21 de dez de 2015

Luz no fim do túnel... uma lanterna.

• Cunha busca apoio de líderes para contestar rito do impeachment definido pelo STF. Presidente da Câmara reúne nesta segunda-feira (21) os principais líderes das bancadas para definir reação ao rito definido pelo STF na semana passada. Governo tenta cartada para votar duas medidas provisórias no encerramento do ano legislativo. 
• Mercado aumenta previsão de queda do PIB de 2015 para 3,70%. Instituições financeiras projetam aumento da inflação para 10,7%. 
• Guia para recolhimento de encargos trabalhistas fica disponível no eSocial. A data limite para pagamento do Documento de Arrecadação eSocial será 7 de janeiro de 2016. 
• Empresários faturaram mais de R$ 147 milhões em esquema de desvio da máfia da Saúde no Rio. 
• Vem aí a reforma ministerial do impeachment. A presidente Dilma já começou a negociar com o aliado Renan Calheiros um novo ministério em que será marcante a influência do Senado. É a consequência da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que condiciona à aprovação dos senadores o afastamento da presidente por 180 dias, para posterior julgamento. Para se garantir no cargo, bastará a Dilma entregar todo o governo ao Senado. (DiáriodoPoder)  
• Governo publica MP que acelera acordo de leniência com empresas. Texto prevê benefícios a empresas que delatarem esquema de corrupção. 
• Na Câmara, 42% apoiam e 31% rejeitam impeachment de Dilma. Decisão caberá a 27% dos deputados que não se posicionaram, aponta Datafolha. 
PDSB não deve ter cargos em eventual governo Temer. Para tucano Aécio Neves, vice foi parceiro de um governo que arruinou o país
• Barbosa chega com promessa de reformas estruturais. Nomeação de Nelson Barbosa amarra de vez o PT ao governo. Antes da posse, Barbosa age para tentar acalmar mercado. O novo ministro da Fazenda agendou conversas com investidores. Barbosa deve garantir rigor no ajuste fiscal no discurso de posse. 
• Multidão no Ceará celebra perdão da Igreja Católica ao padre Cícero e pede sua canonização. 
• STF nega pedido de filho de Lula para acesso a Zelotes. Luís Claudio argumenta que o direito de defesa está prejudicado sem conhecimento total das investigações. 
• 80% das cidades do NE sob ameaça de zika tiveram alerta de Aedes.
• Temer quer definir sucessor de Cunha na Câmara. Cúpula do PMDB pretende ter controle sobre o processo de impeachment. 
• Nomes secundários operavam propina, dizem delatores. Empresário e publicitário estão entre os que recebiam e distribuíam dinheiro. 
• Analistas projetam rombo de R$ 100 bi no Orçamento. Governo projeta receitas de R$ 1,2 tri em 2016, mas mercado prevê R$ 1,1 tri. 
• Subsídios ao setor de energia custam R$ 20 bi e precisam ser revistos, diz Aneel. 
• Bumlai, amigo de Lula, confessa... Agora dá pra entender o porquê de Bumlai ter acesso livre ao gabinete de Lula quando este era o presidente. Somente 2 pessoas tinham essa prerrogativa: a esposa Dona Marisa e Bumlai. À hora que chegassem ela ou ele ao palácio, tinham acesso imediato ao gabinete. Aqui

• Del Nero doou dinheiro vivo para ex-namoradas. O presidente licenciado da CBF repassou R$ 1,3 milhão em espécie. 
• Fifa explica que crise na CBF levou à suspensão de verbas para o Brasil. Fifa afasta Blatter e Platini do futebol por oito anos. Blatter culpa EUA por escândalos da Fifa e nega envolvimento com presos.
• Partido Popular vence legislativas na Espanha. Voto pulverizado dificulta coalizão na Espanha. Espanhóis romperam com 32 anos de bipartidarismo, mas nenhuma legenda obteve controle do Parlamento. 
• Indústria cobra avanço em acordo comercial com a UE. Para o setor, paralisia na negociação prejudica inserção do Mercosul. 
• Ação militar contra jihadistas ligados ao Estado Islâmico mata 29 nas Filipinas. Entre os mortos está jihadista malaio especialista em fabricar explosivos. 
• Grande deslize de terras na China - Lama de parque industrial soterra prédios na China; equipes buscam desaparecidos. Deslizamento de detritos cobriu 'mais de 30 edifícios com até 10 m de lama e detritos; 91 pessoas estão desaparecidas. 
• Pequim poderá não atingir meta anual de melhoria da qualidade do ar. A capital chinesa amanhece, mais uma vez, sob nuvem cinzenta, a quarta onda de poluição desde novembro. 
• Paz na Colômbia não será assinada em março, diz negociador das Farc. Data havia sido anunciada pelas partes envolvidas em setembro.
• Governo vence eleições na Espanha, mas sem maioria. O PP precisará compor com outro partido para poder indicar novo premiê. 
• Briga pelo Legislativo de Caracas expõe oposição dividida. Partidos do MUD não chegam a acordo sobre comando do Parlamento. 
• Passagem do tufão Melor pelas Filipinas deixou 40 mortos. Cerca de 740 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas. 

