26 de mai de 2015

Brasil bom de dar com pau…

• Enem passará a ser obrigatório para candidatos ao Fies. Aluno que for tentar financiamento em 2016 terá que fazer exame neste ano. 
• Governo tenta tranquilizar mercado com ação pró-Levy. Ministro falou com a imprensa e teve apoio assegurado pelo Planalto. 
 • CGU diz que governo pagou bolsas do Prouni a 47 alunos mortos, aponta auditoria; Ministério da Educação não se pronunciou. 
• Câmara intervém para votar reforma política nesta terça. Em conflito com Eduardo Cunha, comissão terminou o dia sem votar relatório. 
 • Preocupado com cenário eleitoral, Lula pede liberação de R$ 8 bi do PAC para SP. 
 • Levy barrou taxação de grandes fortunas projetada por Mantega; cobra do governo respaldo a ajuste; Dilma deve enquadrar senadores do PT. 
 • Jayme de Almeida volta à cena enquanto Fla busca acerto com novo técnico após a demissão de Vanderlei Luxemburgo. 
• Sigilo perene no BNDES. Decisão de não permitir acesso a relatório de operações do banco mostra vício segredista do governo federal. 
Mentiras - 1) A ausência de Joaquim Levy, da Fazenda, no anúncio de contingenciamento de R$ 69,9 bilhões do orçamento, feito por Nelson Barbosa, do Planejamento, obedecendo cartilha do Planalto, pode ser explicada de maneira mais do que simples. De cara, vale dizer que Levy já estava gripado no meio da semana passada. Do que ele se recusava a participar, era mesmo da promessa de que a retomada da economia acontecerá já no segundo semestre. Quem conhece bem Levy, garante que ele considera irresponsabilidade do governo esse tipo de falsa projeção. O titular da Fazenda sabe que apenas no ano que vem - com sorte e esforço, além de aumento de impostos - a economia dará um respiro. 2) Na semana passada, pela segunda vez, diante da forma com que o Planalto vem conduzindo as votações do ajuste fiscal, Joaquim Levy, da Fazenda, pensou em renunciar. Em oportunidade anterior, quando participou de reunião e teve de enfrentar uma queda de braço com o ministro Aloizio Mercadante, já havia pensado em pedir seu boné. (GibaUm) 
• Dono da Engevix confirma comissões no pré-sal. Almada, da Engevix, confirma pagamento de comissão a lobista. Sondas, navios e plataformas de exploração do pré-sal também seriam controlados por cartel do petrolão. Um dos donos da Engevix Engenharia, Gerson de Mello Almada, confirmou à Operação Lava Jato que a empreiteira pagou Milton Pascowitch comissões que chegaram a 0,9% dos contratos - ainda em execução - que o Estaleiro Rio Grande, controlado pela empreiteira, fechou para construção de sondas do pré-sal, para a Petrobrás. 
• Jurista do PSDB diz que estratégia mudou, mas fim é o mesmo: tirar Dilma. Miguel Reale Jr., que redigiu petição do impeachment de Collor em 1992, entrega nesta terça pedido de ação penal contra presidente por crimes contra finanças públicas; processo criminal é mais grave que impeachment, diz ele à BBC. 
• Em hospital no Mato Grosso, família de Huck teve atendimento especial. Conselho Municipal de Saúde de Campo Grande quer explicações do presidente da Santa Casa, já que foram usados leitos que não eram oferecidos para pacientes do SUS.
O samba da presidente doida.
. Dilma muda as cores nacionais mexicanas, inventa uma tal camisa verde da Seleção e faz uma suruba histórico-antropológica das civilizações pré-colombianas. Ah, sim: ela diz que a Petrobras é a pátria de mãos sujas de óleo. Concordo!
