30 de out de 2010

Este é o mal a evitar!

• O jornal paulista O Estado de S. Paulo tomou uma decisão inédita na imprensa brasileira e declarou apoio formal à candidatura à Presidência da República de José Serra (PSDB). O jornal fez isso por meio da publicação de um editorial, que diz o
seguinte: O mal a evitar.
• "A acusação do presidente da República de que a Imprensa se comporta como um partido político é obviamente extensiva a este jornal.
• Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside.
• E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial.
• Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre se comportar como um partido político e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.
• Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos.
• O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.
• Efetivamente, não bastasse o embuste do nunca antes, agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários.
• O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si.
• Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder.
• É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada.
• É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir.
• O que estará em jogo, na eleição, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais.
• Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer.
• O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.
• Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa - iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique - de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana.
• Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor.
• Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.
• Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder.
• Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia - a começar pelo Congresso.
• E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o cara.
• Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros.
• Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?
Este é o mal a evitar!

Mr Bean - At the Hospital

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