11 de mar de 2015

Urdiduras lavando a jato...

. Murilo Ferreira vai presidir Conselho da Petrobras - Presidente da Vale deve ser indicado para substituir o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega na próxima reunião do conselho da estatal, marcada para 23 de março; desde dezembro, quando começaram as especulações sobre a saída de Graça Foster do comando da Petrobras, o nome de Ferreira já estava sendo citado.
. Ministro do STF Dias Toffoli poderá presidir julgamento de políticos citados na Lava Jato e pediu transferência para a turma que julgará escândalo na Petrobras.
. Imposto de Renda - Segundo a Medida Provisória 670, publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira, a faixa de isenção e a faixa de alíquota de 7,5 por cento terão reajuste de 6,5 por cento; isso beneficiará cerca de 16 milhões de contribuintes, disse o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na noite de terça-feira ao anunciar o acordo.
Dilma escolhe uma coordenação política informal: Kassab, Braga e Rebelo. 
. A presidente Dilma Rousseff pediu socorro a um trio de ministros considerados mais hábeis do que os articuladores políticos oficiais do governo para evitar a implosão total de sua base parlamentar no Congresso Nacional. Gilberto Kassab (Cidades), Eduardo Braga (Minas e Energia) e Aldo Rebelo (Ciência e Tecnologia) foram convocados para atuarem além de suas funções no governo: a partir de hoje, passam a ser articuladores informais do Palácio do Planalto com os partidos aliados.
. A criação de um núcleo informal de articulação foi discutida em reunião com a presidente Dilma Rousseff e o vice-presidente, Michel Temer, na noite de segunda-feira, diante dos sucessivos tropeços da dupla Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Pepe Vargas (Relações Institucionais). Os dois foram especialmente responsabilizados pela derrota acachapante do petista Arlindo Chinaglia na disputa pela presidência da Câmara e pela falta de negociação prévia no envio do pacote fiscal ao Congresso. Além disso, o Palácio do Planalto trava uma guerra com os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), após a divulgação da lista do petróleo - ambos avaliam que o governo tenta empurrar o escândalo para a cúpula do Legislativo.
. Dilma foi cobrada para que semanalmente faça reuniões com líderes partidários e ministros não petistas para ouvir demandas e negociar pautas de votação do Congresso. Apesar dos apelos do PMDB, Michel Temer, alijado do núcleo duro do governo, não participa do grupo de conselheiros pessoais de Dilma, formado por José Eduardo Cardozo (Justiça), Mercadante (Casa Civil) e Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência).
. Em reunião com a presidente nesta segunda, Temer disse ser legítimo que ela tenha seus próprios conselheiros pessoais e defendeu que a ela forme um conselho mais aberto para discutir semanalmente temas urgentes para o governo. Por essa lógica, no impasse com a greve dos caminhoneiros, por exemplo, seriam ouvidos ministros e deputados com interlocução com a categoria; em discussões sobre as mudanças nos benefícios trabalhistas, seriam chamados parlamentares ligados a causas sindicais. A avaliação de aliados é que seriam mais proveitosas conversas mais focadas, não grandes reuniões esparsas com empresários e ministros. (Reinaldo Azevedo)
O "Escândalo" viajando!... 
. Esta veio de fora, enviada por uma amiga...
. O triste em tudo isso é ver o mundo olhando para a Petrobrás e toda sua força de trabalho, como um antro de ladrões e criminosos!
. Este é um dos legados do PT-sindical apóstata!
. ...Dilma Rousseff est-elle impliquée...?
. Segundo o depoimento de ontem, do ex-Gerente Pedro Barusco, ela recebeu 300.000,00, para sua campanha em 2010... É difícil acreditar que ela não sabia!...
. Manifeste sua indignação com tudo isso, no próximo dia 15: contra a corrupção, contra o PT-sindical apóstata, contra a destruição da Petrobrás! (Márcio Dayrell Batitucci) 

