3 de dez de 2012

A melhor foto do ano de 2012

O texto, de tão perfeito, pintou a foto com as suas reais cores. Vale a pena alternar entre foto e texto, para sentir o colorido magistral que o Augusto obteve. (AC)
Photobucket • A foto de Dida Sampaio é mais que o registro do momento em que Dilma Rousseff, presidente da República há quase dois anos, cumprimentou o ministro Joaquim Barbosa, que acabara de assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal.

• A imagem documenta a colisão frontal, consumada em estridente silêncio, entre um homem e uma mulher assaltados por sentimentos opostos e movidos por antagônicos estados de ânimo.

• O chefe do Poder Judiciário está feliz, de bem com a vida. A chefe do Poder Executivo está contrafeita, nas fímbrias da amargura.

• Joaquim Barbosa é o anfitrião de uma festa. Dilma Rousseff é a convidada que nada tem a festejar. Está lá por não ter conseguido livrar-se do convite.

• Ele se sente em casa e pensa no que fará daqui por diante. Ela pensa no que ele fez e anda fazendo. E se sente obrigada a enviar um recado fisionômico ao padrinho e aos condenados no julgamento do mensalão: se pudesse, estaria longe dali.

• Só ele sorri. O sorriso contido informa que o ministro não é homem de exuberâncias e derramamentos. Mas é um sorriso. Os músculos faciais se distenderam, os dentes estão expostos, o movimento da pálpebra escavou rugas nas cercanias do olho esquerdo.

• A presidente não sorri. (O companheiro ministro Ricardo Lewandowski foi premiado com sorriso e dois ósculos (beijos)).

• Na foto, o que se vê no rosto da presidente é um esgar (gesto de escárnio, trejeito, careta). A musculatura contraída multiplica os vincos na face direita, junta os lábios num bico pronunciado e assimétrico, faz o olhar passar ao largo do homem à sua frente.

• O descompasso das almas é sublinhado pelas mãos que não se apertam. A dele ao menos se abre. A dela, nem isso. Dilma apenas toca Joaquim com a metade dos quatro dedos. Ele a cumprimenta como quem acabou de chegar. Ela esboça um cumprimento de quem não vê a hora de partir.

• Conjugados, tais detalhes sugerem que, se Joaquim Barbosa sabe que chefia um dos três Poderes independentes e soberanos, Dilma Rousseff imagina chefiar um Poder que dá ordens aos outros.

• Ela já deveria ter aprendido com o julgamento do mensalão que as coisas não são assim. A maioria dos ministros são imunes a esgares. Ministros do STF que temem carrancas nem precisam vê-las para atender aos interesses do governo. Não são juízes. São companheiros. Por enquanto, são dois.

• Forçada pelas circunstâncias a participar de um festa protagonizada pelo relator do julgamento do mensalão, a chefe de governo apareceu com a carranca de tia rabugenta. Foi uma manifestação fisionômica de solidariedade aos companheiros condenados pelo STF.

• Dilma só premiou com um beijinho em cada face e o sorriso possível, ao revisor Ricardo Lewandowski, agora vice-presidente do Supremo e sempre ministro da defesa dos mensaleiros.

• Renan Calheiros ( que volta em fevereiro/2013 ao comando da Casa do Espanto) certamente terá direito a tratamento idêntico.

• A campeã brasileira do mau humor, consegue ser gentil com bandidos de estimação instalados em cargos importantes. (Augusto Nunes, Revista Veja) 

O botão eu não sabia foi removido.
Deu defeito por excesso de uso.
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Deu na imprensa internacional
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