10 de set de 2014

Quem varrerá tanta corrupção?....

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Escândalos nas eleições se repetem no Brasil e têm desfecho incerto. Se for confirmado o relato do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, que teria acusado dezenas de políticos, entre congressistas, governadores e ministros, de envolvimento com um esquema de corrupção na estatal, o caso poderá se tornar o principal escândalo desta campanha eleitoral.

Segundo a revista Veja, os nomes (35, no total) teriam sido mencionados por Costa à Polícia Federal como parte de um acordo de delação premiada. A revista não deu detalhes sobre a denúncia exata e como estariam envolvidos os acusados. O jornal Folha de São Paulo afirma que foram citados mais de 60 políticos. Os mencionados que falaram sobre a reportagem negaram participação em qualquer esquema.


Escândalo na Petrobras agita cenário eleitoral - Supostas denúncias feitas pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa à Polícia Federal estremeceram o cenário eleitoral, a pouco menos de um mês para o primeiro turno das eleições.

Família pressiona doleiro por delação - Youssef poderia fazer acordo semelhante ao feito pelo ex-diretor da Petrobras.

Empresas investigadas na Lava Jato doam R$ 60 milhões a presidenciáveis e partidos.

Ex-diretor de distribuição da Petrobras movimentou R$ 36,9 milhões entre 2005 e 2014.

É Marina, mas podem chamá-la de Mudarina 

Não restam dúvidas que Marina é a candidata da mudança. Ela muda sem parar. Essa é sua Nova Política, uma mudança nova a cada dia. Não é possível acompanhar a labilidade de seu caráter ou de sua mente (AC)

Há um sentimento de mudança no ar. 12 anos de governo do PT desgastaram o partido na opinião pública. É natural. As contradições inevitáveis do exercício do poder, a relação com um congresso fisiológico, os interesses contrariados, os acordos inerentes à democracia, os escândalos. É mesmo surpreendente que chegue ao cabo desse período ainda como o partido de um quarto dos brasileiros e tendo o voto de metade deles.

Nesse cenário, surge a candidatura de Marina Silva, que encarna, sem sombra de dúvidas, a mudança, como provarei com os links abaixo. A começar pela mudança do cenário eleitoral. Depois de um suspeito desastre de avião (que alguns acreditam se tratar de um assassinato), Marina assumiu o lugar de Eduardo Campos como a candidata do PSB à presidência.

O compromisso de Marina com a mudança não é recente. Ele já se deixava sentir quando ela mudou de religião há poucos anos, abandonando o catolicismo de opção pelos pobres e abraçando o fundamentalismo da Assembleia de Deus, que tem entre seus quadros Silas Malafaia e Marcos Feliciano, e acredita que discursos inflamados e emissões vocais desordenadas são manifestações do próprio Espírito de Deus.

Depois Marina mais uma vez mudou quando saiu do PT por ter sido preterida na disputa interna do partido pela candidatura à presidência. Desde então ela iniciou um processo de mudança de crenças políticas que a tornou uma opção para os grandes meios de comunicação, os bancos e a classe média alta.

Primeiro mudou-se para o PV, ganhou apoio do Itaú, finalmente concorreu à presidência, perdeu, mas não desanimou. Tentou mudar o então partido assumindo-lhe o controle, mas como não conseguiu, mudou de novo e tentou criar a Rede. Também não conseguiu apoio suficiente para criar um novo partido, e então mudou-se, de novo, para o PSB. A ecologista aproveitou a mudança e mudou-se para um apartamento em São Paulo de um fazendeiro do DEM.

Num golpe de sorte, mudou de ideia na última hora e não embarcou com Eduardo no jato que o matou. Logo depois da tragédia, Marina mudou do papel de vice para o de viúva, declarando ter sido consolada da morte de Campos pela própria esposa dele. Com a má repercussão da declaração, ela mudou de postura e apareceu sorridente em seu velório posando para fotos ao lado de seu caixão.

E a mudança não parou mais. Mudou o CNPJ da campanha para não ser responsabilizada pelas irregularidades do jato fantasma de sua campanha nem indenizar as famílias atingidas pela tragédia. A pacifista mudou seu compromisso da Rede que proibia os candidatos pela legenda de receber doações de indústrias de agrotóxicos, de armas e de bebidas, e compôs chapa com o deputado federal Beto Albuquerque, político integrante da bancada da bala, financiada pela indústria bélica. Ele também é financiado por fabricantes de bebidas e agrotóxicos.

E mais mudança veio com um programa de governo que contrariava toda a sua história. Prometeu ao Brasil a volta da gestão econômica do PSDB. Mudou sua posição contrária à independência do Banco Central para garantir o apoio dos bancos brasileiros. Mais do que isso, prometeu mudar a legislação trabalhista promovendo a terceirização em massa, e prometeu acabar com a obrigatoriedade de função social de parte do crédito bancário, enterrando o crédito imobiliário. Mas isso não era mudança suficiente. Depois de quatro twittes ameaçadores de Silas Malafaia mudou a mudança do programa e se declarou contra o casamento gay.

Depois de um editorial do Globo, também mudou a sua posição sobre o pré-sal, que prometera abandonar, e depois, mudou a posição sobre a energia nuclear. Depois de uma vida de batalha contra os transgênicos, Marina, pressionada pelo agronegócio, também mudou e abandonou seus compromissos ecológicos.

Mudou também sobre a transparência política. O ministro Palocci caiu por não revelar os nomes das empresas que contrataram seus serviços antes do governo. Mas ela hoje, candidata, se nega a dizer a origem de 1.6 milhões de seus rendimentos, e declarou um patrimônio de somente 135 mil reais ao TSE. Uma senadora da República.

Finalmente, há três dias Marina mudou sua opinião sobre a tortura, que antes considerava crime imprescritível, e passou a ser contrária a revisão da lei de anistia. Ontem, ganhou o apoio do Clube Militar. Marina muda tanto que acabou por declarar seu programa de governo todo em processo de revisão. Isso é realmente novo na política. Ela é a primeira candidata da história do Brasil que descumpre seu programa de governo antes de chegar ao poder.

Por tudo isso, não restam dúvidas que Marina é a candidata da mudança. Ela muda sem parar. Essa é sua Nova Política, uma mudança nova a cada dia. Não é possível acompanhar a labilidade de seu caráter ou de sua mente. Ou ela mente. Não importa. O que importa é que Marina representa a mudança, a mudança de um Brasil aberto e tolerante para um Brasil refém da intolerância fundamentalista, de um Brasil voltado para sanar a dívida com seu povo humilde para um Brasil escravo de seus bancos, de um Brasil democrático para um Brasil mergulhado em crise institucional.

Por isso eu mudei também. Entrego essa semana meu pedido de desfiliação do PSB e cerro fileiras contra essa terrível mudança que ameaça nosso país. Não é possível submeter o Brasil a essa catástrofe. Marina Silva é uma alma em liquidação. Qualquer um pode exigir que ela mude uma posição por um punhado de votos. Mas aproveitem logo. Essa promoção é por tempo limitado. (Gustavo Arja Castañon, doutor em psicologia e professor de filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora. Colabora com o Quem tem medo da democracia?, onde mantém a coluna Non abbiate paura.) 

Comments: 

Independente da ímpar acertividade do texto em relação a candidata guerreira comunista da selva acreana promovida pelo autor, fico impressionando com a quantidade dos tais intelectuais semi-alfabetizados e çabios de piroga, que militam em nossas universidades brasileiras.

Eis a razão da péssimo ensino propalado nestas universidades, especialmente as públicas, quando estes mestres de araque ensinam, por serem ridicularmente de norte socialistas, não raro filiado a estas armadilhas partidárias ideológicas vetustas, velhas lições do velho marxismo decadente, equivocado e estúpido! Se a elite dos professores assim pensa politicamente, coitado dos jovens que estudam nestas pocilgas do erro, do ateísmo e da ignorância.

Oh! raça de professores (?!) eunucos mentalmente e burros de capacho, o fogo do inferno vos espera, corja de canalhas vermelhos!!!

Coitado do brasil, pátria gentil!!! Coitados dos universitários brasileiros nas mãos desta gente malsã! (Nelson Mendes Barbosa, Boa Vista, RR) 

O vice de Aécio é um ex-guerrilheiro. 

Desta, eu não sabia: o vice de Aécio, Sen. Aloysio Nunes, foi um dos guerrilheiros de linha de frente que lutaram contra os governos militares das décadas de 60/70. Atuou muitas vezes como motorista de Carlos Marighella nos assaltos e atentados promovidos pelo seu grupo, além de outras atividades, conforme relatadas pelo Juremir no texto abaixo. 

Cheguei a pensar que a nota do Correio do Povo era falsa, mas, buscando no Google, encontrei trocentas confirmações. Ei-las abaixo, nos links encontrados (copiei duas apenas, das mais idôneas), para quem quiser conferir. Na sua página, aqui, Aloysio fala muito superficialmente da sua carreira como elemento subversivo:

Revista Carta Capital:Leia

Folha de São Paulo (biografia guerrilheira mais completa): Leia

O texto abaixo é de autoria do jornalista e historiador Juremir Machado da Silva, de credibilidade inquestionável, cuja biografia segue no final do seu texto.

Resta saber se o sujeito ainda acaricia aquele velho sonho de transformar o Brasil numa Cuba continental. Em caso afirmativo, significa que, se Aécio vence e morre de morte matada como, ao que tudo indica, aconteceu com o Eduardo Campos, o Brasil ficará pior do que com Dilma, e o caminho para uma ditadura de esquerda estará plenamente aberto. (AC) 

O candidato guerrilheiro Aloysio

Nas redes sociais, nas últimas eleições, apoiadores do tucano José Serra bombardeavam a candidata petista Dilma Rousseff por ela ter sido guerrilheira durante a ditadura militar brasileira que atolou o país no obscurantismo a partir de 1964. A escolha por Aécio Neves de Aloysio Nunes Ferreira para seu vice enterra um dos argumentos mais usados pela direita mais extrema em relação a quem participou da luta armada contra terrorismo de Estado. Aloysio Nunes Ferreira é conhecido como o motorista de Marighella. O vice de Aécio participou com Carlos Marighella, executado pelos militares em 1969, da Ação Libertadora Nacional. Aloysio tem uma biografia de guerrilheiro de linha de frente. Não ficou nos bastidores. Fez bem.

Em Marighella, o guerrilheiro que incendiou o mundo, Mario Magalhães apresenta Aloysio portando uma carabina e dirigindo o carro usado por seus companheiros para fugir depois do assalto ao trem-pagador Santos-Jundiaí em agosto de 1968. Cena de filme. Coube a Aloysio a tarefa delicada de levar o dinheiro arrecadado. Dois meses depois, em outubro de 1968, Aloysio participou de outro assalto, o ataque ao carro-forte da Massey Ferguson. Melhor não contar com ela para financiamento de campanha. Aloysio exilou-se em Paris. Na volta ao Brasil, passou pelo PCB e pelo PMDB até achar seu galho no PSDB. Em 2003, quando Dilma assessorava Lula, a revista Veja disparou: O cérebro do roubo ao cofre - com passado pouco conhecido, a ministra envolveu-se em ações espetaculares de guerrilha.

Dilma teria concebido o roubo do cofre do governador paulista Adhemar de Barros.

Como é sabido que Dilma não pegou em armas, Veja encontrou um jeito de comprometê-la um pouco mais, o depoimento do ex-sargento e ex-guerrilheiro Darcy Rodrigues, o Leo, que ajudou o capitão Carlos Lamarca a roubar uma Kombi carregada de fuzis de dentro de um quartel do Exército, em Osasco. Segundo Leo, a Dilma era tão importante que não podia ir para a linha de frente. Ela tinha tanta informação que sua prisão colocaria em risco toda a organização. Era o cérebro da ação. Será que Veja relembrará agora esse passado guerrilheiro de Aloysio? Estou ansioso pelos textos dos lacerdinhas da mídia central Rodrigo Constantino, Lobão, Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli e Olavo de Carvalho sobre esse passado belicoso do candidato tucano. O PSDB deixou correr a baba contra a terrorista Dilma.

