5 de jan de 2016

Esboçando um 2016 incerto...

• Orçamento de 2016 prevê R$ 1 bilhão para reajuste do Bolsa Família, diz MDS. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social, ainda não há definição de quanto nem quando será o reajuste. 
•  Caminhonete invade Ministério da Fazenda e polícia faz perícia no local. A empresa que faz a segurança no ministério acionou a Polícia Militar e deteve o homem, que foi levado para a Polícia Federal. A identidade do homem ainda não foi divulgada. 
• Emenda de Cunha beneficiou doador de Temer, diz jornal. Mesmo com uma dívida milionária com o governo federal, grupo que doou R$ 1 milhão ao vice-presidente foi o único beneficiário de brecha incluída na nova Lei dos Portos. (Estadão) 
• Educação perdeu 10% do orçamento em 2015. Mesmo com o lema Pátria Educadora, adotado pela presidente Dilma, ministério teve corte de R$ 10,5 bilhões no orçamento previsto para o ano passado. Dilma sanciona LDO 2016 com vetos a reajuste do Bolsa Família. Segundo Dilma, o Bolsa Família passa por aperfeiçoamentos e mudanças estruturais e, caso esse reajuste amplo não fosse vetado, prejudicaria famílias em situação de extrema pobreza que recebem o benefício de forma não-linear, em valores distintos. Aécio critica Dilma por vetar reajuste do Bolsa Família: Veto da presidente impede correção do benefício pela inflação oficial. Segundo a petista, proposta do Congresso não previa receita. Para o tucano, decisão sacrifica população que mais precisa do governo e não representa ato de responsabilidade fiscal. 
• PF vê rombo de R$ 5 bi em fundo de pensão dos Correios. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, relatório da PF lista negócios e responsabiliza 28 pessoas por gestão temerária, crimes contra o sistema financeiro e organização criminosa. Leia
• Saiba porque a sua conta de energia é tão alta. Veja
• Ministro petista Patrus Ananias, pede que PT faça exame de consciência e partido corre risco de sofrer grande derrota eleitoral em 2016 por causa de desgaste com escândalos políticos. Segundo ele, PT perdeu oportunidade de fazer mea-culpa ao não abrir mão do financiamento privado.

A polêmica em torno do artigo que Dilma Rousseff escreveu para a Folha de São Paulo.
A primeira treta de 2016 já está no ar. No centro está um artigo que Dilma escreveu para a Folha a propósito do Ano Novo.
A questão é: Dilma apanhou tanto da Folha, e é assim que ela responde?
Para mim, trata-se de um modelo mental obsoleto. Dilma enxerga a mídia ao velho modo - jornais e revistas impressos, rádios e televisão.
A internet, nesta ótica, é uma coisa exótica e para poucos.
Os que defendem o artigo na Folha usam também, essencialmente, o mesmo modelo mental obsoleto.
Eles dizem que é uma maneira de Dilma se comunicar com analfabetos políticos, ou reacionários, ou, como muitos definem, coxinhas.
Não é um bom argumento.
Quantas pessoas leem a Folha? Destas, quantos lerão Dilma? E quantos se deixarão convencer por qualquer coisa que venha dela? Faça um exercício: leia os comentários no site sobre o texto. Do ponto de vista da simbologia, além de tudo, a mensagem não poderia ser pior: fraqueza e pusilanimidade diante do inimigo.
Dilma não se ajuda com o artigo na Folha. Ajuda, com certeza, a Folha, em seu marketing cínico de pluralidade.
É por esta mesma lógica que os dois governos do PT veem enfiando bilhões de reais, ano após ano, em empresas jornalísticas dedicadas a destruí-los.
Não é fácil para ninguém se libertar de velhos modelos mentais.
No PT, um raro exemplo de libertação veio de Lula. Em 2015, Lula passou a tratar a mídia como ela o trata. Ou quase, uma vez que Lula não é inescrupuloso como os donos das corporações jornalísticas.
Mas ele disse um claro basta depois de apanhar calado durante tanto tempo.
Deixou de dar entrevistas, por exemplo, aos jornais. A internet permite a ele dizer o que quer do modo que quer. Em seu Instituto Lula ele coloca suas opiniões com frequência.
Elas acabam repercutindo na mídia tradicional, nas redes sociais e nos sites progressistas.
Lula encontrou seu jeito, na Era Digital, de se comunicar. Descobriu que não tem que se ajoelhar e pedir espaço para jornais e revistas que o abominam.
Lula deu também entrevistas coletivas não a jornalistas da Folha, Globo, Veja - mas a blogueiros.
É um bom hábito que ele deveria manter em 2016. 
Igualmente neste caso, a mídia tradicional acabou cobrindo, indiretamente, Lula.
Em sua reinvenção no trato da mídia, Lula deu outro grande passo. Deixou de ser passivo diante de calúnias e acusações sem fundamento. Passou a dar seu lado prontamente via instituto e, em muitos casos, acionou a Justiça.
Hoje, quem quiser acusar Lula das costumeiras barbaridades vai pensar duas vezes, ou três. Ainda que a Justiça seja de um modo geral favorável à mídia e desfavorável a Lula, ser processado dá trabalho e custa dinheiro.
Em situações normais, a relação entre figuras públicas e a imprensa segue outro caminho, mais cordial. Mas estamos brutalmente distantes de uma situação normal.
Lula se deu conta disso.
Dilma não. (Paulo Nogueira, Tribuna da Imprensa Online) 

