18 de mar de 2015

Uma reflexão polêmica.

Pausa para uma reflexão polêmica...
. Fiquei um tanto preocupado com as recentes declarações do Papa Francisco, no voo que o trouxe de volta à Roma, depois de sua última viagem, quando disse, entre outras coisas: ...Interiormente, tento pensar em meus pecados, em meus erros, para não ficar orgulhoso, porque sei que vou durar pouco tempo. Dois ou três anos. E, depois, vou para a Casa do Pai...
. Afinal, o que significam essas palavras, saídas da boca de um Papa tão especial como esse que aí está? Traduzem uma profecia, uma premonição, um desejo, uma antecipação de uma realidade que se aproxima ?
. Não são poucas as inovações e o novo direcionamento que o Papa Francisco, em sua correta interpretação dos Evangelhos e da doutrina de Cristo, tem imprimido à secular gestão da Igreja Católica, batendo de frente com os também seculares desvios que sempre foram cometidos pela alta Cúria Romana e por suas representações mundo afora, seja no aspeto moral propriamente dito, seja nas negociatas ilícitas cometidas através do Banco do Vaticano. Interesses de toda ordem estão sendo contrariados e inibidos e, para um Sistema tão sólido e tão estruturado como esse, onde os valores são outros, é muito fácil, da noite para o dia, arranjar-se um infarto fatal para o Papa!...
. Como parece ter acontecido com o Papa João Paulo I, que também tinha começado a caminhar nessa mesma linha!...
. Quem virá após o Papa Francisco? Quais os rumos ou os caminhos que serão seguidos no futuro pelas chamadas crenças do amor e da tolerância?
. E há uma realidade da qual não podemos mais fugir: o crescimento geométrico de outras religiões - muçulmanos, budistas, etc... - e o crescente encolhimento dos cristãos, de um modo geral e dos católicos, de um modo especial!
. Qual o futuro que nos espera, daqui a 30, 50, 100 anos? Que tipo de valores e que tipo de pessoas estarão ditando as regras do mundo futuro?
. A iniquidade do ser humano parece se potencializar, à medida que é praticada dentro de uma estranha miscigenação com divindades e com o sobrenatural. Pois, nesses casos, ela se legitima e se justifica com mais facilidade! 
. Ficamos hoje todos nós estarrecidos com a decapitação de pessoas, com o sequestro e a escravização de meninas, com o assassinato de milhares de pessoas comuns através de bombas suicidas, com a destruição de monumentos seculares de civilizações antigas e outras barbaridades desse tipo, tudo isso perpetrado sob a bandeira de um deus e de uma crença religiosa!
. Infelizmente, com nossa memória curta, nem nos lembramos mais que idênticas barbaridades foram cometidas durante séculos, igualmente sob as bênçãos de um deus e de uma religião: o nosso Deus e a nossa religião católica!
. Lembrem-se da quase demonização da mulher, pregada em nome de Deus por santos como Sto. Agostinho, Sto Tomás de Aquino, Sto. Afonso Maria de Liguori e outros doutores da Igreja (1)... Lembrem-se da escravização de meninos utilizados como objeto de prazer sexual por reis e poderosos abençoados pela Igreja... Lembrem-se da castração de jovens impúberes, para não perderem suas vozes cristalinas e continuarem a cantar nas Catedrais Católicas.... Lembrem-se da escravização de negros, capturados como animais na África e levados para a serventia de poderosos, de Padres e Bispos das Américas. Lembrem-se do sacrifício de tantas pessoas, filhos de Deus como nós, e queimados vivos em praça pública, por terem opiniões diferentes dos luminares da Igreja (2 )... Lembrem-se da escravização de jovens mães solteiras, entregues por seus pais católicos aos conventos de freiras e que perdiam seus filhos nascidos do amor, mas ilegítimos e os viam serem vendidos por altos valores, para abastados católicos de todo o mundo (3)... Lembrem-se da destruição de civilizações inteiras e de monumentos seculares, perpetrados pelos colonizadores católicos espanhóis, aqui nas Américas, em nome de Deus e sob as bençãos da Igreja!...
