18 de fev de 2015

A ordem desordenada continua...

• Está prestes a chegar ao fim o mistério mais aguardado em Brasília e nas rodas políticas; passado o Carnaval, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, irá denunciar os políticos, reeleitos ou não, que estão envolvidos na Lava Jato; para a presidente Dilma Rousseff, é importante saber quais são os nomes da base aliada; na oposição, liderada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), o clima é de apreensão com o possível envolvimento de tucanos; no Legislativo, os presidentes Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Renan Calheiros (PMDB-AL) terão que administrar processos de cassações e saber se eles próprios serão citados na denúncia de Janot; estima-se denúncia contra 70 políticos. 
• Nota assinada pelo presidente Marcus Vinícius Furtado Coêlho e por outros dirigentes da Ordem dos Advogados do Brasil, divulgada nesta terça-feira, enquadra o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa; O advogado possui o direito de ser recebido por autoridades de quaisquer dos poderes para tratar de assuntos relativos a defesa do interesse de seus clientes. Essa prerrogativa do advogado é essencial para o exercício do amplo direito de defesa. Não é admissível criminalizar o exercício da profissão, diz o texto; Barbosa, que é pré-candidato à presidência da República em 2018, disse falar em nome dos brasileiros honestos e exigiu a demissão do ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça, que recebeu advogados de empresas investigadas na Lava Jato; acabou como a piada do Carnaval 2015. 
• Vai-Vai é campeã em SP com homenagem a Elis Regina. 
• No Rio, a leveza e alegria da Portela podem esbarrar na exuberância da Beija-Flor ou no desfile técnico da Unidos da Tijuca, na disputa do título do Grupo Especial do carnaval carioca - a apuração vai ser na tarde desta quarta-feira, 18. Elas estão na mesma condição de favoritas ao lado de Salgueiro e Mocidade Independente, que se apresentaram na primeira noite. 
• Dilma nunca investiu tão pouco contra corrupção - Reservou apenas R$ 745 mil em prevenção à corrupção ao longo de 2014. O montante é o menor aplicado pelo governo federal durante a gestão da petista, e vai em contramão ao pacto anticorrupção, lorota que deve ser anunciada nos próximos dias. De acordo com o Portal da Transparência, em quatro anos Dilma destinou mais de R$ 10 milhões ao combate a bandalheiras como o Petrolão. Sob análise da questão prioridade, o valor investido contra corrupção em quatro anos é irrisório comparado aos R$ 65 milhões gastos por Dilma com cartões corporativos em 2014. 
• O prédio da Petrobras, na Avenida Chile, no Rio, inaugurado em 1974, foi considerado grandioso para os padrões da época: ocupa área de 115 mil metros quadrados, tem 110 metros de altura, foi construído de pranchetas que participaram de concurso promovido pelo Instituto de Arquitetos do Brasil e seus cubos separados geometricamente ganharam jardins suspensos projetados por Burle Marx. Tem o nome de Marechal Ademar de Queiróz, militar que ocupou a presidência da estatal entre 1964 e 1966, no começo da ditadura militar. 
• Pegou muito mal - Anderson Silva e Nick Diaz não compareceram à audiência da Comissão Atlética de Nevada, realizada nessa terça-feira (17), em Las Vegas (EUA), mas uma decisão foi tomada pelos representantes da entidade. Ambos os atletas foram suspensos provisoriamente por unanimidade até a próxima reunião da Comissão, que em breve será agendada, provavelmente para março. 
• Jorge Loredo, o Zé Bonitinho, está internado na UTI do Hospital São Lucas, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Motivos da hospitalização do artista, de 89 anos, não foram revelados./ 

Os empreiteiros poderão ser libertados em massa.
. No Judiciário, mais do que no Executivo e no Legislativo, age-se por metáforas. Não raro por mensagens cifradas. Sinais costumam ser enviados nas entrelinhas, que só os iluminados percebem.
. Acaba de se verificar uma dessas situações. Sem maiores explicações, o ex-ministro Joaquim Barbosa veio a público pregando a demissão do ministro da Justiça. Quis atingir que objetivo, além da pessoa do próprio?
. Nos corredores do Supremo Tribunal Federal, decifra-se o enigma. O polêmico ex-presidente da casa dirigia-se a seus pares, alertando-os para as consequências de gravíssima decisão capaz de ser tomada nos próximos dias: a libertação de todos os empreiteiros presos desde novembro em Curitiba!
. É o que se trama na mais alta corte nacional, com a participação do ministro da Justiça. A maioria dos doutos juristas estaria inclinada a conceder habeas-corpus para os presos, sob o argumento de que não representam perigo para a ordem pública e dificilmente fugiriam para o estrangeiro, dado o confisco de seus passaportes. Pesa na singular determinação o fato de estarem submetidos a regime carcerário bastante precário, com muitos dormindo no chão, em colchonetes, por falta de instalações mais convenientes na Polícia Federal da capital paranaense. Além, é claro, de disporem de recursos ilimitados para pagamento dos melhores advogados do país. Some-se, também, o estado psicológico de muitos deles.
. Caso se concretize a hipótese engendrada em surdina, ficará demonstrado que a Justiça, no Brasil, não é a mesma para pobres e ricos. Os empreiteiros voltariam ao luxo de suas residências para enfrentar longos processos na primeira instância federal e depois nos tribunais correspondentes. Apesar da inflexibilidade do juiz Sérgio Moro, estariam vitoriosos, mais ou menos como estão, hoje, muitos condenados no processo do mensalão.
. Joaquim Barbosa, apesar de retirado, percebeu a trama e dispôs-se a denunciá-la, mas por via transversa. Mirou no ministro da Justiça certo de atingir seus antigos companheiros. Presta mais um serviço, ainda que sem certeza de obter sucesso. No caso, a permanência dos bandidos na cadeia pelo menos até seu julgamento.
. Resta aguardar os próximos capítulos dessa novela de horror, capaz de desmoralizar a confiança que se vinha tendo na Justiça, porque os ladrões de galinha continuam submetidos a maus tratos e sem esperança de receber as benesses da lei. O escândalo na Petrobras poderá reverter em benefício de seus mentores. (Carlos Chagas)

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