1 de dez de 2015

De olho na CPI do Cunha.

• Polícia de Pezão e Beltrame é a que mais mata no País. A cada cem mil habitantes, no Estado do Rio, morreram 3,5 pessoas por conta de algum tipo de intervenção policial, segundo dados do 9º Anuário de Segurança Pública, publicado pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) em outubro; Amapá (3,3),Alagoas (2,3), São Paulo (2,1) e Pará (1,9) aparecem na sequência. As estatísticas são de 2014; as forças policiais do Rio são comandadas pelo secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, do governo Luiz Pezão. 
• PIB encolhe 5,8% em um ano e meio, a pior recessão desde o Plano Real. Economia encolhe 1,7% no 3º trimestre, um tombo mais forte que o esperado e amplia recessão. O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil encolheu 1,7 por cento no terceiro trimestre sobre os três meses anteriores, terceiro trimestre seguido de contração, ampliando o cenário de recessão da economia brasileira, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
• Filho do amigo de Lula aumenta em R$ 270 milhões seu patrimônio em 8 anos. O patrimônio declarado de um dos filhos do pecuarista José Carlos Bumlai - amigo do ex-presidente Lula preso pela Operação Lava Jato - Maurício Bumlai saltou de R$ 3,86 milhões, em 2004, para R$ 273,80 milhões, no ano de 2012. Os números são do documento Informação de Pesquisa e Investigação PR20150042, feito pela Receita Federal, que coloca suspeita sob a evolução patrimonial de toda família, incluindo uma transação imobiliária atípica com o banco BTG Pactual - do empresário André Esteves. 
• Justiça aceita ação de Lula contra Villa, que vira réu. O historiador Marco Antônio Villa é acusado de cometer os crimes de calúnia, injúria e difamação em queixa-crime apresentada pelo ex-presidente; em nota, a assessoria de imprensa do Instituto Lula afirma que Villa fez afirmações mentirosas com o objetivo de atingir a honra de Lula; em comentário feito em julho na TV Cultura, Villa disse, sem apresentar provas, que o ex-presidente mente, mente, que é culpado de tráfico de influência internacional, além de réu oculto do mensalão, chefe do petrolão, chefe da quadrilha e teria organizado todos os esquemas de corrupção
• Juiz da 7ª Vara Criminal da Justiça Federal do Rio de Janeiro, Marcelo da Costa Bretas, aceitou denúncia contra 14 réus da Operação Radioatividade, que investiga casos de desvios e corrupção na Eletronuclear em obras relativas à usina de Angra 3; dentre os acusados pelos crimes de concussão, corrupção passiva e lavagem de dinheiro estão o ex-presidente da Eletronuclear, preso na 16ª fase da Operação Lava Jato, almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, e o ex-presidente da Andrade Gutierrez Energia Flávio David Barra. 
• Marin tem dificuldades para pagar garantia de R$ 3,8 mi nos EUA. Valor está previsto no acordo de prisão domiciliar feito com a Corte de Nova York. 

• Obama pede que Turquia reduza tensões com Rússia. 
• Japão vai à caça de 300 baleias e ignora apelo internacional.  Polícia encontra explosivos em carro estacionado em aeroporto da Bulgária. 