Dilma: gestão temerária.
Quando a revista The Economist publicou, alguns anos atrás, uma capa elogiando a economia brasileira e mostrando o Cristo Redentor decolando, os petistas e governistas em geral se regozijaram. Comemoravam e diziam que até os gringos reconheciam o governo Lula.
Pois bem. Lula manteve as linhas econômicas do governo anterior de Fernando Henrique Cardoso e colheu os frutos de reformas feitas nas gestões anteriores. Ele ampliou a distribuição de renda, é verdade, mas é também inegável que as medidas econômicas de Lula que deram certo foram exatamente aquelas criticadas pela cartilha ideológica petista e esquerdista.
Só que Dilma veio e deu um jeito nisso. A gerentona mudou o rumo do navio, implementou sua ideologia na economia e, como já era de se esperar, fracassou. Abandonando as bases econômicas implementadas em grande parte pelo PFL, hoje Democratas, até porque o PSDB também não tem uma linha ideológica originária tão liberal assim, Dilma levou o Brasil para mares revoltos, mostrando que a marolinha era só o início.
Agora o Brasil tem a esquerda não apenas na doutrina do partido que controla o governo e nas práticas de aparelhamento do Estado e usurpação de dinheiro público em favor da causa. O país, com Dilma, passou a ter a esquerda também no manejo da economia. Como disse o líder do governo na Câmara, temos agora mais Estado e menos mercado, como se isso fosse bom.
Enquanto Dilma descumpre as promessas não apenas da campanha eleitoral, mas também as mais recentes, de corte de gastos e de cargos comissionados, e troca o Ministro da Fazenda por um que mais lhe apetece doutrinariamente, a The Economist faz um novo diagnóstico e mostra que o Brasil despencou. Será que dessa vez os petistas dirão que, a mesma revista que foi usada anteriormente como peça de marketing, está agora a serviço do capital estrangeiro, do imperialismo e outras bobagens retrógradas?
Quem sabe a esquerda queira evitar os temas que lhe são negativos e enganar a população mais humilde falando do aumento do salário mínimo, quando na verdade o reajuste apenas está cobrindo a inflação galopante que o governo plantou.
Ou talvez a esquerda não queira nem falar de economia e resolva tratar de temas morais, onde ela rouba pautas liberais, apresenta como suas, distorce e tira o foco do que o realmente importa, além de fabricar antagonismos sociais artificiais.
Ao mesmo tempo, dia após dia, o Brasil e os brasileiros vão despencando junto com a economia nacional e começam a buscar uma saída. Os crimes eleitorais e de responsabilidade justificam o impeachment, mas o governo chama o processo constitucional de golpe e manipula as instituições para evitá-lo.
2016 está chegando. Quem sabe as ruas e o povo brasileiro pressionem as autoridades e coloquem fim a esse cenário triste. Mandato eletivo não é carta branca para gestão temerária. (Bruno Kazuhiro) 

Consciência afrodescendente.
Esquerdistas fixados no passado tentam impingir ao Brasil uma luta de classes de cunho racial. Uma das manifestações disso é a insistência no neologismo afrodescendente, como se uma palavra nova pudesse criar uma realidade nova. Antes de a esquerda inventar artifícios racistas como esse, todos conviviam muito bem no nosso País, sem preocupação com a cor da pele ou a origem no continente negro. Tanto é assim que, numa música do meu tempo de criança, um famoso cantor negro ufanava-se de viver num país sem preconceito racial:
Sou preto sim, porém feliz
Porque tive a sorte de nascer neste País
Neste País onde não há preconceito
O homem que é direito
É senhor do seu nariz.
Lembro-me bem da música, pois refletia os sentimentos mútuos nas relações da minha família com as dos colonos, em sua maioria afrodescendentes (avant la lettre). Com eles, meus irmãos e eu passávamos momentos muito agradáveis em peladas e outros brinquedos infantis. Depois que ingressei na Faculdade de Medicina, prestei a uma dessas famílias um favor pelo qual me ficaram muito agradecidos. Conseguindo a internação do chefe da família em um hospital público, a recuperação da sua doença hepática foi completa. Ocorreu nessa ocasião um fato pitoresco, com o qual ele depois divertia os amigos. Como não se conhecia na nossa região a doença de Chagas nem o barbeiro (inseto que a transmite), quando o médico perguntou se havia barbeiro onde ele morava, respondeu ingenuamente:
- Tem, sim senhor. Conheço pelo menos dois...
Estou imaginando agora o que acharia esse saudoso amigo negro se alguém o chamasse de afrodescendente. Não entenderia. E se algum esquerdopata lhe desse a explicação, continuaria não entendendo. Talvez imaginasse que alguém o acusou de algum crime, e já estaria pensando numas boas chicotadas para o caluniador.
É insensato aplicar um qualificativo único a tantos graus de influência da origem africana, como existem entre nós. Não é a mesma coisa ser identificado como negro, crioulo, preto, moreno, mulato, cafuzo, caburé, pardo, trigueiro, caboclo. Por isso mesmo, ninguém se sente confortável sendo lançado numa panela única junto com uma multidão, cada um com a cor da pele diferente. Por outro lado, nunca vi um pretinho manifestar-se ofendido ao ser chamado de pretinho. Se um desconhecido precisasse dele para um recado, poderia chamar, sem receio de estar ofendendo:
- Ei, pretinho, vem cá.
A palavra afrodescendente é apresentada como destinada a não ofender o negro, moreno ou qualquer outro cuja cor da pele indique algum grau de participação da raça negra. Bem ao contrário disso, desagrada muito aos descendentes de negros alguém ressaltar essa qualidade que não precisa ser lembrada. Eles não se manifestam, mas se você quiser criar um inimigo de pele escura, comece a chamá-lo de afrodescendente. Se a ideia era combater o racismo, o resultado será o oposto, pois a palavra é ofensiva, e na prática funciona como demonstração de racismo. De moreninho a preto retinto, passando por morenos e mulatos de várias tonalidades, ninguém gosta de ser lembrado a toda hora de suas origens africanas, única utilidade desse neologismo pernóstico. Os próprios interessados em divulgar essa ideia sabem disso. Quer uma prova?
Os feriados são instituídos para homenagear alguém ou lembrar algum fato histórico: Independência, Proclamação da República, Paixão de Cristo, Imaculada Conceição, São Tiradentes, São carnaval, etc. Qual o homenageado com o feriado consciência negra, infeliz ideia de alguns esquerdistas? Para que serve isso? Parece até que estavam meio desligados quando usaram nela o adjetivo negra, já que esta palavra racista não deve ser usada. Terão esquecido isso, quando identificaram o feriado com a palavra proibida? Ou será politicamente correto chamar negro de negro, na denominação desse feriado? Se afrodescendente é uma palavra bem aceita, por que não usaram consciência afrodescendente?
Como eu estou sempre procurando espetar uma flecha merecida em algum esquerdista, pensei em promover num abaixo-assinado a mudança do nome para consciência afrodescendente. Mas o melhor mesmo seria extinguir esse feriado estapafúrdio nas cidades onde foi instituído. Pouquíssimas, felizmente. Neste feriado de origem inqualificável, use você também seus meios de comunicação para protestar contra essa excrescência comemorativa.
Se você é dos que embarcaram no uso desse injurioso afrodescendente, sugiro reconsiderar o assunto. Coloque-se na posição de quem tem a pele um tanto escura, e de repente começam a lembrá-lo disso. Você gostaria? (Jacinto Flecha) 
Cuide para que sua fala seja melhor que o seu silêncio.

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