22 de out de 2015

CPI´s no país são pilhérias...

• Estudo divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda aponta que a redução dos investimentos da petroleira de US$ 37,1 bilhões em 2014 para US$ 25 bilhões em 2015 será responsável por pelo menos 2 pontos percentuais da contração do Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país); oficialmente, a SPE prevê retração de 2,44% do PIB este ano, mas o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central, projeta encolhimento de 3%. 
• A presidente Dilma Rousseff reagiu, através da sua conta no Twitter, nesta quarta (21), à proposta do relator do Orçamento, deputado Ricardo Barros (PP-PR), de cortar R$ 10 bilhões do Bolsa Família no próximo ano, como forma de ajudar a reduzir o déficit em 2016; O Bolsa Família completou ontem 12 anos. Isso significa que o Brasil tem a primeira geração de crianças que não passaram fome e que estão na escola. É o maior programa de inclusão social do mundo. Destinado aos mais vulneráveis, ele mantém 36 milhões de pessoas fora da extrema pobreza. O Bolsa Família garante ainda que 17 milhões de crianças e adolescentes estejam na escola e ajudou a reduzir em 58% a mortalidade infantil, ressaltou; a presidente disse ainda que cortar o Bolsa Família significa atentar contra 50 milhões de brasileiros
• CPI aprova relatório que blinda políticos. Comissão que investigava a Petrobras propõe indiciamento apenas de Vaccari. Por 17 votos a favor, nove contra e uma abstenção, o parecer final do relator Luiz Sérgio (PT-RJ) foi aprovado pela CPI da Petrobras. A votação se estendeu pela madrugada desta quinta-feira, 22, e nenhum dos quatro destaques propostos para alterar o texto foi aprovado. Luiz Sérgio apresentou uma nova versão de seu criticado relatório. Pedidos genéricos foram excluídos do texto e mais de 70 personagens que já haviam sido nominalmente citados na primeira versão foram acatados. No final da noite de ontem, o petista acolheu o pedido de indiciamento de empresários da família Schahin e surpreendeu ao aceitar a inclusão do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Luiz Sérgio manteve em seu relatório críticas à operação Lava Jato e ao expediente das delações premiadas. 
Em um quadro que combina a mais forte recessão desde 1990 com inflação e déficit público nos maiores níveis desde 2002, um efetivo ajuste fiscal é a única âncora capaz de recuperar a confiança de empresas e consumidores e dar início a um processo de retomada do crescimento, disse a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), ao analisar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em manter a taxa básica de juros da economia em 14,25% ao ano. 
• Mineradora Vale registrou prejuízo líquido de 6,663 bilhões de reais no terceiro trimestre, ante um lucro líquido de 5,144 bilhões no segundo trimestre, citando efeitos imediatos nos resultados financeiros de uma depreciação de 28 por cento do real ante o dólar. 
• O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), leu nesta quarta (21) o despacho no qual abre prazo de 30 dias, prorrogáveis por mais 15, para que o governo apresente defesa na questão da rejeição das contas públicas no ano fiscal de 2014; ontem, o despacho já tinha sido lido no plenário do Senado comunicando o recebimento do acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU) recomendando a rejeição das contas, mas a leitura não tratou da abertura de prazo de defesa. 
• Líder do movimento, João Pedro Stédile afirmou ontem que a presidente Dilma Rousseff poderá perder sua base social se mantiver o ajuste implementado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy: Se a Dilma continuar com essa política burra do ajuste fiscal e com essa interpretação da crise como um problema de Orçamento, vai perder cada vez mais a base social que a elegeu. É problema para a estabilidade do governo; apesar das críticas, disse que os movimentos populares lutarão para impedir tentativas de impeachment: Quem tem razão é o povo e o povo precisa criticar, dizer que o governo está errado. Mas o povo é sábio, não quer impeachment. Quer melhoria de vida, disse; De que adianta mudar o governo? Não é solução para crise. Precisamos de medidas concretas, que ajudem a tirar a economia da crise, acrescentou. 
• Acusado de suborno, Bumlai estaria quebrado. A usina do pecuarista de Mato Grosso do Sul, João Carlos Bumlai, no município de Dourados, foi afetada diretamente pela política federal de subsídio a gasolina e acumula uma dívida de R$ 1,2 bilhão; amigo de Lula, ele nega acusações do lobista Fernando Baiano de que teria pedido propina de R$ 2 milhões para uma das noras do ex-presidente. 
• Bumlai vendeu fazenda a banqueiro amigo de Lula. O banqueiro André Esteves, do BTG-Pactual, outra vez aparece ligado a gente enrolada em escândalos do PT. José Carlos Bumlai, amigão de Lula, vendeu a Esteves sua fazenda de 150 mil hectares, no Pantanal. O local foi cenário de programas eleitorais de Lula, em 2002, e do início da amizade do ex-presidente com Bumlai. O lobista Fernando Baiano contou que Bumlai lhe tomou R$ 2 milhões para dar à nora de Lula. (Diário do Poder) 