A guerra de guerrilhas está empatada. Não condeno Aloysio nem Dilma. Intuo que a ala udenista que apoia Aécio ficará constrangida e triste por não poder se deliciar com a baixaria que mais a satisfaz. O guerrilheiro Aloysio tinha por codinome Mateus. Fugiu para Paris com passaporte falso. Manteve estreita amizade com Fidel Castro, tendo sido levado pelo ditador, em 2001, até o avião no aeroporto de Havana. Arranjou campo de treinamento para guerrilheiros na Argélia. Fez o que considerava necessário para combater a ditadura. O que vão dizer agora? Mateus, primeiro os teus? Ou os dos outros?

A coordenação da campanha tucana será feita por José Agripino, do DEM, aquele mesmo que perguntou a Dilma se ela mentira sob tortura. O lacerdão Agripino coordenando a campanha do guerrilheiro terrorista Aloysio Nunes. Uau!

(Juremir Machado da Silva, nascido em 29 de janeiro de 1962, em Santana do Livramento, graduou-se em História (bacharelado e licenciatura) e em Jornalismo pela PUCRS, onde também fez Especialização em Estilos Jornalísticos. Passou pela Faculdade de Direito da UFRGS, onde também chegou a cursar os créditos do mestrado em Antropologia. Obteve o Diploma de Estudos Aprofundados e o Doutorado em Sociologia na Universidade Paris V, Sorbonne, onde também fez pós-doutorado. Como jornalista, foi correspondente internacional de Zero Hora em Paris, trabalhou na IstoÉ e colaborou com a Folha de S. Paulo. Atua como colunista do Correio do Povo desde o ano 2000. Tem 27 livros individuais publicados, entre os quais Getúlio, 1930, Águas da Revolução, Solo, Vozes da Legalidade e História Regional da Infâmia, O Destino dos Negros Farrapos e outras iniquidades brasileiras. Coordena o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUCRS. Apresenta diariamente, ao lado de Taline Oppitz, o programa Esfera Pública, das 13 às 14 horas, na Rádio Guaíba)

O bicho vai pegar em quem 

Marina pode ser o olho de um furacão que, claro, jamais conseguirá renovar a velha política sólida; mas ela pode criar um caos na vida política.

O Brasil se move por acaso. Os rumos da História, se é que tem rumos, tendem a se enrolar em si mesmos, e só fatos, traumas inesperados disparam a mutação. Que quer dizer essa frase? Que não são apenas as relações de produção que explicam nossa marcha, mas os detalhes, as ínfimas causas, as bobagens casuais e tragédias intempestivas fazem o Brasil andar.

Getúlio deu um tiro no peito e adiou a ditadura por dez anos; Jânio tomou um porre e pediu o boné; um micróbio entrou na barriga do Tancredo e mudou nossa vida, encarando o Sarney por cinco anos; o Collor foi eleito por sua pinta de galã renovador e acabou impichado por suas maracutaias. Roberto Jefferson mostrou sua carteirinha de corrupto, se denunciou junto com os mensaleiros e mudou a paisagem política. E agora Marina Silva pode ser presidente, em vez da Presidenta.

Com a população mal-informada em sua maioria (não falo dos miseráveis e analfabetos, mas de gente de terno e gravata) sobre as complexas questões da política e da economia, a emoção e a catarse movem o país.

Agora, estamos na expectativa; somos o país do eterno suspense: Marina vai ser eleita ou não? Será que o efeito tragédia vai se evaporar? A grande mudança seria, claro, a social-democracia apta a desfazer as boquinhas e os pavorosos erros com que o PT nos brindou. Aécio, se eleito, pode trazer a agenda correta. Mas, se Marina ganhar, teremos um outro tipo de mudança, uma virada para um novo desconhecido, uma virada psicológica e cultural inesperada. Não adianta analisar Marina com os instrumentos de análise costumeiros.

Agora em vez dos óbvios vexames do PT, estamos diante do mistério Marina.

