2 de nov de 2015

Um dia para reverenciar.

• Cemitérios do Rio têm movimentação intensa em Dia de Finados chuvoso. São João Baptista, em Botafogo, teve missa já as 8h. No local, eram entregues balões infláveis para homenagem. 
• Começa a montagem da árvore de Natal da lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio. • Meta de plantio de árvores da Olimpíada do Rio não será atingida. Foram plantados apenas 19% dos 36 milhões de árvores nativas do objetivo inicial do governo. 
Existe uma clara pressão para que todos se tornem delatores. Mas tenho certeza de que meu pai jamais faria isso. Primeiro, porque ele me disse que não tem o que falar. Segundo, porque querem nomes e ele jamais falaria de pessoas inocentes só para sair da prisão, afirmou a médica Nayara Vaccari, filha do ex-tesoureiro do PT, em entrevista ao sindicalista Gilmar Carneiro; ela afirmou que seu pai passa o tempo em Curitiba, onde está detido preventivamente, lendo livros infantis para ter o que conversar com o neto quando deixar a prisão. 
• Greve de petroleiros atinge plataformas da Bacia de Campos. Grevistas exigem conclusão de Comperj e Abreu e Lima. Federação Única dos Petroleiros (FUP) concentra 13 sindicatos. 
• Queda do dólar em outubro diminui prejuízo do governo com ações cambiais. Recuo de 2,6% foi o primeiro após três meses seguidos de alta da moeda. 
• Inadimplência com rotativo do cartão de crédito atingiu 38,9% em setembro. Ao deixar de pagar o valor total, o cliente automaticamente contrata uma operação de crédito. 
• Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que terminou seu segundo mandato com desemprego recorde e impopularidade nas alturas, agora tripudia sobre o sucessor Luiz Inácio Lula da Silva, que viveu realidade oposta, ao deixar o Palácio do Planalto como o mais popular presidente da história do País; em entrevista ao jornal argentino La Nación, publicada neste domingo, FHC lamentou que Lula tenha sido absorvido pela política brasileira tradicional; o tucano disse que é muito penoso ver no que se converteu Lula; Era um líder sindical autêntico, não necessariamente de esquerda, que tinha um compromisso real com os trabalhadores. Mas se foi deixando absorver pela política brasileira tradicional, clientelista, corporativista e ideológica; FHC ainda responsabiliza Lula pela crise política pela qual passa o Brasil. 
• PT perde, em Brasília, ação movida contra Gilmar. O juiz Raimundo Silvino da Costa Neto, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, considerou que não houve nenhum excesso e que Gilmar Mendes fez apenas questionamentos sobre a rapidez com que os recursos foram arrecadados; processo dizia respeito a falas do ministro que apontou eventual lavagem de dinheiro nas multas pagas pelos condenados na Ação Penal 470. 
• Um presente de 2 milhões de reais: Ex-vereador petista diz à polícia que ex-presidente da Câmara dos Deputados é o verdadeiro dono de apartamento em Miami. O imóvel foi comprado com dinheiro oriundo das arcas da corrupção. O petista Marco Maia, ex-presidente da Câmara, garante que passou uma temporada no apartamento do amigo por empréstimo e apenas uma vez. (Veja)  
