7 de mar de 2014

Amanhã é o Dia da Mulher!

 photo _diadamulher.jpg 
O que deixamos de ofertar em vida ou morte, ela receberá?
Por não saber, mas intuir que viva dentro de nós, cresce na saudade ou mitiga rediviva como mãe, esposa ou filhas, algo tão forte que nós pobres e inconsequentes mortais ficamos a dever o muito desde quando a conhecemos ainda bebê ou casado, tratá-la com toda a reverência que nos merece.
Um espírito feito carne, nos deu muito do seu corpo, nos aleitou, embalou e, perto ou longe, têm seus pensamentos e cuidados em nós.
Quantas vezes falhamos numa discussão, muitas das quais sabemos ela ter razão, mas, talvez aquilo de “machismo” ou egoísmo nos faz rancoroso e indelicado.
Nessas, covardemente, ferimos ou matamos! Qual o motivo real se não o “poder do forte” ou “do monstro”!
Palavras que nos saem devam ser pensadas, medidas e pronunciadas com harmonia e amorosamente.
De que vale uma casa bonita se dentro dela a verdadeira “dona” têm seu coração dilacerado, afrontado, despojado, que se despeja nas fronhas de um travesseiro ou as trava num cozinhar, lavar, cuidando tanto de nós.
Pagar? Como, se nada existe se não flores e saudades.
Ainda é hora de abrirmos nossos corações e pedir “perdão”!
Parabéns pela Eternidade! (AAndrade) 

Musa Consolatrix
Que a mão do tempo e o hálito dos homens
Murchem a flor das ilusões da vida,
Musa consoladora,
É no teu seio amigo e sossegado
Que o poeta respira o suave sono.

Não há, não há contigo,
Nem dor aguda, nem sombrios ermos;
Da tua voz os namorados cantos
Enchem, povoam tudo
Da íntima paz de vida e de conforto.

Ante esta voz que as dores adormece,
E muda o agudo espinho em flor cheirosa,
Que vales tu, desilusão dos homens?
Tu que podes, ó tempo?
A alma triste do poeta sobrenada
À enchente das angústias,
E, afrontando o rugido da tormenta,
Passa cantando, alcíone divina.

Musa consoladora,
Quando da minha fronte da mancebo
A última ilusão cair, bem como
Folha amarela e seca
Que ao chão atira a viração do outono,
Ah! no teu seio amigo
Acolhe-me, - e haverá minha alma aflita,
Em vez de algumas ilusões que teve,
A paz, o último bem, último e puro!
(Machado de Assis, Crisálidas, 1864)

 photo _machadodeassis.jpg
Joaquim Maria Machado de Assis foi um escritor, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta brasileiro, amplamente considerado como o maior nome da literatura nacional. Nascido em 21 de junho de 1839 do Rio de Janeiro e falecido em 29 de setembro de 1908 no Rio de Janeiro.

Nenhum comentário: