27 de set de 2013

Difícil ter notícias boas

Capa da The Economist pergunta: O Brasil estragou tudo? 

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• Edição da revista britânica que chegou às bancas mostra Cristo Redentor caindo, uma atualização da capa de 2009 que afirmava que o Brasil decolava.

• O Brasil está novamente na capa da The Economist. A nova edição da revista, que acaba de ser divulgada e deve chegar nas bancas, mostra um Cristo Redentor voando desgovernado e pergunta: O Brasil estragou tudo? 

• É uma atualização da capa de 12 de novembro de 2009, que mostrava um Cristo saindo da pedra como um foguete com o título O Brasil decola.

• A reportagem de 14 páginas ainda não está disponível, mas uma prévia no site resume o conteúdo. 

• A The Economist lembra que o Brasil passou quase incólume pela crise de 2008 e conseguiu crescer 7,5% em 2010, mas agora está estacionado em uma expansão anual do PIB em torno de 2%.

• A revista também cita os protestos de junho e diz que os cidadãos do país estão insatisfeitos e tomaram as ruas contra o alto custo de vida, serviços públicos ruins e a ganância e corrupção dos políticos. 

Dilma Rousseff, presidente do Brasil, conseguirá reiniciar as máquinas? A Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos vão ajudar a recuperação brasileira ou simplesmente trazer mais dívidas?, questiona o texto.

• Nesta sexta-feira, a correspondente da revista no Brasil e autora da reportagem Helen Joyce vai responder a perguntas sobre o país através do Twitter. 

• No fim de 2012, a The Economist recomendou a saída de Guido Mantega do governo. Em junho deste ano, criticou a performance do ministro com ironia. No mesmo mês, uma reportagem de capa da revista disse que os protestos brasileiros e turcos tinham muito em comum. (Revista Exame) 

Petrobrás muda planos para duas refinarias 
• As pressões de custos e a necessidade de investir no pré-sal levaram a Petrobras a simplificar os planos de novas refinarias no Ceará e no Maranhão. Inicialmente destinadas à produção de produtos premium (elevada qualidade e baixíssimo teor de enxofre), como combustível de aviões, para exportar, elas passam a ter foco no mercado interno, para atender à demanda que surgirá até o início de 2018. 

• A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, disse nesta terça-feira ao Valor PRO que encomendou projetos novos ao exterior a fim de torná-los rentáveis, otimizando e simplificando os projetos, sem reduzir a capacidade de produção. Segundo ela, em março ou abril de 2014 as obras deverão ser licitadas. 

• O alto escalão do governo avalia que, hoje, é mais importante garantir fôlego para o pré-sal que dar folga de capital à Petrobras para executar os investimentos em refino. Já em outubro a estatal desembolsará ao menos R$ 4,5 bilhões por sua parte no bônus de assinatura do leilão de Libra. (O Globo)

Libra: Por que não a Petrobrás? 

• Em 18 de setembro, começou a tramitar no Senado Federal um Projeto de Decreto Legislativo (PDL 203/2013) que suspende a realização do primeiro leilão para exploração de reservatórios de petróleo do pré-sal, previsto para 21 de outubro próximo. Formalmente, um decreto legislativo regula matérias de competência exclusiva do Congresso, entre elas sustar atos normativos da Presidente da República. No caso, o projeto pretende sustar as Resoluções 4 e 5 de 2013 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), e um Edital de Licitação da Agência Nacional de Petróleo (ANP). 

Que está em jogo? 

• O leilão de Libra é diferente dos outros que já ocorreram, envolvendo o petróleo brasileiro inclusive os realizados ou previstos, sem sobressaltos, em maio (11ª Rodada), ou para novembro (12ª Rodada). No leilão de Libra será oferecida pela primeira vez uma área do pré-sal, a formação geológica descoberta pela Petrobrás em 2007, que contém a maior acumulação conhecida de petróleo no hemisfério ocidental. A oferta pública será feita sob uma nova modalidade de contrato: partilha de produção. É diferente da concessão, utilizada nos outros leilões. (André Garcez Ghirardi/Outras Palavras) 

Você já leu Lênin? 
• É o que estão fazendo no Brasil. Acredite.


