5 de set de 2010

Bem perto do poder

Quando Lula falou, há dias, que pretende ficar percorrendo o Brasil, caso Dilma seja eleita, avisando a presidenta onde está faltando obra, sinalizava que não quer ficar distante do poder. Agora, quer ir mais longe: pretende transformar a coligação de 10 partidos que apóiam a candidatura da ex-ministra
(PT-PMDB-PCdoB-PDT-PRB-PR-PSB-PSC-PTC-PTN) numa frente única, semelhante à Frente Ampla do Uruguai. Todos os partidos continuariam existindo, mas concorreriam às eleições verticalmente, com uma só direção e estrutura, atuando em forma de bloco no Congresso. E – e nem poderia se esperar nada diferente – o próprio Lula é que seria o comandante desse exército partidário. Na reforma política que Dilma quer propor ao Congresso, essa frente é considerada estratégica. No caso do governo de Dilma sair dos trilhos, o bloco seguraria a presidenta na coleira. O único problema é que, até agora, Lula não combinou nada com o PMDB.

1. Em janeiro de 1933, na Alemanha, depois de sucessivas quedas de gabinete, finalmente foi feito um acordo se aceitando entregar o cargo de chanceler (primeiro-ministro) a Hitler, cujo partido com menos de 30% dos parlamentares era, ainda assim, o maior. Na composição do governo, os nazis surpreenderam: não quiseram os ministérios da área econômica nem o ministério da defesa. Pediram o controle da polícia. Sabiam que para controlar o Estado, a Polícia era mais importante que as Forças Armadas. Em seguida, pediram ao Parlamento, alegando medidas urgentes, que Hitler pudesse governar por leis delegadas.

2. O caminho do autoritarismo é o mesmo em todos os lugares: invade-se a liberdade de imprensa em nome de abusos; constrói-se um estado policial, terminando com o direito à privacidade dos cidadãos e, em seguida, se controla o Congresso, costurando uma maioria a partir de sua base, somando parlamentares dóceis aos argumentos do governo. A sessão do parlamento alemão -que abriu mão de seu próprio poder após a assunção de Hitler, na qual este esteve presente- foi de aclamação, com todos aplaudindo de pé. A popularidade de Hitler era imensa. Em 1934, na Noite das Facas Longas, a SS aproveitou para assassinar alguns desses que ajudaram a construir o governo nazi em 30 de janeiro de 1933. Hoje não se precisaria tanto: a eliminação política bastaria. Imagine-se o que se tem de dossiês contra a base aliada para que essa se mantenha dócil.

3. A atual campanha eleitoral mostra o mesmíssimo caminho. As tentativas de intervenção na imprensa e as declarações reiteradas do presidente sobre a mídia. Depois -e só agora se sabe- a manipulação do Estado, com invasão de privacidade fiscal. Imagine-se quantas já se fizeram, e quantas são feitas invadindo o sigilo bancário. E os grampos... Afinal, foi o próprio coordenador da campanha nacional do PT que invadiu o sigilo bancário de um caseiro. Perdeu o cargo, mas continua forte como nunca. O mesmo em relação ao ex-ministro da casa civil: perdeu o cargo e continua forte como nunca no PT e na campanha eleitoral.

4. Ou seja, para o PT, tais fatos fazem parte de uma ação planejada que quando companheiros são pilhados em flagrante, deixam o cargo, mas nunca o poder. Tem toda a solidariedade dos demais companheiros.

5. Imaginando que a vitória presidencial esteja garantida, o presidente invade as campanhas regionais, atropelando a Federação não para apoiar seus candidatos, mas para ofender os adversários, ferindo a majestade do poder, o equilíbrio federativo e a democracia. São fatos que colocam as instituições, potencialmente, em risco. Gobbels chamava de Estado Total a incorporação ao Estado dos partidos políticos, dos sindicatos e outras organizações sociais, de toda a imprensa e das atividades culturais. Seu ministério era de Propaganda e Cultura. Por aí o Brasil está indo, perigosamente. Defender a autonomia do poder legislativo é tarefa maior nesta eleição, em nível nacional. (Cesar Maia)

Pastor Paschoal Piragine Jr sobre as Eleições 2010

"É possível fazer uma campanha com nível elevado. (...) Ninguém precisa tentar transformar a família em vítima. Ninguém precisa ficar dizendo que está descobrindo o sigilo não sei de quem. Cadê este tal de sigilo que não apareceu até agora? Cadê o vazamento das informações?"
(Lula, em mais uma cena de cinismo explícito)

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