10 de jul de 2010

Buda, do carvão ao diamante...

(Uma Viagem Espiritual nas Asas da Sabedoria

Certa vez, um aspirante espiritual se projetou para fora do seu corpo físico nas asas do sono.
Ele voou até um templo extrafísico de que ouvira falar. O mesmo se situava no Astral, por cima de sua contraparte física, em determinado rincão isolado.
Ali, bem na entrada do lugar, ele foi recebido por um dos monges extrafísicos que presta assistência espiritual naquele sítio, sob os auspícios das vibrações compassivas e serenas do Buda.
O seu objetivo era conseguir as bênçãos para empreender uma jornada espiritual, pois ele desejava ardentemente se afastar do mundo e se dedicar ao caminho do Buda.
Contudo, mais do que suas intenções, o monge leu a verdade que estava em seu coração. E viu que ele não estava preparado para tal jornada e que só estava enganando a si mesmo e tentando fugir da vida.
Então, ele disse ao aspirante:
Photobucket De que adianta você jejuar, se continuar comendo emoções grossas?
Photobucket De que adianta você querer se isolar do mundo, se sua mente continuar povoada por milhões de pensamentos desencontrados?
Photobucket De que adianta você cantar o nome de grandes mestres espirituais, se não seguir os ensinamentos deles e nem respeitar os seus semelhantes?
Photobucket De que adianta você falar de amor, se seu coração continuar medíocre e raso?
Photobucket De que adianta você falar de perdão, se não conseguir vencer nem a mais simples provocação?
Photobucket De que adianta você falar de universalismo, se sua postura for radical e fechada?
Photobucket De que adianta você falar do Buda, se suas atitudes não forem búdicas?
Photobucket De que adianta você acender incenso, se a fumaça do seu destempero emocional poluir o ambiente em torno?
Photobucket De que adianta você falar em paz, se, com frequência, estiver propenso para uma briga?
Photobucket De que adianta você almejar a Luz, se seu coração estiver escuro e sem amor?
Photobucket De que adianta você desejar grandes realizações espirituais, se suas atitudes forem pequenas e egoístas?
Photobucket De que adianta você querer doar suas coisas materiais, se suas emoções antigas e estranhas ainda permanecerem em sua consciência?
Photobucket De que adianta você gostar do Buda, se não conseguir vê-lo no coração dos outros?
Photobucket De que adianta você se afastar de seus entes queridos, se o seu ego continuar robusto?
Photobucket De que adianta você guardar voto de silêncio, se seus pensamentos agitados e suas emoções mesquinhas continuarem "conversando internamente" sem seu controle?
Photobucket De que adianta você renegar o mundo, se o inferno estiver dentro do seu coração?
Photobucket De que adianta você orar ou praticar mantras, se isso for apenas por condicionamento religioso ou mera fuga da realidade?
Photobucket De que adianta você dizer que tudo é ilusão, se esse conceito também é uma ilusão?
Photobucket De que adianta você fechar o seu semblante, se rir é uma dádiva?
Photobucket De que adianta você vestir um manto de renúncia, se não renunciar ao seu ego?
Photobucket De que adianta você cantar o mantra Om Mani Padme Hum, se não for capaz de ouvir a canção da vida expressando- se nos outros corações?
Photobucket De que adianta você recitar o mantra Om Tare Tutare Ture Sohá, se suas mágoas impedirem a linda Tara de morar em seu Ser?
Photobucket De que adianta você voar para fora do seu corpo e vir espiritualmente até aqui, se, dentro da matéria, sequer conseguir flutuar acima de seu egoísmo?
Photobucket De que adianta você desenvolver sua mente, se seu coração estiver triste?
Photobucket De que adianta você dominar chacras e poderes psíquicos, se não tiver sabedoria para lidar com eles?
Photobucket De que adianta você gostar do Buda, se não for para rir mais e ver o amor fluindo em todos os corações?
Photobucket De que adianta você falar de estado búdico, se tal realização não for acompanhada de atitudes compatíveis e pertinentes no seio do mundo?
Photobucket De que adianta você vir aqui atrás do Buda, se O Iluminado está abraçando secretamente os infelizes do caminho, agora mesmo, em vários planos de causalidade?
Photobucket De que adianta você falar de coração, sem ser de coração?”
E diante da estupefação do aspirante, o monge olhou-o carinhosamente. Os seus olhos eram duas estrelinhas de amor. E rindo, como só as crianças sabem fazer, ele arrematou, dizendo-lhe, de coração a coração:
- "Volte para o seu corpo, na Luz. E se pergunte o porquê de estar reencarnado... Vale mais ser você mesmo, melhorando dia-a-dia, vida após a vida...Há um Buda em seu coração. Só precisa despertá-lo! Mas, advirto-o: - "Ele gosta de risadas". Então, ria mais e flua junto com a própria existência...Pratique a compaixão, naturalmente. Veja o Buda em cada Ser. Ame. Dê flores em nome do Iluminado. O Buda é um Sol de Amor. Brilhe junto. E, por favor, seja você mesmo, sempre melhorando...Compaixão é consciência."
P.S.: Paraíso e inferno são portáteis; cada um carrega o seu dentro do próprio coração. E de que adianta estudar temas espirituais, se não for para ser feliz, aqui e agora? Fugir do mundo não significa fugir de si mesmo. A natureza não dá saltos e ninguém evolui de uma hora para outra. O carvão leva muito tempo sob pressão, até tornar-se diamante. Da mesma forma, leva muito tempo para o homem tornar-se Buda. E haja pressão em cima, até que o ego se transforme em lótus espiritual. Da escuridão para a Luz. Do egoísmo para o Amor. Da ignorância para a sabedoria.
(E eu não sei mais nada do aspirante, ou se ele gostou de ouvir o que o monge lhe disse. E, talvez, ele tenha voltado para o corpo e nem lembrado de nada. Mas deve ter acordado com um gosto amargo na boca. Porque a verdade pode ser dura como o diamante, e cortar fundo na carne do ego.
De toda forma, tenho a sensação de que esses escritos chegarão até ele e o lembrarão de alguma coisa. E, se ele tiver assimilado o ensinamento do bondoso monge, provavelmente dará uma risada gostosa, como só as crianças sabem fazer.
Quem sabe os caminhos do coração e o momento do despertar de um Buda? Do lodo para a Luz... Sempre melhorando. Om Mani Padme Hum! (Wagner Borges)

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