23 de set de 2015

A corda bamba...

• Se o político representa o povo, diante dos fatos, quem vai nos representar realmente? 
• Para 87%, doações privadas geram corrupção. 
• Cotação do dólar chega a valor mais alto desde a criação do Plano Real, em 1994. Às 9h40, moeda é cotada a R$ 4,03. Nesta terça-feira, a cotação da moeda americana subiu 1,80% e chegou a R$ 4,0540 (comercial). 
• A vergonha da tal democracia insustentável: A bancada da Câmara tenta dois ministérios. Já a do Senado tenta manter Minas e Energia e indicar outro nome. Picciani apresentará a Dilma lista de indicações do PMDB para ministério. 
• Congresso adia votação de veto sobre reajuste do Judiciário. Parlamentares mantiveram 26 dos 32 vetos de Dilma em análise, incluindo o que barrou alternativa ao fator previdenciário; não há data para retomada de votação. 
• Governo projeta arrecadação maior para evitar novos cortes. Equipe econômica adota previsões otimistas apesar de esperar recessão. 
• Após arrastões, polícia voltará a parar e revistar ônibus no Rio de Janeiro. Contra arrastões, PM quadruplica efetivo na orla. Polícia já trabalha na identificação dos menores e adultos que protagonizaram roubos. Justiceiros da praia se armam e Beltrame teme linchamento de jovens no Rio. Rio entrega à PM lista de menores para triagem e policiais farão blitze em ônibus. 
• Mantido veto a projetos do fator previdenciário e de isenção do PIS/Cofins. O primeiro projeto que teve o veto mantido mudava o fator previdenciário, estabelecendo a regra 85/95 para a aposentadoria. Caso o veto fosse derrubado, o governo estimava um gasto adicional com a Previdência de R$ 135 bilhões até 2035. Em seu lugar foi editada a Medida Provisória 676/15 que propõe uma regra de transição com a primeira mudança programada para 2017; além disso, foram mantidos outros 21 vetos sobre temas que também teriam impactos nas contas públicas; com a vitória de ontem, Dilma mostra que conseguiu, apesar da crise política e das pressões para o golpe parlamentar, reaglutinar uma base de apoio no Congresso. 
• Segundo a colunista Eliane Cantanhêde, com esse governo moribundo, já se discute em corredores e gabinetes não mais se, mas quando será votado o processo de impeachment; É muito difícil e até doído escrever isso, mas as coisas estão se precipitando rapidamente em Brasília. O isolamento da presidente Dilma Rousseff está cada vez mais preocupante (...). Não pela capacidade da oposição de pressionar, mas pela incrível capacidade de Dilma de errar, diz. 
• Reforma de Dilma divide PMDB e isola Temer. Ao oferecer cinco pastas para bancadas do PMDB na Câmara e no Senado, a presidente Dilma Rousseff passou por cima do vice-presidente; prevendo reações internas no partido, Michel Temer, sugeriu que ela adiasse a reforma e se recusou a indicar nomes, mas o anuncio está previsto para esta quinta-feira. 
• Dora Kramer já desdenha da força eleitoral de Lula. O ex-presidente Lula foi o primeiro a acreditar que a compra de apoios no varejo poderia substituir a política; Resultado: os petistas estão hoje inteiramente nas mãos do PMDB, diz; segundo ela, já não depende da atuação do incrivelmente competente articulador - um mito, cujos pés, como se vê, exibem consistência arenosa. Depende, sobretudo, daquilo que o PMDB vai querer
• Dalmo de Abreu Dallari voltou a minimizar a importância de Gilmar Mendes no STF: Vocês dão muita importância a esse homem. Deixa ele falando sozinho lá no Supremo, os outros ministros nem lhe dão bola. Deixam ele lá porque ninguém quer perder tempo em começar uma guerra; Além disso, as teses dele são tão toscas que atraem reprovação automaticamente, sobretudo em um STF que melhorou muito em termos de composição
• Cerca de dois anos depois de ter iniciado os trâmites para a criação da Rede Sustentabilidade, a ex-senadora Marina Silva teve o partido oficializado por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral. 
• O relator do inquérito contra a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) será decidido no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF); a questão foi discutida na Segunda Turma do STF, mas a decisão da maioria foi encaminhar a matéria ao pleno; a tendência é que o caso saia das mãos do ministro Teori Zavascki, o que significaria o fatiamento da Operação Lava Jato. Toffoli quer tirar investigação de Gleisi da Lava-Jato. Ministro do STF diz que denúncias não envolvem desvios na Petrobras. 
• CFM suspende teto de idade para reprodução assistida. Mulheres com mais de 50 precisavam de autorização para tentar engravidar.
• Papa Francisco é ovacionado ao chegar aos EUA. O papa afirmou esperar que os Estados Unidos retirem o embargo comercial imposto a Cuba há mais de cinco décadas. A bordo do avião do Vaticano, rumo à capital Washington, o pontífice disse ter esperança de que os dois países fechem um acordo para acabar com o bloqueio; Meu desejo é que eles terminem com um bom resultado, que eles alcancem um acordo que satisfaça ambas as partes, disse o papa Francisco durante entrevista. Agenda do papa nos Estados Unidos inclui desafios políticos e religiosos. Entre os temas estão as relações com Cuba, a luta pelo combate à pobreza, além da redução dos efeitos das mudanças climáticas e no número de fiéis.
• Líderes da União Europeia reúnem-se em cúpula de emergência sobre migrações. O objetivo é propor soluções conjuntas para maior crise migratória na Europa desde a 2ª Guerra Mundial. União Europeia vai dividir 120 mil refugiados em 27 países. Número, porém, representa só um quarto do total de pessoas que chegaram. Comissão Europeia vai investigar 19 membros por violação ao direito de asilo. 
• Confissão da Volks desperta suspeita sobre montadoras. Há alinhamento dos departamentos, que recorrem aos mesmos fornecedores. Coreia do Sul vai submeter automóveis da Volkswagen a novos testes. 
• Novo governo de coalizão de Tsipras toma posse na Grécia. Primeira missão é colocar em prática os cortes de gastos e reformas econômicas exigidas pelos credores internacionais. 

