3 de mar de 2014

A entender...

A CNBB na Amazônia: apagão do Evangelho.
Entre 28 e 31 de outubro último, celebrou-se em Manaus (AM) o Primeiro Encontro da Igreja Católica na Amazônia Legal, evento integrante da preparação para a celebração dos 400 anos do início da evangelização na Amazônia.
Desafortunadamente, os bispos aí reunidos, representando nove estados, encabeçados pelo cardeal Dom Cláudio Hummes, presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), perderam uma grande oportunidade de revisar criticamente as diretrizes das ações que o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) vem praticando na região, em nome da Igreja Católica. De fato, há tempos, os dirigentes e militantes do Cimi abandonaram o trabalho missionário da Igreja, em troca de uma visão de militância política que busca segregar do convívio nacional uma grande parte da população indígena, que, na realidade, clama por justiça social e desenvolvimento econômico. Por isso, a comemoração do quarto centenário da evangelização, que deveria ser uma data bastante significativa da trajetória da Igreja brasileira, não augura ter a luminosidade que se esperaria, sendo parcialmente ofuscada pela fumaça do lobby malthusiano-ambientalista internacional que orienta as ações do Cimi - não por acaso, o mesmo que promove o aborto e a ideologia do gênero.
A influência desse aparato se mostrou patente em algumas deliberações da comissão da CNBB.
A reunião emitiu um documento dirigido a todos os homens de boa vontade, comprometendo-se a continuar a missão evangelizadora, para o qual se refere ao papa Paulo VI, quando afirmava, em 1972: Cristo aponta para a Amazônia. (…) A Igreja que está na Amazônia não como aqueles que têm as malas na mão, para partir depois de terem explorado tudo o que perderam. Desde o início a Igreja está presente na Amazônia, com missionários, congregações religiosas, sacerdotes, leigos e bispos, e lá continua, presente e determinante no futuro daquela área.
Tal proposta foi reiterada pelo papa Francisco, no Rio de Janeiro, em julho de 2013, durante a Jornada Mundial da Juventude, numa reunião com os bispos brasileiros.
Sem embargo, ao visualizar em detalhe a mensagem dos bispos da Comissão Episcopal da Amazônia, vemos um absurdo ataque às grandes obras de infraestrutura na região, especialmente as usinas hidrelétricas, como se o atendimento às necessidades energéticas do País representasse uma ação colonialista do Estado brasileiro contra a Região Amazônica e as suas populações indígenas ou ribeirinhas. Em realidade, a política indigenista implementada pelo Cimi em nome da CNBB está provocando uma confrontação entre as populações que eles consideram tradicionais e os demais brasileiros que ali vivem. Com isto, a ação da Igreja na Amazônia se afasta do cerne do veemente apelo mundial de Paulo VI, em sua encíclica Populorum Progressio, ao vincular a paz mundial e a justiça ao necessário desenvolvimento econômico dos povos, condição sine qua non para a superação definitiva da era do neocolonialismo, meta perseguida pelo mundo durante todo o século passado. A encíclica de 1967 é contundente, ao afirmar o direito de todos os povos ao usufrutuo dos bens permitidos pelo progresso econômico, ao desenvolvimento integralmente vinculado ao bem-estar geral da população mundial e ao bem comum.
Esta proposta revolucionária está muito distante do que o messianismo indigenista do Cimi pratica na Amazônia, junto com um exército de ONGs, com destaque para o Instituto Socioambiental (ISA) e o Centro de Trabalho Indígena (CTI), que exercem grande influência nas ações da Fundação Nacional do Índio (Funai).
Como documentamos em nosso livro Quem manipula os povos indígenas contra o desenvolvimento do Brasil: um olhar nos porões do Conselho Mundial de Igrejas (Capax Dei, 2013), a política indigenista da CNBB, exercida por meio do Cimi, não se baseia nem na Doutrina Social da Igreja, nem em uma verdadeira ação evangelizadora. Na prática, um efeito real das ações do Cimi tem sido um grande enfraquecimento da Igreja na região, em beneficio das igrejas pentecostais. Em muitas localidades da Amazônia Legal, a Igreja Católica tem se enfraquecido, ao ponto de não conseguir sustentar-se com o dízimo dos paroquianos, cada dia mais escassos. Em seu lugar, fluem as contribuições de uma rede de ONGs, agências de desenvolvimento de governos estrangeiros e, de forma relevante, do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), o verdadeiro mentor do Cimi, cuja criação, em 1972, ocorreu após a reunião de antropólogos em Barbados, em 1971, patrocinada pelo CMI. Em seu febril ativismo, o CMI idealizou um novo objetivo para a Antropologia, convertendo-a numa ideologia de ação libertadora de cunho marxista, que gerou, entre outros resultados, uma condenação da epopeia da evangelização da Ibero-América pelos missionários espanhóis e portugueses.
Como menciona o documento dos bispos da Amazônia, tal orientação se exprimiu no Documento de Santarém de 1972, ano da fundação do Cimi, para lançar o que chamaram Evangelização Libertadora, baseada numa interpretação distorcida do Concilio Vaticano II, promovida pela mídia internacional contra a própria vontade dos padres conciliares (como ressaltou, em um de seus últimos discursos, o papa Bento XVI). Não foi o concílio que mudou a ação evangelizadora, mas a antropologia libertadora do CMI adotada em Barbados.