Médicos são principal produto de exportação de Cuba 

• Segundo o jornal espanhol El País, os programas de exportação de médicos servem para ajustar as contas da ilha. Envio de profissionais ao Brasil seria parte desse processo. 

• A formação rápida de um grande número de médicos e seu envio ao exterior por meio de parcerias com outros países se tornou o maior produto de exportação de Cuba. Segundo uma reportagem publicada pelo jornal espanhol El País em maio, os profissionais de medicina são para a economia da ilha o mesmo que o petróleo é para a Venezuela: a matéria-prima de exportação que financia a maior parte de seu orçamento e sustenta sua política externa. A recente parceria com o Brasil seria uma tentativa de diversificar o seu mercado, que esteve, nos últimos anos, focado na Venezuela. 

• Segundo o jornal, o envio de médicos a outras nações é uma prática do regime cubano - nos últimos 50 anos o governo local já trocou ajuda médica por empréstimos e acordos comerciais com 107 países de todo o mundo. O que começou como um princípio idealista do governo revolucionário - saúde como direito básico da população - se tornou um objetivo econômico e pragmático. Na última década, foi a parceria com a Venezuela que ajudou a sustentar a economia cubana. Em fevereiro de 2012, havia 44.804 profissionais cubanos da área de saúde no país, entre eles médicos, enfermeiros e terapeutas. Em troca desse serviço, Caracas enviava 105.000 barris de petróleo por dia à ilha. 

• O governo Chávez também foi importante por ter ajudado na expansão dessas missões médicas cubanas por outros países da América do Sul, como Bolívia, Argentina, Nicarágua, Equador, Haiti, Guatemala, Peru, Honduras, Paraguai, e Uruguai. O El País calcula que, na época da reportagem, 42.000 médicos cubanos trabalhavam fora do país, com as universidades cubanas sendo capazes de formar 5.000 novos profissionais todos os anos para esse tipo de missão. 

• O jornal compara a dependência atual de Cuba em relação à Venezuela com a dependência que o país tinha em relação à União Soviética durante a Guerra Fria. A morte de Chávez e uma decorrente crise política e econômica venezuelana poderiam representar para a ilha o mesmo que o colapso do socialismo em 1991: caos econômico. A saída encontrada pelo governo local foi, justamente, diversificar seus clientes. Os 4.000 médicos que serão enviados ao país fariam parte dessa estratégia. 

• Deserção - O jornal El País ainda entrevistou o médico cubano Julio César Alfonzo, formado em 1992 na Universidade de Havana e diretor atual da Organização Solidariedade Sem Fronteiras, grupo com sede em Miami que pretende dar apoio econômico e logístico aos cubanos que quiserem desertar durante missões médicas internacionais. 

1) Eles estão formando médicos em tempo recorde para suprir as necessidades de exportação e isso tem sido feito em detrimento da qualidade de formação dos médicos e da medicina de Cuba, que costumava ser de primeira. Isso está ocorrendo desde que começou a parceria com a Venezuela entre 2003 e 2004, disse o médico. 

2) Segundo Alfonzo, nos últimos anos 5.000 profissionais da saúde cubanos desertaram durante missões internacionais, a maioria fugindo para o sul da Flórida - justamente a região onde fica Miami. A cada semana, sua organização recebe entre sete ou oito telefonemas de médicos que querem fazer o mesmo. Pelo menos 95% deles nos ligam da Venezuela. Lá eles vivem em condições muito ruins, são enviados aos piores lugares, onde estão todos os delinquentes, sem nenhuma garantia para sua vida, afirmou Alfonzo ao El País. 

Já estava tudo preparado... 

• Brasil preparó en secreto la llegada de médicos cubanos a su sistema de sanidad. Un senador afirma en televisión que el Gobierno de Rousseff alistó por 18 meses el polémico plan Más Médicos. (El País - Espanha) 


• Recém-chegadas a Macaúbas (BA), município a 613 km de Salvador e em estado de emergência por causa da seca, as médicas cubanas Dunia Broche, 40, e Dorys Cristina del Rosário, 52, terão uma vida de contrastes nos próximos três anos. 


