14 de jun de 2011

Linguagem Deliciosa

Quem gosta da língua portuguesa vai a-d-o-r-a-r!
• Pergunta: Alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão no frigir dos ovos?
• Resposta: Quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem idéias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa. E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo as favas.
• Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.
• Contudo é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher lingüiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.
• Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.
• Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese...etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor que sai com cara de quem comeu e não gostou.
• O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.
• Por outro lado se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é refresco.
• Mas - dando uma canja - as moças apetitosas são sempre um xuxu, todavia quem não trabalha não come, e ficar por cima da carne-seca, labendo os beiços, só faz ficar chorando de barriga cheia.
• A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois quando se junta a fome com a vontade de comer as coisas mudam da água pro vinho.
• Se embananar, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata engorda.

Uma Maravilha de Tchaikowsky!
. Cena do filme O concerto.
. Para quem viu o filme, e para quem não viu, desfrutem!
. O filme passa-se na Rússia, em 1980, quando Andrei Filipov era o melhor maestro da União Soviética e dirigia a famosa Orquestra do Bolshoi.
. Mas é demitido em plena glória, depois de se recusar a se separar dos seus músicos judeus, entre os quais estava seu melhor amigo, Sacha.
. Para sobreviver financeiramente, aceita fazer serviço de limpeza no teatro. Certo dia, ao limpar a sala do diretor do teatro, intercepta um fax do famoso Teatro Châtelet de Paris convidando a orquestra para lá tocar, não sabendo a direção do Teatro que a orquestra estava provisoriamente desfeita.
. De repente, ocorre a Andrei uma ideia mirabolante: por que não reunir seus ex-colegas músicos, que sobrevivem fazendo biscates e trabalhos temporários, e levá-los a Paris, fazendo-os passar pela Orquestra Bolshoi?
. Sem ensaiar, eles são tocados pela magia da música e dão um show.
. Veja a cena final do filme aqui

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