O Brasil não tem presidente, não tem imprensa, nem oposição forte: o Brasil só tem a nós. 
Desperto hoje estarrecido e indignado. Não apenas com a decisão revoltante do Supremo Tribunal Federal. Não também com o apêndice preocupante da forte possibilidade de saída do Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, abrindo as portas para a posse de um eventual desenvolvimentista ensandecido que vá apimentar ainda mais a gastança irresponsável e a impressão de dinheiro. Não apenas com a Constituição sendo rasgada aos olhos de todos, com direito a transmissão da Globo News. Não. O que mais irrita é o dia amanhecer como se fosse uma manhã como qualquer outra.
Noutros tempos, tenho certeza de que seria diferente. Ao tempo, por exemplo, como bem lembrou o historiador Marco Antônio Villa, da chamada banda de música udenista, de nomes como Aliomar Baleeiro, Afonso Arinos, Carlos Lacerda e Olavo Bilac Pinto, que não davam sossego aos governos getulistas, do PSD e do PTB, Dilma e os ministros do STF não teriam sequer condições de dormir à noite com o incêndio que eles causariam. Hoje, mesmo nossos melhores nomes na oposição não são capazes de condensar os clamores populares e incensarem os instrumentos do Estado contra a sua própria perversão. Os melhores parlamentares e senadores de hoje não têm, ou o mesmo talento argumentativo, ou o mesmo dom de oratória, ou a mesma ousadia. Em especial o maior partido oposicionista, o PSDB, é pusilânime por sua própria natureza; as exceções, como Carlos Sampaio, não representam os caciques da legenda, e não podem, por si sós, mover montanhas. O ministro do STF, Gilmar Mendes, disse hoje que há um projeto de bolivarização da Corte e que ontem, infelizmente, tivemos mostras disso. Acusou os colegas de promover um artificialismo jurídico para julgar por casuísmo. O ex-presidente do STF, Carlos Ayres Britto, disse que a Corte errou. Apenas um tom muito mais tímido podemos esperar de nossos opositores políticos oficiais.
De nosso governo, que cometeu o crime, que se acumplicia de tudo o que há de mais populista, mais falsário, mais estelionatário e mais autoritário, nada mais digo. A presidente, em si, é um enfeite presunçoso e pedante que representa tão-somente uma face de um projeto de poder e de um esquema ideológico muito maiores do que ela - e para os quais, aliás, ao menos para alguns de seus setores, sua falta absoluta de carisma e sua ineptidão robusta já constituem mais um estorvo que um reforço. Que dizer de nossa imprensa? Tudo que temos visto em 2015 foi o sepultamento do nosso Jornalismo, de nos fazer corar. Manipulações de fotos e vídeos para engrandecer manifestações governistas, seleções patéticas de entrevistados esdrúxulos para caracterizar manifestações imensas de golpistas, a vergonhosa sessão de perguntas a Hélio Bicudo sobre Eduardo Cunha quando o assunto era o impeachment de Dilma, a martelada dos noticiários contra o presidente da Câmara quando havia várias citações e escândalos envolvendo o PT e a família de Lula. Tudo muito triste, mas não mais do que a covardia de dar nome aos bois. Os jornalistas, ontem e hoje, nada mais farão que discursos protocolares, oficialescos, artificiais, como se a sessão de ontem houvesse sido normal, como se nada de extraordinário houvesse ocorrido. Sua postura é e será, conhecendo-os como conhecemos, entendendo o que aconteceu durante o ano inteiro como entendemos, pior do que o absoluto silêncio. Será um desprezo profundo das proporções. Para que se faça justiça à sessão de 17 de dezembro, precisaremos esperar, talvez, pelos livros didáticos de historiadores de um futuro nebuloso.
Que tem o Brasil hoje? O Brasil só tem a nós. Cada um de nós. Os brasileiros decentes, que compartilham as mesmas angústias e dividem as mesmas dificuldades, que suam dia e noite para manter suas vidas e de suas famílias e, em consequência, sustentar a economia deste gigante combalido, gerar e fazer circularem as riquezas; os brasileiros que as vêem surrupiadas, então, pelo Estado paquidérmico e corrupto, que sequestra suas expectativas e desdenha de suas queixas. O Brasil só tem a nós, e o Brasil somos nós.
Nosso sincero desejo, nossos sinceros votos para 2016 e mais além, é que isso baste. Que mesmo diante dos percalços, dos problemas, dos imensos rochedos de desesperança que esse teatro de gângsters e duelistas ladinos nos proporciona, nossa força seja inquebrável, persevere, desafie o edifício da mentira e da avacalhação. Que tenhamos referências de virtude pública, ainda que provindas das vozes do passado, em que possamos nos inspirar para acreditar que podemos ser melhores do que isso. Que lotemos as ruas em março, ou quando quer que sejam convocadas as novas manifestações. Que mostremos a eles, que mantém essa tragicomédia efêmera, destinada a se apagar no lixo dos séculos, que a vitalidade do país está em nós, na nossa iniciativa, no nosso envolvimento, na nossa dedicação e na nossa honestidade.
Não temos mais do que isso. Temos a nós mesmos. Que isso seja tudo. Que isso seja o bastante. Que isso baste para que o Brasil vença a escuridão tempestuosa que atravessa e possa, ao fim de um túnel de sofrimento, enxergar a luz.
Nota: Aviso aos leitores que nos acompanham que este colunista entrará em um pequeno recesso de fim de ano nas próximas duas semanas, período em que a atividade neste espaço será errática, sem publicações diárias, como se tornou o costume. Continuaremos, porém, mesmo nesse período, atentos a todas as movimentações da nossa política que possam acontecer - afinal, a Lava Jato não tira férias e o dever chama -, para repercutir tudo que for possível nesse contato prazeroso com o público do Instituto Liberal. Quis encerrar esta semana e começar a me despedir do ano com esse texto, chamando-nos à ação e à reflexão acerca da gravidade do momento, mas, ao mesmo tempo, trazendo algum otimismo. Precisamos acreditar que podemos. Não vamos desistir. Boas festas a todos! (Lucas Berlanza) 



