11 de ago de 2012

Esta Prata doeu...

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Telefonia é com a Anatel
• Insatisfação com telefonia móvel chegou a 68,6% em julho
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• A satisfação do consumidor brasileiro com as operadoras Oi, Claro, Vivo e TIM atingiu seu pior índice.
• Os últimos acontecimentos no setor de telefonia móvel fizeram com que os usuários prestassem mais atenção nos serviços prestados pelas operadoras. E o resultado não poderia ser pior. Uma pesquisa realizada pelo Insc - indicador brasileiro elaborado com dados da internet - descobriu que a satisfação do consumidor brasileiro com as companhias de celular atingiu, em julho, seu pior índice.
• Há dez meses que o indicador vem registrando quedas na satisfação dos consumidores em relação ao setor de telecom, com uma ligeira oscilação positiva em maio deste ano, de 1,4%. Mas, no mês passado, o Insc fechou o relatório com o pior resultado: 68,6% dos usuários de telefonia móvel estão insatisfeitos com os serviços das operadoras. • O setor de telecom encabeçou a lista das avaliações negativas no mês passado, seguido pela telefonia fixa, com 57,8% de insatisfação, e pelo saneamento básico, que gerou 52,1% de insatisfação no mês de julho. No total, 13 dos 24 setores analisados registraram queda no porcentual de satisfação de junho para julho.
• O Índice Nacional de Satisfação do Consumidor (INSC) é medido pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), e criado pelo professor pesquisador da escola e global chief digital officer da Rapp, Ricardo Pomeranz. As empresas do setor de telecom analisadas são Oi, Claro, Vivo e TIM.

TIM vai ao Senado se defender sobre quedas de ligações
• Segundo executivo da operadora, falta de crédito e de bateria tinham de ser lembrados.
• A TIM foi ao Senado nessa quarta-feira (08/08) rebater as acusações de que estaria derrubando ligações do plano Infinity para lucrar com novas chamadas. O vice-presidente de Assuntos Regulatórios da operadora, Mario Girasole, tocou no assunto durante audiência pública sobre a atuação e os investimentos das empresas de telefonia no Brasil.
Temos que fazer uma distinção extremamente clara. Não estamos falando de qualidade do negócio, mas de ética do negócio, onde qualquer suspeita decorrendo da análise superficial e conclusões infundadas é simplesmente inadmissível. Foi o nome da nossa empresa que foi questionado, disse o executivo.
• Girasole ainda ressaltou que a denúncia não é uma posição oficial da Anatel, mas sim de um escritório regional e apontou falhas na metodologia aplicada. Segundo ele, outras questões precisariam ter sido levantadas e a falta delas torna o relatório um erro. Fim da bateria do celular e falta de créditos, disse, também causariam quedas de ligação.
• A operadora garante ter analisado todos os registros de chamadas de 8 de março (dia considerado pelo relatório) e constatado que se forem mostradas todas as quedas - do plano Infinity ou não - o índice fica abaixo de 2%, porcentagem considerada aceitável pela Anatel.
O que não pode acontecer é que a reputação de 11 mil funcionários seja afetada. Para recuperar essa queda de imagem levaremos muito tempo” afirmou.

Nota de esclarecimento
• Em relação à notícia TIM derruba sinal de propósito, diz Anatel, publicada na Folha de S. Paulo de hoje, a Agência esclarece que o relatório de fiscalização mencionado pela reportagem integra procedimento administrativo para averiguar descumprimento de obrigações que se encontra em fase de instrução. Somente após a regular tramitação do processo, com direito ao contraditório e à ampla defesa da prestadora, a Agência irá deliberar sobre o assunto e adotará as providências legais e regulamentares cabíveis.