Compreendendo o escândalo Petrobras que abala o Brasil. 
(Le Monde, 9 de março de 2015)
. Brasil é abalado por um escândalo de proporções sem precedentes, que afeta, por sua vez, agentes econômicos e personalidades pertencentes à coalizão de centro-esquerda, que governa com a presidente Dilma Rousseff. A luta contra a corrupção é agora uma prioridade na agenda do gigante sul-americano e de outros países da região.
O que é o escândalo Petrobras?
. É uma questão de corrupção política, revelada em março de 2014, e que afeta tanto a empresa de petróleo controlada pelo Estado, a Petrobras, e os gigantes brasileiros da construção. Esses dois setores estão trabalhando juntos em grandes projetos de infra-estrutura, em especial aqueles relacionados às novas reservas de petróleo descobertas em águas profundas no sul do Brasil.
. As empresas de construção formaram um cartel para compartilhar esses mercados e para o superfaturamento. Em troca de subornos supostamente pagos aos partidos da coalizão de centro-esquerda de governo, no poder desde a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). O peculato e os subornos têm o objetivo principal de financiar as campanhas eleitorais, sem excluir alguns líderes empresariais e políticos que foram servidos ao longo do caminho.
Quais são as empresas envolvidas?
. Além da Petrobras, todas as grandes empresas de construção estão sendo investigadas: OAS, Odebrecht, Camargo Correia Mendes Junior, Queiroz Galvão, Iesa, Engevix, UTC, Constran. Algumas são multinacionais presentes em vários continentes. Os CEOs e altos funcionários foram presos como resultado da investigação. Curiosamente, a Odebrecht, número um da construção, foi esquecida, dado que este grupo obteve lucrativos contratos sem licitação em Cuba, Venezuela e na África, através dos bons ofícios do ex-presidente Lula.
. Quais os partidos que se beneficiaram do esquema de financiamento oculto?
. A pesquisa revelou, em especial, o envolvimento do Partido dos Trabalhadores (PT, esquerda), de Lula e da presidente Dilma Rousseff; o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB, centro), o principal aliado do governo do PT no Senado e na Câmara dos Deputados; o Partido Progressista (PP, direita), do ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf.
Dilma Rousseff está envolvida?
. A presidente não foi citada pela Procuradoria-Geral da República entre as pessoas suspeitas. No entanto, grande parte da opinião pública acredita que ela é responsável se não culpada. Por quê? Porque ela era a ministra da Energia, ministério ao qual é ligada a Petrobras e depois foi chefe de gabinete do presidente Lula na época. Como tal, ela também presidiu o Conselho de Administração da Petrobras. Em suma, para muitos, ela não podia não saber.
. Durante o seu primeiro mandato, Dilma Rousseff tinha construído uma reputação de incorruptível, exonerando logo ministros suspeitos de desonestidade. No entanto, ela hesitou por um longo tempo antes de pedir que Graça Foster deixasse seu cargo à frente da Petrobras, visto que ela foi desestabilizada pela extensão do escândalo.
A investigação é imparcial?
. A separação de poderes é real no Brasil, ao contrário de outros países latino-americanos. O caso foi conduzido em conjunto por um simples juiz provincial, Sergio Moro, baseado em Curitiba, e pela Polícia Federal, um corpo de elite que tem sido testado em outros casos de alta relevância. Uma comissão parlamentar também está trabalhando sobre o escândalo.
. Os juízes queriam que o procedimento não se arrastasse por muito tempo, como o escândalo do Mensalão, revelado pela imprensa em 2004. As condenações pelo Supremo Tribunal Federal só ocorreram em 2012. A título de comparação, o Mensalão movimentou 100 milhões de reais (30 milhões de Euros), enquanto que no caso Petrobras-BTP já se fala em, pelo menos, 3 bilhões de reais, ou até três vezes de acordo com fontes.
Qual será o impacto político e econômico do escândalo?
. O procedimento judicial deverá durar pelo menos um ano. O governo de coalizão está desestabilizado, apesar de o segundo mandato de Dilma Rousseff ter se iniciado em 1º de Janeiro deste ano. A maioria parlamentar está sob tensão. Um parecer exasperado exige cabeças. As consequências políticas são imprevisíveis.
. No entanto, o impacto econômico já é evidente. São as empresas do CAC40 brasileiros que estão sendo afetadas, num momento em que a economia está quase em recessão. Os investimentos foram suspensos e as falências não estão descartadas. (Paulo A. Paranaguá, Jornalista do Le Monde, Tradução: A. Pertence)

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