2015: O Natal do Golpe...
Foi realmente muito estranha a decisão do STF, sobre o ritmo do impeachment, envolvendo a sra. presidente DIImáh!... Atropelaram artigos da Constituição, inventaram argumentos infantis sobre Câmara Alta e Câmara Baixa, interferiram diretamente nos Regimentos das Casas Legislativas, enfim, parece que, de caso pensado, resolveram livrar a cara da irresponsável fiscal de plantão, perdendo-se a maior oportunidade que o País já teve, até agora, de tentar reescrever a sua história, longe do crime e da esbórnia...
O Ministro Gilmar Mendes, um dos três que tentaram decidir em cima da Lei e dos Regulamentos vigentes, chegou a classificar o atual STF de bolivariano e disse, com todas as letras, que estavam tomando uma decisão claramente casuística, sem atentar para os interesses maiores do País!
O artigo abaixo, do jornalista Guilherme Fiuza, mostra, até com um toque de humor, os desacertos desse momento vivido pelo STF...
Em plena festividade de Natal, o País foi objeto de um golpe, aplicado, não por um coronel ou um irresponsável qualquer mas, paradoxalmente, por quem deveria ser o guardião maior da Lei... (Márcio Dayrell Batitucci) 

O natal do golpe.
Os brasileiros progressistas e bondosos decidiram proteger Dilma Rousseff de um golpe. Com toda a bravura cívica necessária hoje para lutar pelo poder do Partido dos Trabalhadores, resolveram reeditar a cadeia da legalidade - o movimento em defesa de Jango contra os militares. Para essa nova versão, será preciso apenas dar uma checada na lotação da Papuda. Cada tempo com sua cadeia.
O paralelo com Jango é muito útil, porque ressuscita os arquétipos da direita malévola (milicos, polícia, yankees) contra os da esquerda heroica e solidária. Sem querer estragar o conto de fadas, o paralelo mais correto para Dilma seria com Collor - ainda assim injusto: o Esquema PC era um anexo do governo; o Esquema PT é o coração.
Mas dá-se um jeito em tudo: Dilma Rousseff, a representante legal (sic) do maior assalto da República, virou vítima de um golpe de Eduardo Cunha. O pedido de impeachment foi feito pelo respeitável doutor Hélio Bicudo, mas esse tipo de detalhe só serve para atrapalhar a narrativa progressista.
Outro fato que não interessa a ninguém é que o crime de responsabilidade apontado no pedido é só uma fração da história: a vítima levou 50 tiros de fuzil, e a pedalada fiscal foi o chute no traseiro. Mas foi o Cunha quem autorizou a investigação do criminoso. Golpe.
O que ameaça a democracia brasileira neste momento são as represálias de Eduardo Cunha contra o governo do PT, que não fez nada de mais: só regeu um esquema de assalto ao Estado para enriquecer o partido - e assim financiar eleições, aliados fiéis, votos no Congresso, imprensa de aluguel (que reproduzirá este artigo tomada de indignação progressista) e bons advogados para defender as trampolinagens dos guerreiros do povo brasileiro. Enfim, coisas que todo mundo faz.
O mensalão e o petrolão não levaram Dilma e Lula ao banco dos réus porque este é um país sério, que está ocupado bloqueando o WhatsApp.
