20 de set de 2015

Mudanças no mundo.

A Europa não é mais a mesma!... 
. Tenho certas restrições e dúvidas sobre alguns escritos do Mauro Santayana, especialmente quando ele se põe a justificar ou a encontrar explicações sobre os erros e o descalabro da Gestão PTista apóstata...
. Mas, reconheço, é um grande escritor e articulista e, às vezes, produz peças admiráveis!
. Como é o caso desse artigo abaixo transcrito, O Pato e a Galinha que, embora possa apresentar algumas afirmativas polêmicas, reúne uma série de reflexões extremamente oportunas e consistentes, em relação ao atual impasse pelo qual passa a Europa. 
. Os predadores de ontem são os alvos de hoje e o acúmulo de tantos erros e de tanta desumanidade no passado, estão agora a cobrar o seu alto preço, neste momento em que os governos europeus se veem totalmente despreparados e tomados de pânico, em relação à onda migratória de miseráveis, construída por eles, que estão a bater em suas portas!... 
. O artigo é precedido de algumas constatações trazidas pelo amigo Manfredo Rosa, que está residindo há alguns meses, na Alemanha.
. Os dois textos se constituem como um rico material para nossa reflexão... (Márcio Dayrell Batitucci) 

Excelente.
. O articulista bota o dedo na ferida. Esclarece tudo de maneira fulminantemente simples. 
. Aqui em Dresden existem 46 museus. O principal deles, imenso, riquíssimo, fica no antigo palácio residência do reizinho local. É o centro da arte e da riqueza de toda a Saxônia, se não for de toda a Alemanha. Uma maravilha. São quatro andares de salas, lotadas de esplendorosos objetos de arte, entre eles as joias da coroa. Em quase todos os museus daqui, há sempre um espaço para Mostras provisórias. Muito comum aqui na Europa. Itens de um museu vão passear em outros congêneres em outros países, em interessante e oportuno esquema de intercâmbio. Pois bem, no Palácio, o espaço reservado para esse tipo de exposição é imenso, com quatro salas enormes, uma beleza, o mais privilegiado de toda a saxônia pois fica bem no centro, no melhor museu da cidade.
. Pois bem. Já fui ao Residenz Schloss três vezes, porque ele é mesmo uma coisa de se admirar. A última vez foi na semana passada. O referido espaço estava ocupado com uma exposição itinerante. Bem, você então imagina. Alguns quadros do Louvre? Joias da coroa sueca? Porcelana francesa? Faiança? Louça portuguesa? Enfim alguma coisa a ver com o acervo permanente? Nada disso!
. Uma exposição de fotografias do judeu Robert Capa, fotógrafo da Life, que registrou milhares de cenas da ação de soldados ianques durante a Segunda Guerra Mundial!!!
. O que se pode pensar disso se não, justamente, o que está escrito nesse artigo? Esse fato não nos permite conjecturar em quais teriam sido os termos da rendição assinada pela Alemanha? O vitorioso impondo toda e qualquer das suas vontades. Outra ligação se pode fazer de uma exposição de fotos (jornalistas, sem sal) de guerra num museu de arte?
. Se sim, ou seja, se a Alemanha está de joelhos, e não, também toda a Europa, por que não. América Latina e África já são colônias faz muito tempo. A China é o que é sob o olhar vigilante dos ianques que fiscalizam (e certamente tiram proveitos) todo o comércio de suas mercadorias. O Japão, também perdeu a guerra e deve ter assinado algum documento equivalente, na mesma posição, de quatro. Então é de se ver, que o império acaba de abraçar todo o globo.
. Ora viva! Festejemos! Porque daqui para a frente começa a derrocada. (Manfredo Rosa) 

