11 de dez de 2014

A emoção que não respeito....

 photo _anoescape.jpg Tanta preocupação com que? - TSE aprova contas de campanha de Dilma. Gilmar Mendes refuta tese de voto parcial: sem maior prazer com relatório. Plenário seguiu relator, que fez ressalvas, de maneira unânime. Ministro sugeriu mudanças em sistema de prestação de contas, e rebateu teorias conspiratórias sobre seu voto.

A descoberta de um contrato entre a consultoria de José Dirceu e a Camargo Corrêa está sendo visto como o elo que faltava de uma suposta triangulação promovida pelo ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, indicado pelo ex-chefe da Casa Civil e a empreiteira. Dessa forma, teria garantido sua participação nos contratos da estatal. A Camargo Corrêa também fazia grande doações legais para o PT, além de supostas remessas de dinheiro para o Exterior determinadas, eventualmente, pelo próprio Renato Duque. A diretoria de Serviços da Petrobras sempre foi considerada um feudo de Dirceu.

Em depoimento para a Comissão Nacional da Verdade, o ex-presidente Lula, lembrou os tempos em que ficou preso no Dops, em São Paulo, quando o diretor era Romeu Tuma. No dia da prisão, o ex-chefe do Governo confessou que temia ser assassinado: contudo, não sofreu maus tratos na repartição policial. Em seu livro Assassinato de Reputações, o ex-secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr. diz que Lula era muito bem tratado: dormia num sofá, a comida não era a mesma dos presos, tinha televisão e outras mordomias, proporcionadas por Tuma (pai), que até permitiu que ele fosse ao enterro de sua mãe.

Lula compara Lava-Jato ao mensalão e diz que imprensa irá julgar o PT antecipadamente. Aqui

A vaca foi para o brejo? 

A única maneira de se ter esperança no Brasil de hoje é acreditar que os escândalos a que assistimos sejam o indício de uma mutação histórica, para melhor.

Nunca vi nada igual. Todas as certezas estão desabando, toda fé, todas as esperanças morrem diante dessa abundância de escrotidões, esse despautério de horrores. A gente liga a TV, lê o jornal e cai em cava depressão. Tudo o que é sólido desmancha no ar, como disse Marx, tão mal entendido pela esquerda burra que tomou o poder na base de mentira e fraudes, como vemos com as granas legais que a tesouraria do PT recebeu dos restos de propinas. A velha esquerda sempre foi um sarapatel de populismo, getulismo tardio, leninismo de galinheiro e desde 2002 inventou a adesão monstruosa aos velhos roubos da velha direita.

A chegada do PT ao governo reuniu em frente única: as oligarquias privadas com o patrimonialismo do Estado petista. Foi o pior cenário para o retrocesso: Sarney, Calheiros, até o Collor, unidos aos idiotas bolivarianos. Essa base de ação foi o adubo para os crimes da Petrobras e outras dezenas de roubalheiras em hidrelétricas, aeroportos, portos, tudo.

O advogado de um dos acusados disse a frase síntese: No Brasil, se não der uma grana na mão dos governantes, nem um paralelepípedo você coloca no chão. E é o pais inteiro, não apenas a PTbras.

Mas, de quem é a culpa disso tudo?

Claro que a responsabilidade principal é a aplicação bolchevique do toma lá, dá cá, através do presidencialismo de cooptação para obter apoio dos partidos, ou seja, a corrupção permitida e estimulada é o motor petista da governabilidade. Pode uma coisa dessas?

Será que os costumeiros ladrões já sacaram que a mão grande é o novo hype?

A destruição da Lei de Responsabilidade Fiscal que Dilma iniciou é o exemplo dessa permissividade. Cada prefeitura do país vai partir para gastos corruptos. As instituições democráticas estão sem força, se desmoralizando, já que o próprio governo as desrespeita.

Será que é culpa dos organismos arcaicos do Poder Judiciário?

Ou será o surgimento de novos problemas que não são solucionáveis com os velhos mecanismos de poder?

Mas o que preocupa é que todo esse gigantesco volume de crimes denunciados possa gerar um congestionamento na Justiça, uma turbulência irreversível que transforme tudo numa massa jurídica informe. O exército de advogados já está convocado para novas e caras chicanas. O que estamos vivendo pode virar um apocalipse institucional.

O Brasil está irreconhecível. Nunca pensei que a incompetência casada com o delírio ideológico promoveria este caos. Há uma mutação histórica em andamento, como disse acima, mas que pode ser para pior, para um quarto mundo. Esse desastre me lembra a metáfora de Oswald de Andrade, de que as locomotivas estavam prontas para partir, mas alguém torceu uma alavanca e elas partiram na direção oposta.

Isso causa não apenas o caos administrativo como também provoca uma mutação na mente e no comportamento das pessoas.

O Brasil está sendo desfigurado dentro de nossas cabeças, o imaginário nacional está se deformando.

