21 de abr de 2010

Bagunça com Respeito


Diante da polêmica das tais pulseirinhas do sexo, aquelas que seriam recado das meninas para os meninos e o conteúdo (praticamente pornô) varia de acordo com a cor da pulseira, enfim, diante do bafafá que o acessório causou, com alguns incidentes desagradáveis, a rede municipal de ensino baixou um decreto proibindo o uso das pulseiras dentro da escola.
Aproveitou o embalo e vetou também bonés e celulares e assim tenta mostrar aos alunos que esculhambação e sala de aula não andam juntas. Ou pelo menos não andavam, porque já há algum tempo que a gente tem motivos de sobra para questionar a forma como crianças e adolescentes têm lidado com o ambiente escolar. E, principalmente, como os pais se posicionam em relação a isso. Resumindo, o que nós que agora criamos filhos queremos saber é quando foi que essa relação professor-aluno-escola-casa mudou e o que fizemos de errado para virar essa bagunça.
De cara vou confessar que esta que vos escreve passou muito longe de ser aluna-padrão. Digamos que meu desempenho escolar tenha sido intelectualmente de mediano a bom e totalmente acima da média em comportamento. Da média ruim, que fique claro. Eu era aquela que falava pelos cotovelos na aula, levava os colegas para o buraco comigo, mas, na hora h, conseguia a nota que precisava, enquanto meus interlocutores se davam mal. No quesito vestuário, costumava trocar a saia de pregas dentro do elevador do meu prédio - não havia câmeras na época - , porque minha mãe me obrigava a usar um modelo maria-mijona e eu levava a de tamanho menor escondida na mochila. Sim, eu era considerada má companhia e, como estudava num colégio de freiras com uma única turma por série e no máximo 35 alunos por turma, minha nada boa fama corria todas as poucas salas e corredores. E é claro que jamais deixarei Maria Clara (minha filha) ler isso.
Na sétima série quase fui mandada para um reformatório e no fim do ano aconteceu o que seria minha pior experiência: o colégio disse à minha mãe que só aceitaria minha matrícula na oitava série se eu escrevesse uma carta me comprometendo a mudar meus modos. E o que ela fez? Chorei, esperneei, dei ataque de pelanca, mas minha mãe me obrigou a escrever a tal carta e nunca vou esquecer a cena: eu debruçada sobre a máquina de escrever, as lágrimas escorrendo e a certeza de que minha dignidade tinha acabado ali. Mal sabia eu que ela, a dignidade, estava era se fortalecendo. E talvez o que falte hoje sejam mães chatas como a minha e pais de pulso forte. Porque é assustador ver pai e mãe questionando decisões da escola e dos professores e passando a mão na cabeça de filhos indisciplinados e desrespeitosos. Porque o que tenho a dizer em minha defesa é que eu podia ser uma peste, mas não faltava com o respeito com ninguém e tinha noção exata de quem mandava e quem era mandado. O que eu fazia era simplesmente o que costumávamos chamar de arte.
Outro dia uma amiga contou que, na reunião da escola da filha, algumas mães reclamaram com o diretor das roupas um tanto despojadas com que os alunos estavam indo à aula.
Chinelos, camisetas com barrigas à mostra e outras inadequações foram citadas. Elas defendiam que a escola não deveria permitir a entrada dos alunos. Foi quando o diretor respondeu que, antes de chegarem à escola vestidos daquele jeito, aqueles alunos tinham saído de casa vestidos daquele jeito, então a responsabilidade começava com os pais. Fiquei fã desse diretor e agora sempre penso nisso. A realidade da rede pública é um tanto diferente da particular e às vezes não há como cobrar nada de pais sem qualquer recurso. Mas eu me sentiria envergonhada se fosse a escola que tivesse que ensinar à minha filha valores como postura e respeito. (Cláudia Cecília_jornalista)

Pesquisa: Reportagem do tabloide britânico "The Sun" circula na internet alertando os pais de crianças e adolescentes para um jogo que virou febre nas escolas do Reino Unido: o Snap. A "brincadeira" funciona da seguinte forma: uma menina coloca diversas pulseiras de silicone coloridas no braço e um jovem tenta arrebentar um dos adereços. Cada cor representa um "carinho", que vai desde um abraço até sexo; quem arrebentar receberá a "prenda" da dona da pulseira. As coloridas pulseiras de silicone, agora promovidas "a pulseiras do sexo" geraram entre os adolescentes e os pais destes, o maior burburinho desde que começaram a aparecer na imprensa artigos que as associam a mensagens de carácter sexual. Usando uma pulseira de determinada cor, a adolescente através dum jogo (o Snap) indica até onde quer ir nos carinhos ou mesmo na actividade sexual.
Código das cores:
Amarela - abraço
Rosa - mostrar o peito
Laranja - dentadinha de amor
Roxa - beijo com a língua - talvez sexo
Vermelha - lap dance
Verde - sexo oral a ser praticado pelo rapaz
Branca - a menina escolhe o que lhe apetecer
Azul - sexo oral a ser praticado pela menina
Preta - sexo com a menina na posição do missionário

Aparentemente também existem cores para outras actividade menos vulgares, mas como nem sabemos as cores, nem podemos escrever aqui tudo preto no branco, ficamos só com estas.
"A vida pode ser interpretada e vivida de diversas maneiras. Nós é que fazemos sua pontuação. E isso faz toda a diferença..."

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