O pato e a galinha. 
. Europa de hoje não está colhendo mais do que plantou.
. Embora não o admita - principalmente os países que participaram diretamente da sangrenta imbecilidade - a Europa de hoje, nunca antes sitiada, por tantos estrangeiros, desde pelo menos os tempos da queda de Roma e das invasões bárbaras - não está colhendo mais do que plantou, ao secundar a política norte-americana de intervenção, no Oriente Médio e no Norte da África.
. Não tivesse ajudado a invadir, destruir, vilipendiar, países como o Iraque, a Líbia, e a Síria; não tivesse equipado, com armas e veículos, por meio de suas agências de espionagem, os terroristas que deram origem ao Estado Islâmico, para que estes combatessem Kadafi e Bashar Al Assad, não tivesse ajudado a criar o gigantesco engodo da Primavera Árabe, prometendo paz, liberdade e prosperidade, a quem depois só se deu fome, destruição e guerra, estupros, doenças e morte, nas areias do deserto, entre as pedras das montanhas, no profundo e escuro túmulo das águas do Mediterrâneo, a Europa não estaria, agora, às voltas com a maior crise humanitária deste século, só comparável, na história recente, aos grandes deslocamentos humanos que ocorreram no fim da Segunda Guerra Mundial.
. Lépidos e fagueiros, os Estados Unidos, os maiores responsáveis pela situação, sequer cogitam receber - e nisso deveriam estar sendo cobrados pelos europeus - parte das centenas de milhares de refugiados que criaram, com sua desastrada e estúpida doutrina de guerra ao terror, de substituir, paradoxalmente, governos estáveis por terroristas, inaugurada pelo pequeno Bush, depois do controvertido atentado às Torres Gêmeas.
. Depois que os imigrantes forem distribuídos, e se incrustarem, em guetos, ou forem - ao menos parte deles - integrados, em longo e doloroso processo, que deverá durar décadas, aos países que os acolherem, a Europa nunca mais será a mesma.
. Por enquanto, continuarão chegando a suas fronteiras, desembarcando em suas praias, invadindo seus trens, escalando suas montanhas, todas as semanas, milhares de pessoas, que, cavando buracos, e enfrentando jatos de água, cassetetes e gás lacrimogêneo, não tendo mais bagagem que o seu sangue e o seu futuro, reunidos nos corpos de seus filhos, irão cobrar seu quinhão de esperança e de destino, e a sua parte da primavera, de um continente privilegiado, que para chegar aonde chegou, fartou-se de explorar as mais variadas regiões do mundo.
. É cedo para dizer quais serão as consequências do Grande Êxodo. Pessoalmente, vemos toda miscigenação como bem-vinda, uma injeção de sangue novo em um continente conservador, demograficamente moribundo, e envelhecido.
. Mas é difícil acreditar que uma nova Europa homogênea, solidária, universal e próspera, emergirá no futuro de tudo isso, quando os novos imigrantes chegam em momento de grande ascensão da extrema-direita e do fascismo, e neonazistas cercam e incendeiam, latindo urros hitleristas, abrigos com mulheres e crianças.
. Se, no lugar de seguir os EUA, em sua política imperial em países agora devastados, como a Líbia e a Síria, ou sob disfarçadas ditaduras, como o Egito, a Europa tivesse aplicado o que gastou em armas no Norte da África e em lugares como o Afeganistão, investindo em fábricas nesses mesmos países ou em linhas de crédito que pudessem gerar empregos para os africanos antes que eles precisassem se lançar, desesperadamente, à travessia do Mediterrâneo, apostando na paz e não na guerra, o velho continente não estaria enfrentando os problemas que enfrenta agora, o mar que o banha ao sul não estaria coalhado de cadáveres, e não existiria o Estado Islâmico.
. Que isso sirva de lição a uma União Europeia que insiste, por meio da OTAN, em continuar sendo tropa auxiliar dos EUA na guerra e na diplomacia, para que os mesmos erros que se cometeram ao sul, não se repitam ao Leste, com o estímulo a um conflito com a Rússia pela Ucrânia, que pode provocar um novo êxodo maciço em uma segunda frente migratória, que irá multiplicar os problemas, o caos e os desafios que está enfrentando agora.
. As desventuras das autoridades europeias, e o caos humanitário que se instala em suas cidades, em lugares como a Estação Keleti Pu, em Budapeste, e a entrada do Eurotúnel, na França, mostram que a História não tolera equívocos, principalmente quando estes se baseiam no preconceito e na arrogância, cobrando rapidamente a fatura daqueles que os cometeram.
. Galinha que acompanha pato acaba morrendo afogada.
. É isso que Bruxelas e a UE precisam aprender com relação a Washington e aos EUA. (Mauro Santayana)

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