5 de set de 2011

Povo judeu é invenção do sionismo

Historiador israelense defende que povo judeu é invenção do sionismo
• Na carteira de identidade do historiador israelense Shlomo Sand, no lugar reservado à nacionalidade está escrito que ele é judeu.
• Sand, 64, solicitou ao governo que seja identificado de outro modo, como israelense, porque acredita que não existe nem um povo nem uma nação judeus.
• Seus motivos estão expostos em A Invenção do Povo Judeu. Best-seller em Israel, traduzido para 21 idiomas e incensado pelo historiador Eric Hobsbawm, o livro chega agora ao Brasil (Benvirá).
• O autor defende que não há uma origem única entre os judeus espalhados pelo mundo. A versão de que um povo hebreu foi expulso da Palestina há 2.000 anos e que os judeus de hoje são seus descendentes é, segundo Sand, um mito criado por historiadores no século 19 e desde então difundido pelo sionismo.
Por que o sionismo define o judaísmo como um povo, uma nação, e não como uma religião? Acho que insistem em ser um povo para terem o direito sobre a terra. Povos têm direitos sobre terra, religiões não, diz à Folha, por telefone, de Paris.
Olivia Grabowski-West/Divulgação
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O historiador israelense Shlomo Sand,
autor de "A Invenção do Povo Judeu",
lançado no Brasil pelo selo Benvirá
Na Idade Média a palavra povo se aplicava a religiões: o povo cristão, o povo de Deus. Hoje, aplicamos o termo a grupos humanos que têm uma cultura secular -língua, comida, música etc. Dizemos povo brasileiro, povo argentino, mas não povo cristão, povo muçulmano. Por que, então, povo judeu?
• Valendo-se de fontes e documentos históricos, a tese de Sand, ele mesmo admite no livro, não é em si nova (cita predecessores como Boaz Evron e Uri Ram). Sintetizei, combinei evidências e testamentos que outros não fizeram, pus de outro modo.
• Ele compara: até meados do século 20, a maioria dos franceses achava que era descendente direto dos gauleses, os alemães dos teutões e os italianos, do império de Júlio César. São todos mitos, afirma, que ajudaram a criar nações no século 19".
• Neste século 21, sustenta, não há mais lugar para isso.
Não só o Brasil é uma grande mistura. A França, a Itália, a Inglaterra são. Somos todos misturados. Infelizmente há muitos judeus que se acham descendentes dos hebreus. Não me sinto assim. Gosto de ser uma mistura.
• Filho de judeus, nascido num campo de refugiados na Áustria, o autor lutou do lado israelense contra os árabes na Guerra dos Seis Dias, em 67, quando o país ocupou Cisjordânia e faixa de Gaza.
• Em seguida virou militante de extrema esquerda e passou a defender um Estado palestino junto ao de Israel.
• Professor na Universidade de Tel Aviv e na França, onde passa parte do ano, o historiador avalia que as hostilidades entre israelenses e palestinos, reavivadas nas últimas semanas, continuarão por tempo indeterminado.
Enquanto o Estado palestino não for reconhecido nas fronteiras de 67, acho que a violência não vai parar. (Fabio Vicor, São Paulo)
Sionismo
Significado: Estudo das coisas referentes a Jerusalém.
Exemplo: Movimento político e religioso judaico iniciado no séc. XIX, que visava ao restabelecimento, na Palestina, de um Estado judaico, e que se tornou vitorioso em maio de 1948, quando foi proclamado o Estado de Israel.
Significado: Sionismo é um termo composto por sion + ismo. Sion, ou Sião, é um monte em Jerusalém, e ismo significa modo de pensar, ou seja, a palavra indica uma visão-de-mundo ligada a Sião, ou melhor, a Jerusalém e à Terra de Israel.
Exemplo: O sionismo é, em sua origem, o movimento nacionalista para o estabelecimento de uma nação judaica no mesmo local onde viveram os ancestrais do povo judeu, que foi iniciado como um movimento secular que re-criava as aspirações religiosas dos judeus de retorno a Jerusalém, e também como reação ao virulento anti-semitismo europeu, em especial na Rússia, Polônia e França (caso Dreyfus).

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