5 de nov de 2015

“Chuvas de dólares” um reflexo...

• Prazo de pagamento do Esocial prorrogado até fim do mês. 
• Seca ameaça Rio e água pode ser racionada. 
• Adiada votação de projeto que regulariza recursos no exterior. O projeto, que trancava a pauta da Câmara, deve ser votado na próxima terça-feira. 
• Deputado prepara sua defesa Cunha admite a colegas controle de contas na Suíça, mas diz não ser titular
• Nome do relator de processo contra Cunha será conhecido nesta quinta. 
• O Tribunal de Contas da União (TCU) fará uma nova fiscalização para analisar a responsabilidade do conselho de administração da Petrobras em relação aos atrasos e decisões que prejudicaram os andamentos das obras e a consequente paralisação das refinarias Premium I e II; a decisão foi comunicada nesta quarta (4) pelo ministro relator José Múcio e implica em questionar a presidente Dilma Rousseff, que presidiu o Conselho entre 2003 e 2010; a Petrobras registrou prejuízo contábil da ordem R$ 2,8 bilhões em relação aos dois projetos. 
• Dilma sanciona nova regra para cálculo de aposentadoria. Fórmula 85/95 só valerá se houver contribuição mínima de 35 anos para homem ou de 30 para mulher; artigo que permitia a desaposentação foi vetado. 
• A Polícia Federal e o Ministério estão investigando o que Rose Noronha fazia nas 30 viagens no Aerolula para o exterior, na ausência de Marisa Letícia. Há indícios e suspeitas que ela depositaria ovos (expressão colhida em e-mails) nas contas secretas de alguém. Há informações de que já haveriam fotos, documentos, relatos supostamente comprobatórios. Muitas vezes, ela teria recorrido até mesmo a carro-forte devido à preciosidade dos ovos. Na cidade do Porto, supõe-se que tudo tenha sido documentado. 
• Enquanto o premiê da Romênia renunciou após a morte de 32 pessoas em incêndio em uma boate por lá, passados mil dias do incêndio na boate Kiss, nenhuma autoridade de Santa Maria (RS) foi presa. 

Luís Cláudio depõe na Polícia Federal e diz que dinheiro que recebeu de escritório de lobby se deve a serviços prestados. Então vamos pensar! 
. Eu ainda não sei que diabo de serviço a LFT, empresa de marketing esportivo que pertence a Luís Cláudio Lula da Silva - filho de Luiz Inácio - prestou ao escritório de lobby Marcondes & Mautoni, que é, na verdade, uma microempresa. O fato de eu não saber, e ninguém sabe, não quer dizer que seja crime, claro! Quando, no entanto, a empresa é investigada por compra de uma Medida Provisória que interessava ao setor automotivo - e o tal escritório atua nessa área - assinada pelo pai do dono da LFT, aí é evidente que o assunto ganha relevância.
. Luís Cláudio prestou depoimento à Polícia Federal nesta quarta. Confirmou ter recebido R$ 2,4 milhões da Marcondes & Mautoni, assegurou ter prestado o serviço e negou a existência de vínculos com a MP.
. Pois é… Vai saber, não é? Por alguma razão, um escritório de lobby, que atua para emplacar uma Medida Provisória, precisa dos serviços de marketing esportivo e, na hora de contratar um especialista, topa justamente com o filho daquele que assinou a MP. Acontece… Aliás, o petismo é o reino das coincidências. E, por isso mesmo, as histórias por ali nunca são convencionais.
. A vida financeira de Lula, como sindicalista e membro do PT, nunca foi exatamente convencional, não é mesmo? Há muito tempo o homem é visto como um ente superior, a quem são permitidas extravagâncias. Num passado já remoto, morava de graça na casa de um compadre rico - e isso parecia normal. O mesmo compadre rico é hoje o dono do apartamento onde mora Luís Cláudio, avaliado em R$ 1,2 milhão. O imóvel foi comprado de uma offshore cujo representante no Brasil é casado com uma empresária com sólidos interesses na Prefeitura de São Bernardo.
. O dono da LFT é modesto perto de Fábio Luiz, o Lulinha, seu irmão mais famoso. Também este mora num apartamento que pertence a um amigo, e a papa que come o primogênito já é mais fina: o imóvel está avaliado em R$ 6 milhões. Sorte de Lulinha ter outro amigo rico e generoso, que também é dono de um sítio que a OAS reformou para, digamos, o usufruto de Lulão, o pai de todos.
. Confesso que há muito tempo o jeito Lula de ver o mundo me incomoda. Na década de 80, quando a Apeoesp, já sob o comando do PT, comandava greves de professores da rede pública - um bolsão de militância ativa do partido -, Lulinha foi estudar numa escola privada em Santo André, que os petistas chamariam de elite. Tinha, claro!, uma bolsa de estudos. Sei porque dava aula lá - não fui professor dele. Mas já estava claro que o companheiro-chefe tinha um jeito muito particular de ver o mundo.
. Em certo aspecto, reconheço que não deve ser fácil ser filho de Lula, não é mesmo? Desde muito jovens, seus rebentos tiveram de conviver com um pai-celebridade, fazendo política o tempo inteiro, articulando a chegada ao poder e tal. Onde quer que estivessem, lá estavam os filhos de Lula e coisa e tal. Deve ser, inclusive, muito chato. Por razões que nem preciso explicar, melhor ter pais anônimos.
. Parece, no entanto, que, na esfera psicológica, os rapazes até se saíram bem. Não tentaram, e não acho que vá acontecer, seguir a carreira política. Também não se tornaram - e vimos isso em outros países - notórios farristas e playboys. A vida da família é relativamente discreta no que respeita ao noticiário.
. Mas, na esfera financeira, tsc, tsc, tsc. Aí parece que existe mesmo um modelo a ser seguido. E é o do pai. E, vamos convir, não é nada bom. A estreia de Lulinha no mundo dos negócios, recebendo uma dinheirama de uma telefônica na sua Gamecorp, logo no início do primeiro mandato do pai, já indicava que o clã tinha mesmo uma leitura muito particular sobre a distinção entre o público e o privado.
. Vá lá. Luís Cláudio abriu uma empresa de marketing esportivo e não pode deixar de ser filho de quem é? Paciência! Se, em razão disso, conquistar alguns clientes - desde que não envolva troca de favores com dinheiro público -, melhor pra ele. Mas, com tantas empresas no país a quem oferecer seu talento, tinha de ser justamente à tal Marcondes & Mautoni, com o histórico e com as vinculações que tem?
. O pior traço da renitente herança patrimonialista brasileira, sabemos todos, é a cultura do privilégio que não se sustenta no mérito, mas na fidalguia, com todas as deformações sociais e políticas que isso enseja: do sabe com quem está falando? à impunidade propriamente.
. Lula poderia, em razão da confiança que milhões depositaram nele, ter contribuído para mudar essa escrita. Mas ele não só preservou, no ambiente público, os piores vícios do velho patrimonialismo - compondo, inclusive, com este - como se tornou usuário privado, desses vícios, tornados, tudo indica, uma herança. Para o seu próprio bem e o dos seus. E para o mal do país.
. Como sempre foi. (Reinaldo Azevedo) 

