8 de nov de 2014

Enem, um salto na vida...

Campanha de vacinação infantil começa hoje em todo o Brasil.

Mais outro - Interino no comando da PM promete reestruturar e combater a corrupção no Rio.

Crise hídrica de São Paulo ameaça chegar ao Rio de Janeiro. Nível de água nos quatro reservatórios do Rio Paraíba do Sul, principal abastecedor do estado, está em 6% da sua capacidade. É o menor nível já registrado desde 1978. Dos quatro reservatórios que abastecem o Rio de Janeiro, três ficam em São Paulo.

Ora, ora, ora.... - Mantega anuncia novo ciclo na política econômica, mas analistas estão céticos. Ministro promete corte de despesas e de subsídios, mas mercados pressionam por novo nome da Fazenda e defendem choque de credibilidade.

Estelionato eleitoral e o desmonte dos bancos públicos.

O ministro da Fazenda e a presidente prometeram fazer exatamente o que criticavam na campanha de Aécio: reduzir o papel dos bancos públicos e as despesas do governo, inclusive os gastos sociais.

Hoje, eu realmente me surpreendi com a postura nada republicana do nosso ministro da Fazenda. Se ele tivesse um pouco de respeito ao cargo que ocupa escreveria uma carta para Armínio Fraga pedindo desculpas.

Para a surpresa de todos e espanto geral da nação, o nosso ministro da Fazenda declarou hoje em São Paulo que (veja aqui no UOL): ……uma redução no papel que os bancos públicos vêm desempenhando na política econômica e afirmou que os cortes de despesas em estudo pelo governo deve envolver a redução de subsídios financeiros….. Mantega citou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como um exemplo de onde poderia ocorrer essa redução.

Quando falávamos a mesma coisa, Mantega era o primeiro a nos acusar que queríamos fechar bancos públicos e cortar o PSI. O ministro vai fazer exatamente a mesma coisa e pior, pois dada a falta de confiança o custo do ajuste com eles terá que ser mais profundo.

Além de falar que vai diminuir os subsídios, algo que a candidata sempre negou ao longo da campanha eleitoral, o nosso ministro da Fazenda falou também esta manhã que: Do ponto de vista da política fiscal, temos que caminhar para um aumento gradual do [superavit] primário, em relação ao resultado de 2014, acrescentou. Para isso nós temos agora que fazer uma redução das despesas, uma redução importante das despesas.

Os dados fiscais de outubro já fechados e que serão divulgados apenas no final de novembro são tão ruins, do lado da despesa, quanto os de setembro. A despesa com seguro-desemprego e abono salarial, assistência social e previdência vieram novamente muito alto e o crescimento da despesa foi ainda maior do que no mês passado, quando tivemos um déficit recorde.

Na entrevista publicada hoje, no Valor Econômico, a presidenta já sinaliza a possibilidade de modificar o seguro desemprego, mudar o abono salarial e fazer uma reforma da previdência para endurecer as regras de concessão de pensão por morte. Isso é reduzir gasto social. Isso na linguagem da candidata Dilma é estelionato eleitoral.

Para terminar dois rápidos comentários. Primeiro, pelo andar da carruagem, Armínio Fraga será tido daqui a pouco tempo como um economista de esquerda. Acho que, em algum momento, Luiz Gonzaga Belluzzo pedirá ao Armínio e outros economistas que participaram da campanha do Aécio que assinem um manifesto contra as medidas heterodoxas deste governo (posso falar das elites?).

Segundo, a decepção dos movimentos sindicais e dos sindicatos dos bancários com a presidente Dilma não será daqui a um ano, mas sim daqui a algumas semanas. Isso vale também para muito dos economistas que assinaram o manifesto por desenvolvimento com inclusão social. Eu confesso que não esperava tanta maldade do ainda ministro Mantega e da presidente Dilma. Não me surpreenderia se Mantega continuasse no governo já que é o exemplo perfeito de uma metamorfose ambulante. (Mansueto Almeida, economista do IPEA) 

Brasil e Rússia: os emergentes vulneráveis 

Considerados os puxadores do crescimento global em 2010, Brasil e Rússia estão hoje perto da recessão. Entre as economias emergentes que enfrentam dificuldades, Brasil e Rússia parecem particularmente frágeis.

Os investidores em mercados emergentes sabem o quão rápido as coisas podem azedar. Conhecidas como os tigres asiáticos em meados de 1990 por seu ritmo de crescimento rápido, Indonésia e Tailândia estavam sofrendo crises cambiais e tiveram de ser socorridas pelo FMI em 1997. Quase 20 anos depois, dois membros dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), elogiados por terem sustentado o crescimento global em 2010, estão perto da recessão. O cenário no Brasil e na Rússia - moedas em queda, alta inflação e lento crescimento -, poderia tornar 2015 um ano muito ruim.

O problema vem fermentando há algum tempo. Mais de um ano atrás James Senhor, do banco Morgan Stanley, chamou Brasil, Índia, Indonésia, África do Sul e Turquia de os cinco frágeis dos mercados emergentes. Sua preocupação era que a combinação de inflação alta e grandes déficits em conta corrente tornavam essas economias muito dependentes de exportações. Suas moedas apareciam no topo da lista das mais propensas a cair. Quatro das cinco, desde então, perderam terreno face ao dólar, mas uma sexta moeda, o rublo russo, caiu ainda mais.

Estes países têm problemas comuns, particularmente a inflação elevada. Cada um dos cinco frágeis têm déficits orçamentários, o que significa que as dívidas estão se acumulando. No entanto, as suas perspectivas divergiram. Índia e Indonésia parecem estáveis. Os quatro restantes não estão se saindo tão bem. Brasil e Rússia, por outro lado, estão em muito mau estado.

Juntos, Brasil e Rússia, as duas maiores economias emergentes depois da China, têm o peso da Alemanha. Em ambos os países, a moeda está deslizando. O real despencou em novembro, após dados revelarem que o déficit orçamental atingiu um recorde em setembro. O rublo está caindo mais rápido, com queda de 27% em um ano e 10% no mês passado. Ambos enfrentam estagflação: preços borbulhantes, juntamente com taxas de crescimento que devem ficar abaixo de 1% este ano.

Alguns de seus problemas vêm do exterior. Os principais parceiros comerciais do Brasil estão em queda (China), estagnados (zona do euro) ou no fundo do poço (Argentina). Mas os problemas do Brasil e da Rússia têm raízes internas também. Dilma Rousseff tem provocado estragos nas finanças públicas do Brasil. Em 2014 os gastos se expandiram em duas vezes a taxa de receitas, apesar dos ganhos pontuais com a venda do campo de petróleo de Libra e do espectro de telecomunicações em 4G. A porcentagem da dívida do Brasil em relação ao PIB está crescendo rapidamente.

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