. Eu nunca entendi por que diabos a presidente Dilma Rousseff tem a ambição de parecer uma pensadora, uma intelectual, uma estilista. Ela não é nada disso. Ao forçar a mão, acaba dizendo patacoadas estupendas, que concorrem um tanto para ridicularizá-la. Nesse sentido, Lula é mais prudente: transforma a sua ignorância em agressão aos adversários (especialmente FHC) ou em graça. Dilma tem a ambição de ser profunda. Aí as coisas se complicam. Ela concedeu uma entrevista ao jornal mexicano de esquerda La Jornada, publicada neste domingo. A transcrição, na íntegra, sem edição, está no site da Presidência (aqui).
. Há de tudo lá: algumas parvoíces decorrentes do esforço de parecer sabida, distorções ideológicas as mais detestáveis e humor involuntário. E, claro!, também imposturas. A sua fala sobre o impeachment é, para dizer pouco, imprudente. Já chego lá. Começo pelo humor involuntário. Prestem atenção a este trecho do diálogo:
Dilma - Teve um teatrólogo brasileiro, que você deve conhecer, Nelson Rodrigues, que, além, disso, foi um colunista de futebol.
Jornalista: Sim, claro.
Dilma: Que, quando se referia à Seleção Brasileira, dizia que a Seleção Brasileira era a pátria de chuteiras, a pátria verde e amarela de chuteiras. Lá, a Seleção Mexicana é a pátria azul, branca e verde…
Jornalista: Não, a camisa é verde, a camisa da Seleção. Sim, é verde.
Dilma: É verde? Então, é a pátria verde de chuteiras. A nossa também às vezes é verde, hein?
. Vamos lá, leitor! As cores nacionais do México são verde, vermelho e branco, sem o azul. A Seleção Brasileira já jogou com camiseta branca, amarela, azul e até vermelha - curiosamente, em 1917, ano da Revolução Russa, e 1936, ano seguinte à Intentona Comunista. Mas verde, como disse Dilma, nunca! E a conversa ainda vai avançar para o terreno do surrealismo explícito. Leiam.
Jornalista: Agora deixa eu fazer uma pergunta, uma pergunta…
Dilma: Agora, a Petrobras é tão importante para o Brasil como a Seleção.
Jornalista: Claro.
Dilma: Então, eu sempre disse o seguinte: Se a Seleção Brasileira é a pátria de chuteiras, a Petrobras é a pátria com as mãos sujas de óleo.
Jornalista: Ah, isso é muito bom, presidente, é uma frase muito boa!
Dilma: E vocês têm também a pátria suja de óleo lá, a mão suja de óleo.
. É espantoso que, diante do maior escândalo conhecido da história do país, que tem a Petrobras como epicentro, Dilma diga que a Petrobras é pátria com as mãos sujas de óleo e transfira, digamos, esse mérito duvidoso também ao México. De resto, a Petrobras é, sim, a pátria de mãos sujas. Mas não de óleo…
Suruba histórico-antropológica
. Dilma começa a conversa, se vocês lerem a transcrição, tentando demonstrar a sua expertise em história mexicana. Arma uma lambança dos diabos com os povos pré-colombianos - seu interlocutor não ajuda muito, diga-se - e faz uma defesa do relativismo cultural que chega a flertar com sacrifícios humanos. E eu não estou brincando.
. Referindo-se à cidade arqueológica maia de Chichén Itzá, diz a nossa sábia presidente:
Presidente - Eu fui a Chichén Itzá (…). É impressionante Chichén Itzá e também todo o conhecimento astronômico, a precisão do conhecimento astronômico. Para você ter aquela precisão, tem de ter um certo domínio razoável da matemática para aquele tipo de precisão que eles tinham. (…). E o que é destacado de forma bastante simplória para nós? É destacado sacrifícios humanos [ela disse assim, com erro gramatical mesmo], numa visão, eu acho, preconceituosa, contra aquela civilização que tinha um padrão de desenvolvimento e de desempenho que nós não conhecemos. A nossa população indígena não estava nesse nível de desenvolvimento. A mesma coisa o inca, não é? Mas lá é mais, era mais avançada, a mais avançada de todas. E não era asteca, não é? Eles não sabem, eles chamam de Tolteca, Olmeca.