Há uma grande neurose no ar. Cria-se uma vontade de fuga. Nunca vi tanta gente falando em deixar o país e ir morar fora.

As mudanças mentais são visíveis: nos rostos tristes nos ônibus abarrotados, na rápida cachaça às 6 da manhã dos operários antes de enfrentar mais um dia de inferno, nos feios, nos obesos, no desânimo das pessoas nas ruas, no pessimismo como único assunto em mesas de bar.

Estamos experimentando sentimentos inesperados, dores nunca antes sentidas. Quais são os sintomas mais visíveis desse trauma histórico?

Por exemplo, o conceito de solidariedade natural, quase instintiva, está acabando. Já há uma grande violência do povo contra si mesmo. Garotos decapitam outros numa prisão, ônibus são queimados por nada, com os passageiros dentro, meninas em fogo, presos massacrados, crianças assassinadas por pais e mães, uma revolta sem rumo, um rancor geral contra tudo. Cria-se um desespero de autodestruição e o país começa a se atacar.

Outro nítido efeito na cabeça das pessoas é o fatalismo: É assim mesmo, não tem jeito não. O fatalismo é a aceitação da desgraça.

E crescem a desesperança e a tristeza. O Brasil está triste e envergonhado.

Essa fragilização da democracia traz de volta também um desejo de autoritarismo na base do tem de botar para quebrar! Já vi muito chofer de táxi com saudades da ditadura.

A ausência de uma política contra a violência e a ligação de muitos políticos com o tráfico estimula a organização do crime, que comanda as cadeias e já demonstra uma busca explícita do horror. A crueldade é uma nova arte incorporada em nossas cabeças, por tudo que vemos no dia a dia dos jornais e TV. O horror está ficando aceitável, potável.

O desgoverno, os crimes sem solução, a corrupção escancarada deixam de ser desvios da norma e vão criando uma nova cultura: normalização da ignomínia; por trás do crime e da corrupção, consolida-se a cultura da mentira, do bolivarianismo, da preguiça incompetente e da irresponsabilidade pública.

Vivemos um paradoxo, um pleonasmo: aqueles que pensam não sabem o que pensar - como refletir sem uma ponta de esperança? Todos falam: precisamos fazer isso, fazer aquilo, mas ninguém sabe quem fará. Temos aí a nova escola crítica: a análise impotente da impotência, a contemporaneidade pessimista de intelectuais, a utopia da distopia.

É difícil botar a pasta de dente para dentro do tubo. Há uma retroalimentação da esculhambação generalizada que vai destruindo as formas de combatê-la. Tecnicamente não estamos equipados para resolver as deformações que se acumulam como enchentes, como um rio sem foz.

O Brasil está sofrendo uma mutação gravíssima, e nossas cabeças, também. Sempre ouvimos que o Brasil estaria à beira do abismo; será que já caímos nele? Será que a vaca já foi para o brejo? (Arnaldo Jabor)
Nós e nossos descendentes que nos perdoem, mas tudo sugere uma resposta afirmativa à pergunta do Jabor...
A Comissão da Mentira e as bobagens ditas por um ministro do Supremo e pelo - podem rir! - coordenador nacional da verdade; nem o stalinismo tinha um desses! 

Ai, ai… Quando eu começo assim, leitor, é porque a estupidez desperta em mim certa preguiça intelectual; é quando penso: Contestar Fulano e Beltrano não é nem certo nem errado, é inútil. Mas depois vem o senso do dever. Então parto pra briga, também ela intelectual. A Comissão Nacional da Verdade concluiu o seu trabalho. Aponta 434 mortos durante o regime militar, acusa a responsabilidade de 377 pessoas, cobra a revisão da Lei da Anistia e propõe a desmilitarização das PMs - seja lá o que isso signifique. De maneira indecorosa, a comissão ignorou os assassinados por grupos terroristas: há pelo menos 121. Não! Esses cadáveres não contam. Não devem entrar na categoria de carne humana. Também os atos violentos dos grupos terroristas foram banidos da verdade. E as besteiras a respeito já começam a vir a público.

Destaco, em primeiro lugar, a fala daquele que tem mais importância: Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo, segundo quem a validade da Lei da Anistia, a 6.683, de 1979, deve ser examinada de novo pelo tribunal. Explica-se: em 2010, o STF declarou a sua vigência plena. De acordo com o § 1º do Artigo 1º, estão anistiados todos aqueles que cometeram crimes políticos ou conexos - logo, anistiam-se todos: à esquerda e à direita; agentes do estado ou não; terroristas ou torturadores. Anistia tem a mesma raiz da palavra amnésia: não quer dizer perdão, mas esquecimento para efeitos penais. Isso não significa que fatos possam ser apagados da história - como a Comissão da Verdade tenta fazer, diga-se, com as vítimas das esquerdas. A comissão propõe frontalmente que se ignorem a lei e a decisão do Supremo.