Pois bem: enquanto a corrente da bondade lutava contra o golpe do Cunha, deu-se o golpe da Dilma. Numa manobra tipicamente republicana, que só um país capaz de bloquear o WhatsApp com uma canetada de São Bernardo do Campo sabe realizar, o Supremo Tribunal companheiro enfiou seu bisturi no Poder Legislativo (com todo o carinho) e operou o processo do impeachment.
Com a habitual coreografia de interpretações providenciais, decidiu até como se elege uma comissão de deputados para analisar o impedimento da companheira presidenta - seguindo o mais elevado preceito constitucional de melar o quadro que estava feio para ela.
O ministro Gilmar Mendes disse que esse STF é bolivariano. Maldade dele. Esse STF é valente. Repare só: três semanas antes, a Corte autorizou a prisão do líder do governo no Senado com brados em defesa da Justiça brasileira - depois que uma gravação mostrou ao país um senador dizendo que ia combinar com os juízes do Supremo uma ajudinha a um condenado.
Nunca se viu suas excelências tão austeras e obstinadas no cumprimento cego da lei. Agora, com o vilão Eduardo Cunha na parada - e sem o gravador do filho do Cerveró -, os supremos companheiros sabiam que, com qualquer decisão contrária ao lobo mau da Câmara, era correr para a galera. Aí foi aquele festival de piruetas jurídicas e togas esvoaçantes que tanto alegram os patrões. É ou não é valente esse STF?
Não vamos cansar o leitor convidando-o a comparar os prejuízos causados à sua vida pelo lobo mau e pela loba boa. Vamos só lembrar que o país acaba de perder o selo de bom pagador, o que vai derrubar ainda mais os investimentos e agravar a recessão (exclusividade companheira no continente, ao lado da Venezuela).
E que a maior empresa nacional foi depenada pelo partido governante, com um bando de heróis progressistas na cadeia (da ilegalidade), incluindo o tesoureiro desse partido (mais um). Que a fraude se estendeu à maquiagem das contas públicas, terminando de esculhambar as finanças nacionais - o que trouxe para o Natal (este e os próximos) a volta do desemprego e a maior inflação em 12 anos.
Com todo o respeito ao lobo mau, essas façanhas são obra da loba boa e de sua matilha (o ministro Barroso ensinou que não é quadrilha).
Se você quer apoiar Dilma para se sentir de esquerda, vá em frente. Só não vale levantar a bandeira e esconder o legado (lembre-se: Lula é o único que não sabia). Mas se o seu interesse é por solidariedade, opte pelas legítimas que não soltam as tiras: Zilda Arns, Ruth Cardoso, Betinho (sem o contrabando ideológico) e outros que ainda estão por aí, como José Júnior e AfroReggae (leia No fio da navalha, de Luis Erlanger, e entenda o que é arriscar a vida pela sua gente).
Se é para defender Dilma na mesa de bar, seja gentil e puxe cadeiras para Bumlai, Lula, Cerveró, Vaccari, Duque, Erenice, Delcídio, Pimentel, Dirceu e quantos mais couberem na confraternização.
Sem essa rede de amigos, você nem saberia quem é Dilma Rousseff. Ao final, pague a conta deles, como você tem feito nos últimos 13 anos - e faz questão de continuar fazendo nos próximos três. (Guilherme Fiuza)

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