Praia, Patrimônio Público?
 . Não é de hoje que o típico domingo de praia dos cariocas é objeto de feroz disputa política. As tentativas de restringir o acesso do populacho, dos farofeiros, a esse bem público coincidem com a consolidação da beira-mar como espaço nobre, privativo da high society - o que só ocorreu recentemente, lá pela metade do século passado.
. Quantos são aqueles capazes de derramar lágrimas (de crocodilo?) perante a crise imigratória que assola atualmente a Europa e ao mesmo tempo tratar com ódio e indiferença os marginalizados de nosso próprio País? Recente decisão judicial proibindo que a Polícia detenha jovens que não sejam pegos em flagrante delito comprova que também aqui temos os nossos cidadãos de segunda classe, afinal, ninguém pode ser preso sem ter cometido qualquer crime, nem pode ser considerado suspeito devido à cor da pele, idade ou vestimenta. Em tese.
. Qual o limite desse Estado (e estado) de exceção, onde devem-se incluir também as chacinas, autos de resistência e linchamentos?
. O limite, diz-nos a História, é a barbárie, o extermínio de populações inteiras, o genocídio.
. A Prefeitura anunciou o fechamento das linhas que ligam diretamente a zona norte aos bairros (às praias) da zona sul. Não tardará a proposição da construção de muros cercando a orla e os prédios luxuosos no seu entorno. Na Barra da Tijuca isso já foi feito, de modo apenas um pouco mais sutil. O apartheid está aí, só não vê quem não quer.
. A proliferação da violência urbana, associada ao aumento da pobreza e uso de drogas pela juventude, é um problema bastante real e seria um esforço fantasioso pretender ignorá-lo. Forçoso é reconhecer que os que são apresentados como vilões, a juventude empobrecida, são de fato as maiores vítimas da profunda crise de decomposição social que nos atinge - são eles os mais expostos à morte violenta, ao encarceramento, à falência dos serviços públicos. É revoltante observar como, entre nós, os crimes contra a propriedade causam espécie, ao passo que os crimes contra a vida, sobretudo quando institucionalizados - como no caso dos autos de resistência - são naturalizados e invisibilizados pelos mesmos que ora clamam pela redução da maioridade penal, etc, etc. Essa é, realmente, a moralidade fascista de uma burguesia imoral.
. Pior é observar a contraposição justiceiros vs bandidos, estampada nas capas dos jornais! Ora, do ponto de vista estritamente legal, os que se organizam para sair por aí agredindo os outros são bandidos, cujos delitos são tão ou mais graves que aqueles supostamente combatidos por essas gangues. Diante disso age o governo, entretanto, e os policiais nas ruas, com uma mal disfarçada condescendência, quando não descarada cumplicidade. Trata-se, afinal, de mera autodefesa, nos dizem. Assim começaram as milícias, lembram? Lembra, sr. Eduardo Paes?
. A pergunta é: como reagiriam esses governantes, e essa imprensa terrorista, que vive do permanente clima de pânico que consegue destilar sobre as pessoas, como reagiriam se nas favelas cariocas os jovens igualmente decidissem organizar-se em grupos para autodefender-se dos atropelos e brutalidades praticados pela polícia e grupos criminosos que lá atuam? Veríamos a mesma condescendência? Veríamos a PM observando tudo passivamente? Veríamos os noticiários aplaudindo?
. Pois é. Quem com ferro fere, um dia, provavelmente, com ferro será ferido. (Igor Mendes)

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