• Nos momentos de folga, elas terão uma vida de luxo para os padrões locais.  
• As cubanas vão dividir uma casa com piscina, pomar, jardim, churrasqueira, salão de jogos, ampla garagem e quatro dormitórios, sendo um deles com banheira de hidromassagem. O aluguel da casa, de R$ 1.200, será pago pela prefeitura. 

A casa é espaçosa, tranquila. Quero aproveitar a piscina e chamar a minha amiga [médica cubana da cidade vizinha] para passar o final de semana aqui, diz Dunia. 

• Já no dia a dia de trabalho a vida não será tranquila. Todas as manhãs, serão obrigadas a fazer uma pequena viagem de cerca de uma hora entre a casa, na zona urbana, e os postos de saúde da zona rural onde irão atuar. 

• Os postos para os quais foram escaladas para trabalhar pelo programa Mais Médicos, do governo federal, ficam em povoados a 30 km e a 40 km do centro da cidade. As opções de trajeto são precárias estradas de terra.

• No povoado de Lagoa Clara, o posto de saúde está com os sanitários interditados ao público. Apenas o banheiro do consultório funciona. 

• Já a unidade de saúde do povoado de Lagoa do Maurício nem sequer está pronta. Faltam equipamentos, que devem chegar em duas semanas, segundo a prefeitura.

Espero que resolvam logo esses problemas. Mas já vi isso na Venezuela. Tudo bem, vamos trabalhar e ajudar da mesma forma, disse Dorys. 

• A demanda diária desses postos é de 20 a 30 atendimentos. E nenhum deles tem médico fixo atualmente. Em Lagoa Clara, a estudante Jussiara Guedes, 19, grávida de sete meses, espera a estreia das cubanas.

Só fiz uma consulta aqui, quando estava com três meses de gestação, afirmou. 

• Quem também espera por Dunia e Dorys é o agricultor Noé Barbosa, 65. Estou com a receita do remédio vencida há três meses. Sem ela não dá pra pegar remédio. Preciso de um médico só para me dar a receita, disse à reportagem. 

Festa do pijama 

• As duas médicas cubanas chegaram na noite de anteontem ao município baiano. Ontem, elas conheceram a casa onde vão morar. 

• Já combinaram com funcionárias locais da Saúde uma festa do pijama e churrascos com cerveja aos finais de semana. 

• As cubanas e as funcionárias planejaram também uma espécie de troca de culturas: Dunia e Dorys aprendem a dançar forró e depois ensinam as brasileiras a bailar ao som de salsa e merengue. 

• Solteiras, as médicas deixaram suas filhas em Cuba. Dorys tem uma de 30 anos e Dunia, duas, de 9 e 12 anos. 


Ação contra demissão de jornalistas aos 60 anos terá nova audiência. 
• A ação civil pública referente à demissão de jornalistas quando chegam aos 60 anos de idade, encaminhada pelo Ministério Público do Trabalho ao Tribunal Regional do Trabalho, continua tramitando na 24ª. Vara do Trabalho. A tutela antecipada para evitar novas demissões foi indeferida pela Justiça, que vai marcar audiência para ouvir a procuradora que propôs a ação, Luciana Tostes, e representantes da empresa Infoglobo. Testemunhas podem ser novamente intimadas para reunir mais provas. No entanto, ainda que tenha indeferido o pedido de tutela antecipada, a Justiça pode julgar procedente a ação para evitar que a Infoglobo deixe de dispensar empregados apenas em razão de sua idade. A Infoglobo é proprietária dos jornais O Globo, Extra e Expresso, com os sites Globo e Extra e a Agência O Globo. A investigação teve início em 2010, após denúncia feita ao Ministério Público do Trabalho. A Procuradoria ouviu depoimentos de jornalistas demitidos que revelaram que no Globo todo mundo sabe que empregado lá não passa dos 60 anos. Outro jornalista afirmou que muitos ficam em pânico com a dispensa anunciada. Foi ressaltado que os que permanecem no jornal são colunistas reconhecidos no mercado, e que, mesmo assim, passam a atuar como pessoas jurídicas

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