Ex-petista Gabeira narra detalhes do Mensalão
Photobucket DNA do mensalão
O mensalão, para os juízes, é um processo de 50 mil folhas. Para mim, é matéria de memória. Maio de 2005 é um marco na política brasileira. Mas não um relâmpago em céu azul.
• É um marco porque ficou evidente, naquele mês, que o PT jamais cumpriria uma de suas maiores promessas de campanha: ética na política. A entrevista do então presidente Lula em Paris, tentando justificar o mensalão, ainda menciona a responsabilidade ética do partido, mas com uma dose de convicção tão pequena que entendi como um adeus à bandeira do passado. Eu já havia deixado o PT e a base do governo em 2003. O escândalo do mensalão foi, no entanto, uma tomada de consciência popular de que a ética na coalizão do governo era só propaganda.
• O termo mensalão cresceu porque foi bem escolhido. Roberto Jefferson, ao usá-lo pela primeira vez, não ignorava o apelo popular de um aumentativo. Na TV, as feiras de carros são anunciadas como feirão, as lojas de atacado, como atacadão e até os estádios de futebol, Engenhão, Barradão, Mineirão, seguem o mesmo caminho. Um setor que ainda acreditava nas promessas do PT se sentiu traído, como se o armário do quarto escondesse um amante: Ricardão.
• Não foi um relâmpago em céu azul. Lula estava cansado de perder eleições. Decidiu disputar em 2002 com as condições profissionais dos adversários. Começou aí a necessidade de captar em grande escala. Programas de TV são dispendiosos. Mulheres grávidas desfilando a esperança, muitas câmeras, luz, gruas, tudo isso custa dinheiro.
• Uma vez no poder, era preciso controlar os aliados, garantir sua sobrevivência política e, em troca, sua fidelidade. Agora o dinheiro corria mais fácil.
• A primeira tentativa de combater o estrago do mensalão foi afirmar que jamais existiu com rigor temporal. Não havia pagamentos mensais, dizia a defesa. Mas que importância legal tem isso? O dinheiro era distribuído aos líderes dos partidos amigos. O apartamento do deputado José Janene, do PP, era chamado de pensão pelos deputados que o frequentavam. Talvez lhes pagasse quinzenalmente. Seria apenas um quinzenão.
• Segundo a ex-mulher de Valdemar Costa Neto, em depoimento na Câmara, ele gastou numa só noite de cassino o equivalente a US$ 300 mil. Pode muito bem ter dado o cano nos deputados naquele mês, ou pago apenas um vale para acalmá-los. Quem jamais saberá?
• A segunda tentativa de atenuar os estragos do mensalão foi o uso da novilíngua: eram apenas sobras de campanha, mero crime eleitoral. Tão brando que nem poderíamos chamar esse dinheiro de caixa 2, mas de recursos não contabilizados. Era tanto dinheiro em cena que recursos não contabilizados não conseguiam explicá-lo. Surgiram, então, empréstimos do Banco Rural e do BMG. O dinheiro foi emprestado por bancos que não cobram juros nem acossam devedores. Bancos amigos.
• O relatório da CPI indicou com bastante clareza de onde veio o dinheiro: do Banco do Brasil e da Visanet. Naufragou ali a última atenuante: o dinheiro do mensalão, num total de R$ 100 milhões, é público.
• Lembro-me como se fosse hoje do depoimento de Duda Mendonça. Ele anunciou a alguns deputados que iria falar. E falou: recebeu dinheiro do PT no exterior, pouco mais de R$ 10 milhões, que nunca mais retornariam ao País.
• O episódio do mensalão não evitou que Lula vencesse as eleições em 2006 e, quatro anos mais tarde, elegesse Dilma Rousseff. A força eleitoral do PT manteve-se e as consequências políticas pareciam neutralizadas. O dinheiro continuou fluindo em campanhas milionárias e o partido, como os comunistas italianos, poderia até montar uma sólida estrutura econômica alternativa. Mas as consequências políticas não morrem tão cedo.
• O julgamento do caso vai recolocá-lo na agenda política. Não acredito que possa modificar o curso das eleições. Será apenas uma nova dimensão a considerar. Muito se falou que a CPI do Cachoeira iria ofuscar o julgamento do mensalão. Deve ocorrer o contrário: o julgamento vai conferir importância à CPI do Cachoeira. A mensagem é simples: mesmo quando não há consequências políticas imediatas, a corrupção ainda tem toda uma batalha legal pela frente.
• O PT vai se distanciar do mensalão, Dilma também. Dilma distanciou-se da Delta, de Fernando Cavendish, mas seu governo continua a irrigar os cofres da empresa fantástica. É compreensível a distância. No caso do mensalão, ela nos faz crer que todo o mecanismo foi montado pelo cérebro do ex-ministro José Dirceu, que operava num paraíso de inocentes. No da Delta, a distância convida-nos a crer que tudo se passou numa obscura seção goiana da empresa.
• Nas paredes de cadeia sempre há esta inscrição: aqui o filho chora e a mãe não ouve. A mãe do PAC finge que não ouve os choros da Delta. Grande administradora, não desconfiou que a empresa que mais trabalhava nas obras do PAC era, na verdade, um antro de picaretagem. Assim como Lula não sabia que houve o mensalão. Todo aquele dinheiro rolando a partir da campanha de 2002 era um milagre político. É um senhor que me ajuda, como diria a mulher bonita vivendo súbita prosperidade. É tudo um tecido de mentiras que ainda não se rasgou no Brasil. No mensalão era uma agência de publicidade de Marcos Valério que despejava grandes somas nas contas dos políticos. O nome dela era DNA. Recentemente, foram as empresas fantasmas da Delta que realizaram essa tarefa.
• Em 2005 ainda havia um mínimo de combatividade parlamentar para buscar a verdade. Hoje nem com isso podemos contar. O mensalão arrasta-se como um vírus mutante pela História moderna do Brasil. Mas a corrupção não é uma fatalidade genética. E o grande equívoco de alguns marxistas vulgares é supor que ela é um componente natural, insuperável, diante do qual a única reação sensata é tirar proveito.
• Sete anos o Brasil esperou para julgar o mensalão. Sete anos mais vamos esperar pelo júri da Delta. E mais poderíamos esperar, não fora para tão longa sede tão curta a vida. (Fernando Gabeira)

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