes, de Costa e Silva a Médici e a Figueiredo, Delfim ousou tanto. Pensava como pensa hoje, ou seja, em favor dos interesses do empresariado mais retrógrado, mas não tinha coragem de enfrentar os pruridos nacionalizantes dos militares. Era obstado por eles, os verdadeiros donos do poder, sem condições para implementar todas as mudanças exigidas pelo mundo neoliberal, ainda que tentasse cumprir essas determinações. Agora, para Delfim, liberou geral, ainda que atrasado, do alto de seus 85 anos. Integrou-se sem temores na defesa do modelo que domina o planeta, aproveitando-se da débâcle dos governos do PT. Admite-se até que esteja se vingando dos companheiros que um dia bateram firme em suas diretrizes, antes de o Lula haver aderido ao neoliberalismo e de Madame mostrar-se sem rumo diante da pressão das elites.
As quatro imposições passadas a Dilma através do Lula, mais do que a demolição das poucas estruturas sociais conquistadas ao longo dos anos, de Getulio Vargas em diante, significam o fim de uma era de expectativas sobre a ilusão de que a Humanidade caminha para a frente. Faz tempo que anda de marcha-a-ré, mas por força da supremacia dos ricos e poderosos, desfaz-se o sonho de um mundo mais justo e equânime.
Obra e graça do PT
Por coincidência, no Brasil, isso acontece por obra e graça do governo do PT, da traição do Lula e da perplexidade da Dilma. Parece óbvio que ela vai ceder, que carece de forças para resistir ao ímpeto do egoísmo dos controladores da economia e das finanças. Por mais estranho que pareça, o golpe de graça no pescoço das massas acaba de ser vibrado pela lâmina do Delfim.
Vale repetir, há quem imagine a presidente Dilma resistindo, não se curvando à derradeira exigência das falsas reformas que só estenderão privilégios, benefícios e vantagens aos mesmos de sempre. Como falta, como sempre faltou a ela, discernimento para saber de que lado se posicionar, o provável é que não reassuma mesmo a presidência da República. Esta permanece ocupada pelo Delfim… (Carlos Chagas)

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