• Licenciado, irmão de Antonio Palocci dá expediente em estatal. Funcionários da Eletronorte afirmaram, por 4 vezes, que ele aparece quase todos os dias. 
• Falta apurar papel do Citi na compra de Pasadena - As investigações da força-tarefa da Operação Lava Jato e da CPI da Petrobras não se debruçaram sobre um personagem importante na compra superfaturada, pelo Brasil, da refinaria de Pasadena, localizada no Texas, nos Estados Unidos. Trata-se do Citibank, banco dos EUA que recomendou o negócio. Avaliada por US$ 42,5 milhões, a refinaria escandalosamente superfaturada custou US$ 1,33 bilhão ao Brasil. Negociata: A negociata de Pasadena foi na época em que o Citi e Daniel Dantas, o banqueiro, uniram-se para tentar controlar uma empresa de telefonia; Antigos parceiros: O banqueiro Daniel Dantas era parceiro do banco americano Citibank e dos fundos de pensão de estatais para comprar a TeleNorte Leste; Citi sabia: O Citigroup, controlador do Citibank, foi contratado pela Petrobras para vender a refinaria de Pasadena em 2013; Prejuízo garantido: A Petrobras confirmou ofertas, através do Citibank em 2013, entre US$ 200 e US$ 250 milhões pela refinaria. Mas não aceitou o prejuízo. (Diário do Poder) 
• BNDES: a ponta do iceberg: Usina de José Carlos Bumlai, aquele que tinha acesso direto ao gabinete do chefão Lula, seu amigo dileto, conseguiu, em 2012, um empréstimo do BNDES no valor de (pasmem) R$102 milhões (quantas mega-senas cabem aí?), a juros de pai para filho. Acontece que a usina do sujeito já estava com pedido de falência em andamento desde 2011, situação que a impedia de tomar empréstimo no banco. Agora, o BNDES também pede a falência da tal usina, porque o Bumlai deu calote. Está devendo mais de R$300 milhões ao banco, por conta de outros empréstimos vencidos, mas o seu patrimônio, por conta das dívidas, não vale hoje nem 10% da dívida que tem com o banco estatal.
. E isso é só a ponta do iceberg de danos produzidos no BNDES que ainda estão ocultos. A rapinagem lá, quando descoberta, vai fazer a Lava Jato parecer roubo no galinheiro da vizinha. E Lula, como sempre, por conta do seu “Eu não sabia”, não ganhou nada com essas transações, mesmo com o Bumlai entrando e saindo do seu gabinete quando bem queria. Conta outra, vai! (AC) Aqui
• A macumba do Collor. Devia levar mais um processo por estar usando material do Senado (papel timbrado) nas suas feitiçarias. Até onde sei, há pombas-giras e exus sobrando no Congresso, mas não há nenhum departamento de macumbas funcionando lá.
. Quando o sujeito perde a noção do ridículo, já é caso de internação num hospício. (AC) Fonte
• General Mourão, que criticou Dilma, é transferido para função burocrática. . Detalhe curioso: o General que, junto com o Governador Magalhães Pinto (MG), deu início à Contra-Revolução de 1964, também tinha um Mourão no nome: Olímpio Mourão Filho. Mera coincidência, ou ironia do destino se avizinhando?
. E mais: líder militar não dá murro em ponta de faca, ainda mais em se tratando de um general de indiscutível prestígio, que comanda (ainda não foi exonerado) o maior efetivo do EB, compreendendo os estados de RS, SC e PR. (AC) Aqui