A república dos cínicos. 
. Só sairemos da crise econômica quando resolvermos as crises ética e política. É uma tarefa de sobrevivência nacional.
. Lembra o Conselheiro Aires, célebre personagem de Machado de Assis, que o inesperado tem sempre voto decisivo nos acontecimentos. O ano parecia caminhar para o encerramento. E em tons inglórios. O enfrentamento da crise política estava sendo empurrado para 2016. Tudo indicava que o impasse - produto em grande parte da inoperância das forças políticas de oposição ao projeto criminoso de poder - iria se prolongar, até porque o calendário político do Congresso não é o mesmo que vigora para os brasileiros comuns. Na Praça dos Três Poderes, 2015 termina por volta do dia 11 de dezembro, e o ano vindouro só começa depois do carnaval - e para alguns somente em março.
. Mas os acontecimentos de 25 de novembro vieram para atrapalhar - ainda bem! No dia anterior foi preso José Carlos Bumlai, considerado um dos melhores amigos de Lula. Bumlai conseguiu empréstimos privilegiados do BNDES. Acabou falindo. Contudo, a família está em excelentes condições financeiras. Um dos seus filhos, segundo noticiou O GLOBO, é um rapaz de sorte. Tinha um patrimônio avaliado em R$ 3,8 milhões em 2004. Seis anos depois, saltou para R$ 95,3 milhões, um crescimento de 25 vezes, algo digno de um livro de como prosperar rapidamente na vida. Mas o mais fantástico é que em 2012 o filho prodígio mais que duplicou o patrimônio: R$ 273,8 milhões.
. O amigão de Lula vendeu uma de suas fazendas - a Cristo Redentor - para o banqueiro André Esteves por R$ 195 milhões, valor considerado muito acima do preço de mercado. O mesmo banqueiro, também no dia 25, foi preso, envolvido em transações pouco republicanas. É um dos representantes de uma nova classe criada pelo petismo: a burguesia do capital público.
. Nesta teia de relações foi incluído o senador Delcídio Amaral, líder do governo no Senado. O senador, além de vínculos com Estevão e Bumlai, nos últimos anos esteve muito próximo de Lula. E todos eles estão relacionados com o petrolão, alguns já presos; outros, ainda não. A camarilha tinha na Petrobras o instrumento principal de saque. De acordo com perícia da Polícia Federal, o desvio do petrolão foi de R$ 42 bilhões, algo desconhecido na história do mundo.
. Mesmo assim, os cínicos que nos governam continuam agindo como se nada tivesse acontecido - isso para não falar das obras da Copa, da Ferrovia Norte-Sul, da Usina de Belo Monte e de Angra-3. E a conjunção da corrupção com a irresponsável gestão econômica acabou jogando o país na crise mais grave da história republicana. Teremos dois anos consecutivos de recessão - sem esquecer que em 2014 o crescimento foi zero. E caminhamos para a depressão.
. O significado mais perverso do projeto criminoso de poder e da crise econômica é a destruição dos projetos de vida de milhões de brasileiros. São projetos acalentados anos e anos e que a discussão da macropolítica acaba deixando de lado: os sonhos da casa própria, de obter um diploma universitário, de se casar, entre tantos outros, que, subitamente são inviabilizados. E os maiores atingidos são os mais pobres, que não têm condições de sequer vocalizar suas queixas, seus protestos.
. A velocidade da crise não pode mais ser controlada. Quando o governo aparenta viabilizar um acordão negociado com o que há de pior na política brasileira, vem a Operação Lava-Jato para atrapalhar o negócio - pois não passa de um negócio. A ação do juiz Sérgio Moro é histórica. Age dentro dos estritos termos da lei e já obteve grandes vitórias. Até o momento, foram 75 condenações, 35 acordos de delações premiadas, 116 mandados de prisão e R$ 1,8 bilhão recuperados. E a 21ª fase da Lava-Jato acabou impedindo o acordão. Não é que a Justiça age na política. Não. É a política - entenda-se, os partidos e parlamentares de oposição - que não consegue estar à altura do grave momento histórico que vivemos. A oposição não faz a sua parte. Evita o confronto como se a omissão na luta fosse uma qualidade. Se estivesse no Parlamento inglês, em maio de 1940, defenderia negociar a paz com Adolf Hitler. O governo Dilma caminha para o fim sem que a oposição seja o elemento determinante.
. Há uma fratura entre o povo brasileiro e a Praça dos Três Poderes. O poder é surdo aos clamores populares. Não é hora de recesso parlamentar. Recesso para quê? Em meio a esta crise? É justamente nesta hora em que o país precisa dos seus representantes no Congresso Nacional. Também não cabe a quem é responsável no STF pela Operação Lava-Jato - ou ao conjunto da Segunda Turma - gozar as intermináveis férias forenses. Há momentos na história de um país que férias ou recesso não passam de subterfúgios para esconder o desinteresse pelos destinos nacionais.