Jornalista: Maia.
Presidenta: A Maia é mais embaixo, é ali na península do Iucatã, não é?
. Santo Deus!
. Vamos botar ordem na suruba histórico-antropológica pré-colombiana feita por Dilma. Comecemos pelo maior de todos os absurdos. A cultura inca não tem relação nenhuma com o México porque foi uma civilização andina, que se estendeu de um pedacinho do oeste da Colômbia até Chile e Argentina, passando por Equador, Peru -que era o centro irradiador - e Bolívia.
. Reparem que, dado o contexto, a presidente sugere que a cidade de Chichén-Itzá não fica no estado de Iucatã, mas fica. Para a presidente brasileira, que deve ter lido apressadamente um resumo feito pela assessoria, Chichén-Itzá não é uma cidade asteca, mas tolteca ou olmeca… Bem, nem uma coisa, nem outra, nem a terceira. A cidade é maia.
. Trata-se de um erro de geografia e de tempo. Os olmecas (vejam o mapa), prestem atenção!, existiram entre 1.500 e 400 antes de Cristo. Os toltecas, entre os séculos 10 e 12 depois de Cristo e foram dominados por bárbaros, que resultaram no Império Asteca.
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. O mais encantador, no entanto, é Dilma sugerir que a gente vê com preconceito os sacrifícios humanos das civilizações pré-colombianas… É, vai ver que sim! Confesso que vejo com preconceito também os atos sacrificiais em massa levados a efeito por Hitler, Stálin, Pol Pot, Mao Tsé-tung. Sabem como é… Cada civilização tem seu jeito de matar…
. Há mais besteira.
. Num dado momento, ainda tentando se mostrar sábia sobre a cultura mexicana, disse a presidente:
Eu sei de todas as histórias da relação do México com os Estados Unidos, que, na Revolução de 1910, diziam: Ah, pobre México! Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos!. 
. O jornalista, não mais esperto do que a presidente, emenda: Isso. 
. É uma tolice. A dupla trata a frase como se contivesse um conteúdo revolucionário. Mas não! O autor da dita-cuja foi o então presidente Porfírio Dias, que foi derrubado pela… revolução!
Impeachment
. Indagada sobre o impeachment, afirmou a presidente:
Sem base real, porque o impeachment está previsto na Constituição, não é? Ele é um elemento da Constituição, está lá escrito. Agora, o problema do impeachment é sem base real, e não é um processo, e não é algo, vamos dizer assim, institucionalizado, tá? Eu acho que tem um caráter muito mais de luta política, você entende? Ou seja, é muito mais esgrimido como uma arma política, não é? Uma espécie de espada política, mistura de espada de Dâmocles que querem impor ao Brasil. Agora, a mim não atemorizam com isso. Eu não tenho temor disso, eu respondo pelos meus atos. E eu tenho clareza dos meus atos. Então…
. Não sei o que Dilma quis dizer. De fato, o impeachment está na Constituição. O que não está institucionalizado? Eu, por exemplo, acho que a investigação já evidenciou a sua responsabilidade no escândalo do petrolão, mas certamente não há 342 deputados que concordem com isso. Ademais, é evidente que o impeachment é um processo político - essa é, diga-se, a sua natureza. Fazer essa afirmação para tentar descartá-lo é uma estultice. Ademais, convém aguardar o resultado da investigação.
. Não por acaso, a presidente brasileira vitupera contra a deposição legal e constitucional de Fernando Lugo no Paraguai, o que lhe deu o ensejo de suspender aquele país do Mercosul e de abrigar a ditadura venezuelana.
. A entrevista é uma confusão dos diabos. Dilma precisa ler melhor os briefings que recebe da assessoria e parar com esse negócio de querer recitar dados. Não é a sua praia. Melhor falar pouco e não dar bom-dia a cavalo!
. Não é que a entrevista não seja engraçada. Dei aqui boas gargalhadas. Mas também se ri de tédio, não é? (Reinaldo Azevedo) 

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