(1) - Veja Uta Ranke Heinemann, Eunucos pelo Reino de Deus, Ed. Rosa dos Ventos
(2) - Veja História da Inquisição
(3) - Veja o Filme Filomena, do Diretor Stephen Frears, 2014.
. Enfim: nada muito diferente das atrocidades que vemos acontecer hoje e que tanto nos chocam!
. O que acontece hoje é deveras preocupante, principalmente porque acontece em nome de deus e de uma crença! Mas é algo que sempre aconteceu no passado, em intensidades maiores ou menores, mas igualmente em nome de um deus e de uma crença!
. Esses parecem ser os ciclos repetitivos pelos quais passa a humanidade, cada vez mais egoísta, mais cruel, mais dura com seus semelhantes e, agora, ainda onerada com a culpa da gradativa destruição da própria condição de vida na terra.
. Repetindo: Qual o futuro que nos espera, daqui a 30, 50, 100 anos? Que tipo de valores e que tipo de pessoas estarão ditando as regras do mundo futuro?
. São questões polêmicas, são dúvidas instigantes, são incertezas que nos fazem refletir!... Principalmente, quando insistimos em misturar realidades que não têm nada a ver, uma com a outra, como: Deus e Religião!
. E foi nesse cenário e nesse momento, que me chegou às mãos, o sonho abaixo, do amigo e colega de trabalho por tantos anos, o Engenheiro, sociólogo e escritor, Manfredo Rosa. Sonho esse que reproduzo abaixo, para seu conhecimento e sua reflexão!... Este será o nosso futuro? (Márcio Dayrell Batitucci) 

Até que enfim. 
. Quinta feira passada me submeti a uma cirurgia. 
. Nos encantadores dez segundos que decorreram entre a colocação da máscara de oxigênio sobre o meu nariz até o momento em que apaguei, tive um sonho.
. Finalmente o tal de mundo se acabou.
. Encerrava-se o ano de 2088. A folhinha Mariana exibia o dia 25 de dezembro, sábado, precisamente 70 anos depois que o Anjo do Senhor desceu até à Terra para por fim a esse velho mundo. No distante ano de 2018, alguns profetas iluminados bem que avisaram com alguns meses de antecedência que o Deus de todo o universo, finalmente, inevitavelmente, decretara o fim de todos os tempos. Muito pouca gente acreditou, já que tantas vezes tinham anunciado a chegada desse terrível dia de ira e nada se passara. Amanheceu o dia 26 de dezembro e, mais uma vez, nada ocorrera. Os mais crédulos saíram aliviados dos templos para onde se dirigiram para assistir aos cultos especiais preparados pelas denominações de todos os tipos, orando pela misericórdia divina. E o tal do mundo não se acabou, repetiam todos com alegria aquele bem humorado mote de famosa canção da MPB do tempo antigo, cantado por Carmen Miranda.
. Mas, porém, decorridas algumas semanas, mais ou menos por ali, no final de janeiro de 2019, algo estranho começou a ser observado. Os adivinhos de todos os tipos, esses privilegiados que detém o poder da ligação direta com a transcendência, foram logo procurados para explicar o fenômeno. Os gurus estavam, ao mesmo tempo, atônitos e eufóricos. Vencida as dificuldades geradas pela surpresa, aos poucos formaram diversas conjecturas, para mais adiante, aventar a hipótese que o mundo teve fim sim, mas não com o esfacelamento da mãe Terra provocado por queda de grandes corpos celestes flamejantes, ou algo assim, como sempre se imaginou, tudo se pondo a arder em chamas apocalípticas. Sim, porque contadas mais algumas semanas, principalmente durante e após o carnaval de 2019, ninguém mais então tinha dúvida e confirmava-se a última revelação mais aceita. Deus decidira pelo fim, mas da humanidade somente, optara pela extinção sim, mas somente da sua última e mais querida criação. Foi o que se viu: dos Apeninos aos Andes, de São Francisco a Pequim, nenhuma fêmea da espécie Homo Sapiens Sapiens, conseguia mais se engravidar. Confirmavam-no as recém-casadas, ou as mães solteiras determinadas, todas enfim que ansiavam por um filho. Por mais que insistissem não conseguiam. 