Marina é sonhática ou não? Marina é populista? Marina é de esquerda ou não? Nada. No entanto, amigo leitor, Marina pode ser o olho de um furacão que, claro, jamais conseguirá renovar a velha política sólida; mas ela pode criar um caos na vida politica. Talvez até um caos progressista pelo avesso. Que é isso que quero dizer? Marina pode vir a bagunçar mais a bagunça existente, mas poderá ser uma bagunça crítica, que pode trazer uma espécie de destruição criadora nesta zorra instalada.

Para falar em termos de contradições negativas que eles tanto amam, o caos que Lula, Dilma e o PT criaram na vida nacional pode ter sido o gatilho para uma revisão em busca de um modelo melhor. Se Marina vencer, será sabotada continuamente pelos vagabundos que se instalaram no Estado, será confrontada pelas barreiras fisiologistas dos parlamentares, talvez quebre a cara tentando. Mas, mesmo que fracasse, teremos um caos mais moderno, tirando do poder a velha cartilha regressista dos nossos bolivarianos. Mesmo que ela se perca na selva dos meliantes da política, não será mais irracional que os atuais governantes. O súbito surgimento inconcebível dessa moça da floresta e suas abstratas declarações são uma prova encarnada do delírio político do país. Com a queda do avião, houve uma grande reviravolta trágica que resultou em uma comédia de erros. Ninguém sabe o que vai nos acontecer.

Podemos decifrar, analisar, comprovar crimes ou roubos, mas nada se move, porque a maior realização deste governo foi justamente a desmontagem da Razão. Se bem que nunca antes nossos vícios ficaram tão explícitos, nunca aprendemos tanto de cabeça para baixo. Já sabemos que a corrupção no país não é um desvio da norma, não é um pecado ou crime; é a norma mesmo, entranhada nos códigos e nas almas. O caudilhismo sindicalista de Lula serviu para entendermos melhor nossa deformação. Os comentaristas ficam desorientados diante do nada que os petistas criaram com o apoio do povo analfabeto. Os conceitos críticos como democracia, respeito à lei, ética, viraram insuficientes raciocínios contra um cinismo impune. Lula com seu carisma de operário sofredor nos decepcionou, revelando-se um narcisista egoísta e despreparado, enquanto o melhor governo que tivemos, do FHC, ficou no imaginário da população como um fracasso, movido pela campanha de difamação sistemática e pela babaquice dos tucanos que não se defenderam. Os petistas têm mania da ideologia da contramão. Fizeram tudo ao contrário do óbvio, movidos por uma ridícula utopia revolucionária, quando na realidade só fizeram avacalhar o país.

Meu Deus, que prodigiosa fartura de novidades fecundas como um adubo sagrado, belas como nossas matas, cachoeiras e flores. Ao menos, estamos mais alertas sobre a técnica do desgoverno que faz pontes para o nada, viadutos banguelas, estradas leprosas, hospitais cancerosos, esgotos à flor da terra, tudo como plano de aceleração do crescimento. Fizeram tudo para a reestatização da economia, incharam a máquina pública, invadiram as agências reguladoras, a Lei de Responsabilidade Fiscal, em busca de um getulismo tardio, com desprezo pelas reformas, horror pela administração e amor aos mecanismos de controle da sociedade, esta massa atrasada que somos nós. A esquerda psicótica continua fixada na ideia de unidade, de centro, ignorando a intrincada sociedade com bilhões de desejos e contradições. Acham que a complexidade é um complô contra eles, acham a circularidade inevitável da vida uma armação do neoliberalismo internacional.

Os petistas têm uma visão de mundo deturpada por conceitos acusatórios: luta de classes, vitimização, culpados e inocentes, traidores e traídos. Petistas só pensam no passado como vítimas ou no futuro como salvadores e heróis. O presente é ignorado, pois eles não têm reflexão crítica para entendê-lo. Reparem que Dilma na TV só fala do que vai fazer, se for eleita. Por que não fez antes, nos 12 anos da incompetência corrosiva? A solução é mentir: números falsos, contabilidade falsa. Antigamente, se mentia com bons álibis; hoje, as tramoias e as patranhas são deslavadas; não há mais respeito nem pela mentira. É isso aí, amigos, o bicho vai pegar. Em quem? (Arnaldo Jabor)

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