O texto afirma: Ao longo de seis décadas, desde o primeiro encontro dos bispos em Manaus, a Igreja tem demonstrado sua vitalidade e posicionamento profético e solidário. Em Santarém 1972, decidiu basear sua ação pastoral e evangelizadora em duas diretrizes: (1) a Encarnação na realidade, pelo conhecimento e pela convivência, na simplicidade, e (2) a Evangelização Libertadora. Armou sua tenda no meio do povo de tal modo que apareceu um rosto eclesial bem amazônico na diversidade sociocultural, na defesa do lar que Deus criou para toda a humanidade e na promoção da Vida em todas as suas dimensões, sobretudo quando é ameaçada pelos impactos causados por um equivocado conceito de progresso que confunde desenvolvimento com crescimento meramente econômico, multiplicação de riqueza material, incremento do PIB, expansão do agronegócio, aumento de produção de biocombustíveis, descuidando-se, porém de políticas públicas e deixando de promover a justiça e o bem-estar de todos e para todos [grifos nossos].
Observe-se a interessante ilação de que a Amazônia representa um patrimônio de toda a humanidade, um dos conceitos basilares de toda a campanha montada pelo aparato ambientalista-indigenista internacional contra o Brasil, desde as últimas décadas do século passado. Evidentemente, se se trata de um patrimônio da humanidade, isto justificaria toda sorte de intervenções externas para evitar que os intrusos brasileiros pudessem ali se instalar. Por isso, não admira que o trabalho do Cimi e das demais ONGs indigenistas se mostre ser mais orientado para fomentar entre os indígenas a consolidação de uma mentalidade de cidadãos universais, e não de cidadãos brasileiros.
Assim, a agenda amazônica dos poderes políticos por trás do CMI tinha a intenção de deter a migração de populações pobres para a região e a implementação de grandes obras de infraestrutura para o desenvolvimento. Daí se originou um divórcio entre a ação evangelizadora e as aspirações e necessidades das populações locais, que passaram a encontrar um melhor abrigo espiritual nas bem planejadas iniciativas pentecostais.
No documento divulgado em outubro último, tal (des)orientação pastoral se manteve: Fomos informados a respeito dos grandes projetos implementados na região, de modo especial as hidrelétricas, que representam uma nova invasão do capital visando explorar as nossas riquezas naturais e aproveitar o potencial energético de nossos rios, sem olhar para os prejuízos que causam ao meio ambiente com sua imensa biodiversidade e a destruição da vida e da história de muitos povos tradicionais.Semelhante diatribe antidesenvolvimento, certamente, não se baseou nas aspirações das populações locais, que sobrevivem em condições precárias, mas na assessoria dos especialistas das ONGs ambientalistas e indigenistas, que incentivam o culto à miséria e à divisão étnica de um País, que, graças ao ensino do Evangelho e apesar das injustiças do processo colonizador, é um exemplo de mestiçagem para todo o mundo.
A Comissão Episcopal para a Amazônia deveria ser informada de que, sem a construção de grandes hidrelétricas na Região Amazônica, o Brasil não terá condições de sustentar o desenvolvimento agrícola e industrial, que constitui a base para um crescimento populacional em condições humanas dignas. Ademais, a carência de energia e vias de transporte modernas e eficientes prejudica bastante o potencial de produção agropecuária do País, reduzindo a capacidade para enfrentar os graves problemas causados pela fome.
Em síntese, o que mostram as considerações da comissão amazônica da CNBB é uma séria perda de contato com a realidade do País, ao mesmo tempo em que favorece a agenda intervencionista ditada pelo aparato ambientalista-indigenista internacional.
Por conseguinte, é mais que hora de que a CNBB se disponha a promover uma ampla revisão na sua política geral para a Amazônia, passando a privilegiar o desenvolvimento pleno de todos os seres humanos que ali vivem, indígenas e não indígenas, de modo a que possam integrar-se em um processo civilizatório orientado pelos mais elevados valores humanos, deixando para trás as divisões étnicas e a ideia de que os indígenas devem permanecer confinados em reservas isoladas do restante da sociedade. Processo que, vale ressaltar, tem contribuído categoricamente para afugentar dezenas de milhares de católicos, fazendo-os se refugiar em diversas denominações evangélicas.
Com isso, quiçá, o apagão do Evangelho na Amazônia possa dar lugar à iluminação proporcionada pelo farol das propostas originais do papa Paulo VI, sob a firme orientação de Francisco. Caso contrário, as trevas seguirão prevalecendo. (SEBREC)
Comentário: Sem entrar muito no mérito de suas teses, identifico pontos que deveriam ser analisados para um aprofundamento de nossa reflexão.
Questão indígena, Nação indígena independente, CNBB, Conselho Indigenista Missionário (Cimi, FUNAI, ONG`S estrangeiras infiltradas na Amazônia, sob as mais variadas formas e uma série de outras questões, estão muito mal explicadas, muito mal conduzidas e muito mal fiscalizadas em nosso País!
A sociedade brasileira precisava olhar um pouco mais para essa caixa preta!... (MDB)

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