. Estudos complementares dos cientistas levaram à conclusão que falanges celestes sobrevoaram toda a face da terra no Natal de 2018, e visitaram, uma a uma, todas as casas, em todos os países. Percorrendo mansões ou favelas, casas grandes ou senzalas, palácios ou malocas, esterilizaram para sempre, todos os homens e mulheres viventes nos quatro cantos do mundo, incluindo os indivíduos da espécie ainda em formação nos ventres de suas mães. Deus mostrava-se então, não mais como aquele do tempo do velho testamento, quando mandava pregar o amor no varejo, mas orientava que se aplicasse o ódio no atacado. Passava agora à sua infinita misericórdia e optou pela não violência, ou seja, extinção por meios que minimizassem as angústias, de maneira que menos choro e ranger de dentes provocassem. E assim foi. A partir daquela data toda a espécie perdeu a capacidade de reprodução.
. Oráculos e Pitonisas deitaram e rolaram no tema. Os mais iniciados montaram interessante história. Segundo alguns, Deus já vinha amadurecendo essa ideia desde o final do século XVIII. Com o recrudescimento da injustiça e da maldade humanas, principalmente no correr do século XIX e, mais ainda na centúria que se seguiu. Ele, o Alfa e o Ômega, estava com o dedo coçando para por em prática seu intento. Alguns poucos adivinhos, bem remunerados, diziam que a gota d’água foi jogada pelo Brasil. Foi eçepaiz que deu o empurrãozinho final. O Pai Todo Poderoso, o magnânimo, o justo, não tolerou mais ver o chão e a gente de sua preferência especial se afundar em todas as maldades que o homem pode inventar, mas pior, todas juntas de uma só vez, sem faltar alguma. Era afronta demais. Já é difícil aceitar um país com tamanha desigualdade social. Um outro ali ser violento, também é preciso corrigir. Acolá podemos ver alguns bem corruptos e isto é abominável. Ai, as minhas criancinhas, exploradas, pelo trabalho ou sexualmente, trazem até a mim um clamor tremendo. Mas, tudo isto ajuntado, é preciso botar um fim.
. Em março de 2019, três meses depois do início do fim, o presidente recém-eleito do Brasil era do sexo masculino. Sua primeira providência foi baixar um decreto exigindo que fosse chamado de presidento nos documentos e tratamentos oficiais. A norma também determinava que dentista, alpinista, maquinista, foguista etc. quando exercida por homem, deveria ter a referência flexionada com final o, masculino. Resultou daí uma grita muito grande dos membros do GLS. Diziam que era preconceito e invocavam mesmo a inconstitucionalidade do diploma, pois induzia as pessoas a pensarem que existiam somente dois sexos. 
. Quando o presidento tomou posse, a administração executiva federal contava com 48 ministérios. Com a confirmação do fim do mundo foram criados mais três. O Ministério de Desdesenvolvimento, para tratar dos problemas decorrentes da perspectiva da inexorável marcha da queda do PIB, o Ministério do Rearranjo, para acompanhar a necessidade de mudanças de ramos de trabalhos e o Ministério dos Com Teto, para avaliar os impactos sobre a prevista crescente oferta de moradias, desequilibrando o mercado. 
. Os primeiros setores da economia que começaram a sentir o baque foram os ligados à natalidade e a infância. A Johnson & Johnson logo fechou a divisão de fraldas e, é claro, aumentou o preço dos outros produtos para compensar. Os pediatras retomaram os estudos para mudar de especialidade. Mais um pouco e deixaram de existir os cursos maternais e as creches. Ao contrário, os produtos e serviços ligados à geriatria divisavam promissores horizontes e os preços das ações na bolsa subiram.