• Fifa diz que Franz Beckenbauer e Ricardo Teixeira estão sob investigação. 
• As bolsas chinesas se recuperaram nesta quinta-feira, após o forte movimento de liquidação da sessão anterior, mas os mercados em outras partes da Ásia fecharam em baixa diante dos últimos sinais de fraqueza da segunda maior economia do mundo e em clima de cautela antes da decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE). 
• A Bolsa de Tóquio encerrou a sessão de quinta-feira em queda de 0,6%. • Mais de 12.600 migrantes entraram na Eslovênia nas últimas 24 horas, anunciou a polícia do país nesta quinta-feira, o que representa um recorde que supera o maior nível registrado pela Hungria no pior momento da crise. Desde a madrugada de quarta-feira foram contabilizadas 12.676 pessoas, e 34.131 desde sábado, dia em que o fluxo de migrantes aumentou no país. 
• Novo ataque: israelense ferido e dois agressores neutralizados. Um israelense foi ferido nesta quinta-feira em um novo ataque com faca em Beit Shemesh, ao oeste de Tel Aviv, cometido por dois agressores que foram neutralizados, anunciou a polícia. Os dois agressores estão em condição crítica, segundo o porta-voz da polícia, Micky Rosenfeld. Passageiros de um ônibus impediram que os supostos agressores embarcassem no veículo. Em seguida, os dois agrediram um pedestre judeu, de 25 anos, com uma faca, perto do ponto de ônibus. Ambos foram neutralizados por tiros da polícia. 
• Dois drones armados dos EUA caem no Iraque e na Turquia. A Força Aérea americana perdeu nos últimos dias dois drones armados no Iraque e na Turquia, em incidentes separados - anunciaram autoridades militares nesta quarta-feira. 

Vamos curtir a crise?  
Tema dominante - Hoje, sem sombra de dúvida, entre os assuntos que normalmente são abordados e discutidos em todos os eventos, reuniões, ou mesmo nos bate-papos entre amigos, o tema dominante é a crise econômica pela qual passa o nosso pobre país.
Sabedores das causas - Nos encontros que tenho participado (a maioria é em Porto Alegre, RS, onde resido), embora com muito atraso já percebo que para muitos já está bem mais claro onde se localizam os reais problemas, ou motivos, que levaram o Brasil e, particularmente, o Estado do RS a esta terrível situação. 
Ataque efetivo - Ora, pelo que sempre aprendi ao longo da vida, tanto escolar e profissional, quando grande parte dos atingidos pelos efeitos toma conhecimento das causas que levaram a um fracasso, nada mais lógico e urgente do que preparar um ataque correto e efetivo, com o máximo vigor e rigor, para poder superar os problemas.
Curtindo os problemas - Pois, pelo que tenho visto e assistido, a impressão que se tem, claramente, é que maioria do povo brasileiro, representada pelas suas mais diversas entidades, tanto públicas quanto privadas, gosta mesmo é ficar curtindo os problemas. Vejam, por exemplo, que as principais causas que nos levaram a esta brutal crise (que está apenas iniciando), continuam intactas. Pode? 
Conta maior - Como a conta maior (não a única) da União, dos Estados e dos Municípios, que impõe o crescente déficit nas contas públicas se refere a pessoal, tanto dos ativos quanto dos inativos, é ali que precisa haver um esforço concentrado para amenizar, ou mesmo resolver a crise que está acabando com o país. 
Intocável - Pois, para desespero geral, todos aqueles que são chamados para enfrentar o problema, de imediato declaram que esta conta é simplesmente intocável. Trata-se de despesa obrigatória, fortemente protegida por cláusulas pétreas. 
Curtindo a crise - Sendo assim, caso o povo brasileiro prefira ser menor do que as cláusulas que aprova, não resta outra coisa senão curtir, eternamente, a causa maior da nossa atual crise
. O fato cruel, no entanto, é que para manter no emprego público uma minoria de brasileiros, com incontáveis (e inexplicáveis) privilégios e vantagens, a maioria está sendo desempregada e/ou vivendo de uma aposentadoria digna de 5a. Classe. Pode? (GSPires) 

Não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros. (Confúcio) 

História sem tempo. 
. A ordem do dia é esculpir um Brasil descontaminado de heranças europeias.
. Renato Janine, o Breve, transitou pela porta giratória do MEC em menos de seis meses. No curto reinado, antes da devolução do ministério a um profissional da política, teve tempo para proclamar a Base Nacional Comum (BNC), que equivale a um decreto ideológico de refundação do Brasil. Sob os auspícios do filósofo, a História foi abolida das escolas. No seu lugar, emerge uma sociologia do multiculturalismo destinada a apagar a lousa na qual gerações de professores ensinaram o processo histórico que conduziu à formação das modernas sociedades ocidentais, fundadas no princípio da igualdade dos indivíduos perante a lei.
. O ensino de História, oficializado pelo Estado-Nação no século XIX, fixou o paradigma da narrativa histórica baseado no esquema temporal clássico: Antiguidade, Idade Média, Idade Moderna, Idade Contemporânea. A crítica historiográfica contesta esse paradigma, impregnado de positivismo, evolucionismo e eurocentrismo, desde os anos 60. Mas o MEC joga fora o nenê junto com a água do banho, eliminando o que caracteriza o ensino de História: uma narrativa que se organiza na perspectiva temporal. Segundo a BNC, no 6º ano do ensino fundamental, alunos de 11 anos são convidados a problematizar o modelo quadripartite francês, que nunca mais reaparecerá. Muito depois, no ensino médio, aquilo que se chamava História Geral surgirá sob a forma fragmentária do estudo dos mundos ameríndios, africanos e afro-brasileiros (1º ano), dos mundos americanos (2º ano) e dos mundos europeus e asiáticos (3º ano).
. O esquema temporal clássico reconhecia que a mundialização da história humana derivou da expansão dos estados europeus, num processo ritmado pelas Navegações, pelo Iluminismo, pela Revolução Industrial e pelo imperialismo. A tradição greco-romana, o cristianismo, o comércio, as tecnologias modernas e o advento da ideia de cidadania difundiram-se nesse amplo movimento que enlaçou, diferenciadamente, o mundo inteiro. A BNC rasga todas essas páginas, para inaugurar o ensino de histórias paralelas de povos separados pela muralha da cultura. Os educadores do multiculturalismo que a elaboraram compartilham com os neoconservadores o paradigma do choque de civilizações, apenas invertendo os sinais de positividade e negatividade.
. A ordem do dia é esculpir um Brasil descontaminado de heranças europeias. Na cartilha da BNC, o Brasil situa-se na intersecção dos mundos ameríndios com os mundos afro-brasileiros, sendo a Conquista, exclusivamente, uma irrupção genocida contra os povos autóctones e os povos africanos deslocados para a América Portuguesa. A mesma cartilha, com a finalidade de negar legitimidade às histórias nacionais, figura os mundos americanos como uma coleção das diásporas africana, indígena, asiática e europeia, entre os séculos 16 e 21. O conceito de nação deve ser derrubado para ceder espaço a uma história de grupos étnicos e culturais encaixados, pela força, na moldura das fronteiras políticas contemporâneas.
. A historiografia liberal articula-se em torno do indivíduo e da política. A historiografia marxista organiza-se ao redor das classes sociais e da economia. Nas suas diferenças, ambas valorizam a historicidade, o movimento, a sucessão de causas e consequências. Já a Sociologia do Multiculturalismo é uma revolta reacionária contra a escritura da História. Seus sujeitos históricos são grupos etnoculturais sempre iguais a si mesmos, fechados na concha da tradição, que percorrem como cometas solitários o vazio do tempo. Na História da BNC, o que existe é, apenas, um recorrente cotejo moralista entre algoz e vítima, perfeito para o discurso de professores convertidos em doutrinadores.
. Na BNC, não há menção à Grécia Clássica: sem a Ágora, os alunos nunca ouvirão falar das raízes do conceito de cidadania. Igualmente, inexistem referências sobre o medievo das catedrais, das cidades e do comércio: sem elas, nossas escolas cancelam o ensino do império da Igreja e das rupturas que originaram a modernidade. O MEC também decidiu excluir da narrativa histórica o Absolutismo e o Iluminismo, cancelando o estudo da formação do Estado-Nação. A Revolução Francesa, por sua vez, surge apenas de passagem, no 8º ano, como apêndice da análise das incorporações do pensamento liberal no Brasil.
. Sob o sólido silêncio de nossas universidades, o MEC endossa propostas pedagógicas avessas à melhor produção universitária, que geram professores obsoletos em seus conhecimentos e métodos. Marc Bloch disse que a História é a ciência dos homens no tempo. Suas obras consagradas, bem como as de tantos outros, como Peter Burke, Jules Michelet, Perry Anderson, Maurice Dobb, Eric Hobsbawm, Joseph Ki-Zerbo, Marc Ferro, Albert Hourani, Caio Prado Jr., Sérgio Buarque de Holanda e José Murilo de Carvalho, não servem mais como fontes de inspiração para o nosso ensino. A partir de agora, em linha com o decreto firmado pelo ministro antes da defenestração, os professores devem curvar-se a autores obscuros, que ganharão selos de autenticidade política emitidos pelo MEC.
. Não é incompetência, mas projeto político. Num parecer do Conselho Nacional de Educação de 2004, está escrito que o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana deve orientar para o esclarecimento de equívocos quanto a uma identidade humana universal. Equívocos! No altar de uma educação ideológica, voltada para promover a cultura, a etnia e a raça, o MEC imolava o universalismo, incinerando a Declaração Universal dos Direitos Humanos. A trajetória iniciada por meio daquele parecer conclui-se com uma BNC que descarta a historicidade para ocultar os princípios originários da democracia.
. Doutrinação escolar? A intenção é essa, mas o verdadeiro resultado da abolição da História será um novo e brutal retrocesso nos indicadores de aprendizagem. (Demétrio Magnoli (sociólogo) e Elaine Senise Barbosa (historiadora)

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