. Só sairemos da crise econômica quando resolvermos as crises ética e política. É uma tarefa de sobrevivência nacional. Não é apenas um caso de corrupção de enormes proporções. É mais, muito mais. O conjunto da estrutura de Estado está carcomido pelo projeto criminoso de poder. A punição exemplar dos envolvidos no petrolão abre caminho para enfrentar a corrupção em todos os setores do Estado - pensando Estado no sentido mais amplo, incluindo o conjunto dos Três Poderes.
. É indispensável retomar a legitimidade. E só há legitimidade com o combate implacável à corrupção. A impunidade está solapando as bases do Estado Democrático de Direito. A democracia não é instrumento para roubar o Erário e os nossos sonhos. Pelo contrário, é através dela que podemos exercer o controle efetivo da coisa pública. É somente através da democracia que construiremos o Brasil que sonhamos. (Marco Antonio Villa, historiador)
MEC - o assalto final às mentes. 
. Será impossível no espaço deste texto escrutinar o subproduto do Plano Nacional de Educação que atende pelo nome de Base Nacional Comum Curricular (BNCC). É o que poderíamos chamar de veneno diluído em abundantes doses curriculares. Ninguém morre intelectualmente com uma pitada, mas depois de uma dúzia de anos não sobra neurônio com autonomia. O objetivo final do petismo na Educação e na Cultura é tornar-se hegemônico. No meio, fica tudo: da música ao teatro, da internet à sala de redação, do seminário religioso à reserva indígena, do sistema bancário à barraquinha da praia, dos corações às mentes. Para conquistar mentes e corações, os companheiros burocratas do MEC trataram, primeiro, de unificar tudo, inclusive os exames vestibulares através do ENEM (com o qual a BNCC tem que dialogar). A esquerda adora os sistemas únicos, os coletivos, totalmente controláveis. Depois, criaram um Plano Nacional de Educação que o Congresso parcialmente comprou pelo valor de face. Agora, pretendem impor um currículo único que, uma vez definido, fará com que todos entendam e interpretem as coisas como o PT quer. Ao menos em 60% dos conteúdos. Os outros 40% não o interessam.
. Para afastar o Brasil dos padrões ocidentais, nada melhor do que romper com o relato eurocêntrico da história. Então, nos delírios da BNCC, vamos acabar com a cronologia, enfatizar a história africana, ameríndia e, definitivamente, jogar no ostracismo os mestres da nossa cultura. Ensinar segundo a versão proposta pela BNCC é servir burrice em linguagem de redes sociais, com vocabulário de creche. Se lhe parece difícil crer no que estou dizendo, informe-se aqui.
. Todo leitor atento e todo estudante que entrou em contato com a linguagem esquerdista já com plena vigência docente nas salas de aula do país, sabe que existe um vocabulário padrão. Há palavras que mesmo avulsas no espaço valem por uma frase inteira e servem como prova de identidade ideológica. Uma delas é problematizar. Quando um professor diz que vai problematizar algo, ele está, na verdade, afirmando que vai usar sua autoridade (mais do que seu estreito conhecimento) para destruir alguma crença ou valor que suspeita estar presente nas mentes dos alunos. E a BNCC é pródiga em problematizações. Ela problematiza o papel e a função de instituições sociais, culturais, políticas, econômicas e religiosas. Problematiza os processos de mudanças de instituições como família, igrejas e escola. Problematiza as relações étnicas e raciais e seus desdobramentos na estrutura desigual da sociedade brasileira. Problematiza, para desnaturalizar, modos de vida, valores e condutas sociais. Quem disse que existem valores, modos de vida e condutas que são naturais?
. Não era difícil imaginar a dedicação com que os companheiros do MEC se atirariam à tarefa de preparar uma base comum a todos os estabelecimentos de ensino do país. Melhor que isso só iniciar cada aula bradando - Seremos como el Che!
. Agora, o MEC vai ouvir a sociedade, mas todos sabem que, para esse governo, ouvir a sociedade e com ela debater é reunir-se com os seus e decidir por todos. Então, não é ao governo que a sociedade deve protestar. Está tudo pronto para que as coisas aconteçam como convém a ele e a seu partido. Atenção, Brasil! Atenção, meios de comunicação, intelectuais, educadores, lideranças empresariais e sindicais, pais e mães! Atenção todos os cidadãos comprometidos com o bem dos nossos jovens e do Brasil! É preciso impedir que se cometa mais esse crime contra a nação e que o governo imponha sua ideologia a todos através das salas de aula. (Percival Puggina, membro da Academia Rio-Grandense de Letras, arquiteto, empresário e escritor)

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