. Os laboratórios bem que tentaram inseminações, mas, contudo, não deu certo porque (depois perceberam) os poucos óvulos disponíveis foram atingidos pela certeira determinação divina. Os bilhões de espermatozoides estocados em vários bancos mundo afora se tornaram inócuos.
. A Terra em si, continuou a mesma, dando suas voltas, do mesmo modo como vinha fazendo nos últimos 4 bilhões de anos. Eppure si moveva, totalmente indiferente ao destino de uma das espécies animais que abrigava. Claro que também não percebia as vantagens da nova conjuntura, com os progressivos ganhos em preservação ambiental, decorrentes da diminuição gradativa da quantidade de pessoas, os maiores predadores do meio ambiente.
. O Criador, lá do alto, pachorrento, em bonomia, sem perturbar seu ócio, detendo todo o tempo que fosse necessário, aguardava sem pressa alguma o correr do tempo e, com ele, o fim de todos os males da humanidade. 
. Nas festas de fim do ano de 2041, Roberto Carlos anunciou que aquele seria seu último show na TV e que iria se aposentar. E em 2054 teve lugar a última Copa do Mundo, não sem muita dificuldade para montar os times, pois todos os jogadores eram bem veteranos. O Brasil foi eliminado na fase de grupos. Perdeu de 3 a 0 para o Peru, e de 12 a 0 para a Argentina.
. Por volta do ano de 2061 a população global somava 3,9 bilhões de pessoas. Os caçulas eram já quarentões. Quase ninguém morava em lugares como Sibéria, Canadá etc. O Brasil era ocupado pela metade da população que tinha antes da tremenda passagem de Gabriel. Nessa altura, o problema da educação já tinha terminado faz tempo. O petróleo valia 30 centavos de dólar o barril. Por isto, ocorreu então um fenômeno importante. Não mais havia necessidade de guerras e a indústria bélica nos grandes impérios (ianque, soviético, judeu etc.) fechou as portas. Resultou dai, então, uma crise profunda. As teorias econômicas retornaram para o seio de Smith, Ricardo e outros. Embora os trabalhadores não precisassem mais se unir, Marx ainda resistia porque as religiões continuavam vivas, entorpecendo as pessoas, mormente agora, nesses tempos que confirmam, de forma inquestionável, a existência de Deus, após Ele ter retomado à ideia de influir diretamente sobre a vida real dos homens, passados quase quatro mil anos de ausência.
. A deflação era galopante, mas o governo brasileiro dourava a pílula dizendo que, na verdade, tratava-se de inflação negativa.
. Por volta de 2089, com a escalada da violência, a população do Brasil não alcançava 28 milhões, todos com 70 anos ou mais. O PIB, é claro, despencava a cada ano. O governo tomava as devidas providências para não ver minguar a arrecadação. Aumentava assustadoramente as alíquotas dos impostos, procedimento que continuava chamando de ajuste fiscal. Nessa altura do campeonato o brasileiro precisava trabalhar onze meses para satisfazer o apetite do combalido Leviatã. A câmara federal somava 1837 membros e os senadores ocupavam 478 assentos. Alguns de minorias étnicas, outros gays e lésbicas, mas todos eles eram evangélicos, pois que, nessa altura do campeonato, quem fez as leis já tinha aberto mão de tudo, pouco importava. A igreja abrigava todo mundo, sem preconceitos. Ah! Havia também entre os parlamentares uns três cientistas sociais. Suas excelências já não tinham mais acesso a propinas porque os empreiteiros foram, aos poucos, um eliminando o outro, até restar somente uma única empresa que cuidava de todas as obras, sem concorrência e, portanto, não tinha sentido subornar. Os políticos passaram a ser honestos. O funcionalismo público triplicara de tamanho no correr da segunda metade primeiro século do segundo milênio da era cristã. Os 86 ministérios foram aumentados de mais um: os do Sem Terra, pois, embora milhões de quilômetros quadrados devolutos já estivessem disponíveis na Amazônia, no Pará, no Mato Grosso, na Bahia etc. as fazendas somente eram exequíveis nos arredores de Campinas, Curitiba, Porto Alegre, Brasília etc. O movimento era fortíssimo. 
