25 de nov de 2010

Velhos tempos, saudades

Ando com saudades de café com pão;
de namorados dando beijinhos no portão;
de pedir bênção a pai e mãe (Deus te abençoe);
do sinal-da-cruz que fazia quando passava na frente da igreja;
de ver um varal cheio de roupa com cheiro apenas de sabão;
de ver alguém sorrindo enquanto lava a louça com bucha vegetal;
de sentir respeito pela polícia;
de cantar o Hino Nacional com mão no peito e lágrimas nos olhos;
de acreditar que o Brasil ganhou a Copa do Mundo porque jogou direito;
de saber que o Zezinho, filho do porteiro, não vai morrer de dengue;
e que Maria feirante poderá ter um filho médico.
Saudades de homens que usavam apenas o assobio como galanteio. Fiu-fiu!

Morro de saudades do tempo em que um presidente de uma nação era o mais respeitado cidadão do país;
Que cadeia era lugar só de ladrão;
Acho que andaram invertendo a situação.

Ando com saudades de galinha de galinheiro;
de macarrão feito em casa com tempero sem agrotóxico;
de só poder tomar guaraná em dia de festa;
de homens de gravatas;
de novela com final feliz;
de pipoca doce de pipoqueiro;
de dar bom-dia à vizinha;
de ouvir alguém dizer obrigado ao motorista e ele frear devagarinho, preocupado com o passageiro;
Saudades de gritar que a porta está aberta para os que chegam;
Um saco destrancar tanto papaiz.

Saudades do tempo em que educação não era confundida com autenticidade;
Hoje, se fala o que quer em nome de uma tal verdade e pedir perdão virou raridade.

Ando com saudades de ver no céu pipas não atingidas pelo efeito estufa;
Saudades das chuvas sem acidez, que não causavam aridez;
Saudades de poder viajar sem medo de homem-bomba, de ser recebida com pompa em outra nação.

Atualmente, reina a desconfiança no coração;
Sinto muitas saudades do rubor das faces de minha mãe quando se falava de sexo totalmente sem nexo;
Hoje, ele é tão banal que até eu banalizei;
Acho que a maior saudade que tenho é a saudade de tudo que acreditei;
Para meus filhos não poderei deixar sequer a esperança;
Hoje, já não se nasce criança.
"Plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar, que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!" (William Shakespeare)

Um comentário:

Bete disse...

Ola querido caminhante
Lindo texto. Comovente.
A saudade por aqui tambem é infinita.
Chega mesmo doer.
Bjs no coração e saudações a sua senhora e nas querida filhas.