Só ação externa explica queda de avião, diz empresa. Falha técnica é a causa mais provável da queda do Airbus russo. O avião A231, que caiu na Península do Sinai (Egito) apresentava falhas técnicas na parte da cauda. Empresa aérea russa rejeita falha técnica. Corpos de 144 dos 224 passageiros de avião que caiu no Egito chegam a São Petersburgo para identificação. 
• Sobe para 18 número de mortos em duplo atentado na Somália. Cinco membros de uma milícia radical islâmica entraram no hotel vestidos como soldados da missão da União Africana na Somália (Amisom). 
• Após vitória, presidente pede nova Constituição na Turquia. Legenda de Recep Tayyip Erdogan recupera maioria absoluta no Parlamento e premier faz apelo.

Opiniões desse ou daquele contra o impeachment não traduzem a vontade da sociedade civil. 
. Levantamento publicado pela Folha na edição desta segunda peca pela formação da amostra. Dois terços dos brasileiros querem saída de Dilma.
. A Folha publica hoje a opinião de algumas personalidades sobre a crise. No jornal impresso, reproduz-se o pensamento de 12 pessoas. Na versão Online, de 28. Extraíram-se de lá duas conclusões cuja origem não entendi. A primeira consiste em chamar um grupo de 28 pessoas de representantes da sociedade civil, o que lhes confere uma amplitude que não têm. A segunda, em afirmar que a maioria é contra o ajuste da economia, mas também se opõe ao impeachment. Vamos lá.
. Entre os 28 ouvidos, apenas 8 se disseram explicitamente contra o impeachment; quatro se mostraram favoráveis, e 16 não tocaram no assunto. Se contaram isso aos repórteres e se não sai publicado no jornal, a gente não tem como saber. Sim: entre os que não opinam, está, por exemplo, o senador Humberto Costa (PE), líder do PT no Senado, mas também o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). Se apenas 8 de 28 afirmam explicitamente que o impeachment não é a solução, não vejo como se chegar àquela conclusão.
. A questão da sociedade civil é mais complexa. Esse é um conceito político, que designa, de maneira genérica, as vozes da sociedade que não estão, vamos dizer, disciplinadas pelo estado e pelas políticas oficiais - o que não quer dizer que sejam forças necessariamente de contestação, claro!
. No grupo dos 28 ouvidos pela Folha, há quatro políticos eleitos da oposição, quatro da situação e até um ex-deputado petista do Paraná. Vênia máxima, não se encaixam no conceito elementar de sociedade civil. Os 28 já caíram para 19. No grupo que resta, nada menos de 10 são lideranças sindicais empresariais, boa parte oriunda da indústria, setor bastante dependente de decisões governamentais. Outros cinco são sindicalistas ou representantes de movimentos sociais, todos de esquerda. E há quatro advogados.
. Uma representação da sociedade civil, parece-me, tem de ser um pouco mais rigorosa: há apenas uma voz de São Paulo, uma do Rio e uma de Minas. Nada menos de sete são do Paraná, cinco de Pernambuco e cinco da Bahia. Esses três Estados concentram 17 pessoas da amostra. Somados, têm uma população inferior a 36 milhões, bem menor do que os mais de 44 milhões só de São Paulo, que, com Minas e Rio, formam mais de 81 milhões de pessoas.
. Acho boa, sim, a ideia de ouvir lideranças sobre a política econômica, o impeachment etc. Se, no entanto, o que se quer é uma média da sociedade civil, como está lá, aí é preciso cuidar dos critérios. Ou estaríamos diante de uma situação um tanto inusitada, não é? Teríamos uma sociedade civil contra a esmagadora maioria da sociedade: segundo o Datafolha, dois terços dos brasileiros são favoráveis ao impeachment.
. O establishment político contra a sociedade costuma até ser coisa corriqueira; a sociedade civil contra a sociedade seria uma ocorrência inédita e realmente preocupante. (Reinaldo Azevedo) 

Orgulho e teimosia. 
. Nas primeiras cenas do filme Rocky I, chama a atenção a humildade do personagem interpretado por Silvester Stalone, ao confessar para a namorada porque um pugilista fracassado como ele aceitara competir com o campeão do mundo: para aguentar alguns rounds antes de ser fulminado, demonstrando ainda possuir amor próprio. Como se tratava de uma fantasia de Hollywood, o Rocky I quase ganha o primeiro embate e, depois, quando já encena o Rocky 34, não perdeu mais nenhum.
. Indaga-se porque a presidente Dilma insiste em continuar no ringue, sendo permanentemente nocauteada pela economia. Por humildade não é, muito pelo contrário. Para demonstrar que poderá virar o jogo e tornar-se campeã pela força de seus punhos, também não, porque essas coisas só acontecem no cinema. Não há recuperação para a incapacidade de seu governo, isto é, a falta de um projeto nacional de vulto, coisa porque todos clamam. Sua renúncia poderia resolver a questão e melhorar o nível do campeonato, mas a humildade revela-se falsa, pois é o orgulho que mantém a presidente de pé. Pouco importa se a assistência protesta por haver pagado caro pelas entradas e estar presenciando um lamentável espetáculo.
. Madame também não joga a toalha por teimosia. Por julgar nada dever às arquibancadas nem a seus desesperados treinadores. Parece sustentar que sua missão é de apanhar até o gongo final, importando menos as consequências de seu governo ser posto na lona, junto com ela. 
. Em suma, orgulho e teimosia geram o impasse atual. PMDB e PT não são os únicos a apresentar alternativas, por sinal conflitantes. Da mesma forma os tucanos e outros partidos sugerem mecanismos capazes de mudar a sorte da luta. Só que a lutadora prefere continuar apanhando, sem mudar de estratégia nem abandonar o tablado...
Maldades sem fim
. A semana começa sob a ameaça de mais demissões. Agora será na construção civil e nas obras de infraestrutura antes anunciadas pelos governos Lula e Dilma como a redenção nacional. Até o fim do ano a indústria prevê que mais 100 mil operários perderão o emprego. A primeira iniciativa das empresas em dificuldade é mandar os trabalhadores embora. Não importa quanto tenham faturado nos tempos felizes do lançamento do PAC. Depois das greves que se sucedem em cascata, acontecerá o quê, diante da inoperância do poder público? Sem dúvida, a crise social, porque o desemprego, na realidade, já atinge bem mais do que 10 milhões de assalariados. (Carlos Chagas)

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