. Em São Paulo, agora com 400 mil habitantes, o sistema Cantareira exibia excesso de água, ameaçando avançar por sobre as barragens. O rio Juqueri transbordava borbulhante e límpida linfa que quase dispensava tratamento.
. Mas, já na virada para o segundo século do segundo milênio da era cristã, a humanidade, agora tão pequena, vivia tempos muito difíceis. A população cada vez mais envelhecida, menos força dispunha para resistir o agudo da vida e os rigores do tempo. As taxas de mortalidade aumentavam cada vez mais. No ano de 2105, os últimos três anciões que restaram em Araxá, pegaram um Ford Ka velhinho e rumaram para a então vila de Belo Horizonte, único lugar em Minas Gerais onde ainda se podia contar com capacidade de sobrevivência. Contudo, seus 1.800 habitantes, já bem idosos, não durariam muito tempo mais. 
. Nessa época o Brasil perdia os seus títulos. Não era mais o país mais corrupto do mundo, não envergava mais a tão vergonhosa desigualdade social (entre as dez piores do globo terrestre), extinguia-se praticamente a prostituição, a exploração sexual infantil, o trabalho infantil, o tráfico de drogas e tantas mazelas mais. O país que nunca deu certo se livrava agora de seus maiores pesadelos. Porém, muito infelizmente não adiantava mais coisa alguma.
. Finalmente, uns dois anos depois, em 2107 sobravam apenas 1600 almas aqui no Pindorama. Moravam todas elas em Brasília Eram senadores, todos agora abençoados e salvos porque não roubavam mais nem um tostão furado e tinham que plantar e colher para sobreviver. A Câmara dos Deputados fora extinta porque não havia força mais jovem para tocá-la, como de sorte, também o executivo já não existia algum tempo antes disso. Igualmente, o Judiciário fora extinto porque não havia quem nomeasse os ministros. O processo de ocupação de lugar se invertia. Já o cetro não mais tocava a terra e também a toga desaparecera. Sobrava assim somente a mitra, mesmo assim, desbotada, enfraquecida. 
. Ah! O INSS não mais era deficitário. E como não havia mais banqueiros, a dívida interna foi cancelada por si só. Tampouco adiantaria se existisse porque não se recolhiam mais impostos. Deu-se a moratória positiva.
. Em 2110, somando 91 invernos, morriam os dois últimos tupiniquins, segundo bizarro episódio. Deu-se assim: os dois senadores, disputando quem seria o presidente da casa, levaram a pendenga às vias de fato. Um se atirou sobre o colega e o matou a facadas. Depois, tomado de profundo arrependimento, o último brasileiro se suicidou, valendo-se de método que fazia acontecer, pelo menos aqui no país do futuro, o grande sonho de Poincaré: o último pastor se enforcara com as tripas do último sociólogo.
. Em 2128, restavam umas sete mil pessoas esparramadas aqui e ali nesse mundão afora. Todos soprando 110 velinhas ou mais. 
. E, finalmente, no ano da grande graça de 2134 desaparecia a último Homo Sapiens, nada Sapiens. Era uma japonesa esclerosada que tinha acabado de completar 116 anos de existência. Morreu de desnutrição, pois não havia mais quem lhe desse de comer. Pela janela, do lado de fora do abrigo, um macho fuscata observava a cena com olhar indagativo. Desaparecia da face da terra toda a injustiça. Claro que Deus não se arrependeu de sua grande recente obra. Ao contrário, viu tudo o que havia feito e tudo havia ficado muito bom. Passaram-se a tarde e a manhã, esse foi o oitavo dia. Recuperara o Onipotente, pelo menos alhures, sua boa reputação. (Manfredo Rosa, engenheiro, sociólogo e escritor)

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