A renúncia ou o caos? 
. Qual a categoria que ainda não fez ou não pensa em fazer greve? A melhor resposta seria: nenhuma. Todas já fizeram, muitas fazem e nenhuma deixará de fazer, a partir do reconhecimento de esses movimentos de protesto constituírem a única alternativa para assegurar a sobrevivência de seus integrantes.
. O exemplo vem de cima. Lula foi o campeão das paralisações enquanto líder sindical. O PT sempre apoiou e participou das greves. Eleito presidente, o primeiro-companheiro jamais se posicionou contra as greves, mesmo quando prejudicavam sensivelmente seu governo. A mesma coisa acontece com Dilma Rousseff, no exercício de um poder que não pode coadunar-se com a estagnação e as consequências sempre danosas para a sociedade, a grande prejudicada pela falta de serviços, transportes, abastecimento, segurança e tudo o mais.
. A atual onda de greves tem raízes na constatação histórica de que, com as exceções de sempre, os assalariados sempre são sacrificados. Mas há outro fator determinante do momento atual: a falência do governo na sua obrigação de governar. Diante de uma crise que eles mesmo criaram, Lula, Dilma, PT e penduricalhos conseguiram tornar insuportáveis as condições de vida da população menos favorecida, cujos protestos estendem-se à classe média.
. A redução de direitos trabalhistas, o aumento de impostos, taxas, tarifas e contribuições obrigatórias, a alta do custo de vida, a má qualidade dos serviços públicos e, acima de tudo, o desemprego em massa, levam os diversos segmentos sociais a prevenir-se e a manifestar sua indignação diante do abandono em que se encontram.
. Continuando as coisas como vão, a começar pelas greves, logo o caos dominará o país. E sem a contrapartida do atendimento às reivindicações grevistas.
. Anuncia-se para segunda-feira a greve dos caminhoneiros, dos que trabalham por conta própria e dos empregados de empresas de transporte trabalhando em péssimas condições. São capazes de paralisar o Brasil, não só cortando o abastecimento de gêneros de primeira necessidade e de combustíveis, mas interrompendo o tráfego e os serviços essenciais.
. Juntam-se os caminhoneiros aos médicos, enfermeiros, professores, motoristas e maquinistas, funcionários públicos, operários da construção civil e mesmo policiais. Todos clamam por reajustes salariais e mínimas condições de vida e de trabalho. Se não encontram, multiplicam a indignação e as greves.
. Fazer o quê? Negociar adianta cada vez menos, mas reprimir despertaria resultados ainda piores. Aliás, reprimir com que estruturas?
. As Polícias Militares estão revoltadas, nos Estados. A Polícia Federal já realizou diversas greves. As Forças Armadas julgam-se fora da confusão, pelo menos até que a crise econômica se transforme em crise social, com depredações e invasões generalizadas de estabelecimentos comerciais e próprios públicos. Nessa hora os tanques irão para as ruas, só que para as greves, os militares não tem solução.
. Fala-se de uma agenda positiva, de um esforço de união nacional, de planos e programas variados de recuperação econômica, mas nenhuma estratégia evitará o caos caso os detentores do poder não reconheçam a própria impotência e seu óbvio fracasso. Sobra-lhes a única alternativa capaz de impedir a desagregação social e política: a renúncia. (Carlos Chagas)

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