Barroso, o mais esquerdista dos ministros da Corte, diz que o Supremo deve rever a decisão tomada pelo próprio tribunal. Sob qual pretexto? Reproduzo o que ele disse à Folha: O que é preciso saber é se lei [da Anistia] é compatível com Constituição e qual a posição que deve prevalecer (se do STF ou da Corte Interamericana). Esta situação de haver decisão da Corte Interamericana posterior à decisão do supremo e em sentido divergente é uma situação inusitada.

É mesmo? Vamos ver. Em primeiro lugar, o Supremo já decidiu que a Lei da Anistia é compatível com a Constituição, sim - sempre lembrando que ela foi aprovada antes da atual Carta Magna, que é de 1988. Fosse hoje, não haveria mais como anistiar pessoas que praticaram tortura, mas também não haveria como anistiar as que recorreram ao terrorismo. As duas práticas, segundo a Constituição, não são passíveis de graça, segundo o Inciso XLIII do Artigo 5º: a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;

Ocorre, meus caros, que a Emenda 26, que convocou a Assembleia Nacional Constituinte, tinha como pressuposto a anistia. Vale dizer: o ato fundador da nova Constituição incorporou a anistia por livre e espontânea vontade. Não foi um ato da ditadura, mas de um Congresso eleito de forma livre e soberana. Agora voltemos, então, a Barroso. Como é, ministro? Quer dizer que o Supremo brasileiro conta agora com uma instância revisora, que é a Corte Interamericana? Ora, tenha a santa paciência! Ou por outra: a instância máxima de decisão da República Federativa do Brasil não se encontra mais em solo pátrio? Só pode ser piada.

Não maior do que a contada por Pedro Dallari, que tem a simpática atribuição de coordenador nacional da Verdade. Uau! O Brasil não só tem uma verdade oficial como esta verdade tem um coordenador nacional. Nem o stalinismo teve um. Disse o rapaz: Nós defendemos que haja a responsabilização. Se o Poder Judiciário entender que não há necessidade de rever a lei, porque já pode haver a condenação.

Aí, então, é a jabuticaba das jabuticabas. O próprio Dallari admite que não há como jogar a lei no lixo. Não havendo, ele defende que se dê às palavras um sentido diferente daquele que elas têm.

Que coisa! A Comissão Nacional da Verdade quer nos fazer crer que só agentes do estado praticaram violência; que não houve terrorismo no Brasil; que as pessoas assassinadas pelos terroristas não eram humanas; que a emenda que convocou a Constituinte não foi aprovada por um Congresso soberano; que se pode dar a um texto legal a interpretação que lhe der na telha e que o Supremo Tribunal Federal está subordinado à Corte Interamericana.

E isso tudo, leitores, é apenas mentira! (Reinaldo Azevedo)
Antevendo recessão em 2015, setores do mercado já apostam que Levy não durará muito tempo. É incrível a velocidade com que tudo se deteriora, inclusive as expectativas. O que vai agora não é torcida, não - até porque ninguém sai ganhando se as piores previsões se concretizarem: governo, oposição, população… Ninguém! O fato é que, nos corredores do mercado financeiro, já começou a ser feita uma aposta: quanto tempo Joaquim Levy, futuro ministro da Fazenda, vai durar no cargo. E, obviamente, coisas assim não contribuem para aumentar a confiança no Brasil.

No começo do mês, o banco Morgan Stanley, por exemplo, cortou a sua projeção de crescimento para o ano que vem, que já vinha distante do magríssimo (nunca magérrimo!!!) 0,8% que era ventilado até dia desses pelo mercado, perspectiva agora assumida pelo governo. O Morgan transformou uma previsão de mero 0,3% positivo em 0,3% negativo. Vale dizer: para essa instituição bancária, o Brasil terá uma recessão no ano que vem.

Um conhecido que participou de recente jantar com diretores de bancos de investimento acompanhou, algo espantado, a avaliação, praticamente consensual, de que Levy não resistirá a uma recessão que também dão como certa em 2015: os otimistas falam em queda de pelo menos 0,5%; os pessimistas, de até 2,5%.

Uma coisa é produzir crescimento pífio, ou recessão mesmo, como se antevê, quando há um companheiro no comando da economia; outra, distinta, é ver o número negativo quando, no timão da economia, está alguém que a companheirada considera sapo de fora, um tucano infiltrado, a direita neoliberal.

Aguardem! (Reinaldo Azevedo) 

Falta mais nada... 

Vejam o nome que foi dado ao hospital de Maricá (RJ). Se não acredita, confira no site da Prefeitura de Maricá Aqui.

Quero ver se a população de Maricá vai engolir essa afronta, calada. Ter, em seu território, um hospital que homenageia, no nome, um porco assassino comunista que ceifou a vida de milhares de cubanos. (AC)

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