2 de mar de 2010

Alarme ou não?




AEPET (Associação dos Engenheiros da Patrobrás) reconhece grave erro no projeto do Pré-Sal, admite que não sabe o que fazer
"Jornalista Hélio Fernandes, antes de tudo, parabenizo-o por seus recentes e sucessivos artigos a respeito da fundação de Brasília, narrando seu rompimento com JK, antevendo os lamentáveis fatos que estão acontecendo, decorrentes da transferência da Capital do País, que não são fruto do acaso, mas da cobiça.
No "Programa Faixa Livre", na Rádio Bandeirantes AM do Rio, o atual presidente da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras) reconheceu que o projeto lei de partilha do Pré-Sal, defendido com entusiasmo por ele até então, é prejudicial ao Brasil, porque, na forma como foi concebido, poderá vir a beneficiar até mesmo os bancos.
Isto porque a União entrará com os campos de petróleo, que são dela, e a Petrobras com os investimentos e tecnologia para a exploração. Os demais consorciados poderão ser quaisquer interessados, desde que comprem sua participação no consórcio.
Este grave erro vem sendo denunciado pelo senhor, como postado na Tribuna da Imprensa de 08/09/09, ocasião em que o Presidente Lula encaminhou o projeto de lei ao Congresso, quando se perdeu uma grande oportunidade de se fundar uma petrolífera 100% brasileira para exploração do Pré-Sal, pois a Petrobras, como se diz no momento, está "contaminada" por ter ações vendidas na Bolsa de Nova Iorque.
Agora a AEPET reconheceu seu erro e não sabe como irá corrigi-lo, na medida em que não tem forças para enfrentar os grupos de pressão que atuam no Congresso.
Vale lembrar também que o governador Cabral Filho não defendeu o Rio de Janeiro na questão dos royalties, apenas criou embaraços para favorecer os interesses dos que são contrários ao País neste projeto de partilha, tirando do foco o problema principal, que é a entrega do Pré-sal até mesmo para aventureiros." (Jorge Rubem Folena de Oliveira)

Comentário:
"Os que se preparam e indevidamente irão comemorar os 50 anos da Fundação de Brasília, (21 de abril de 1960), estarão cometendo gravíssimo equívoco, e um colossal esquecimento. Pois como tenho dito sem contestação, essa data, que finaliza uma capital e finge que consagra outra, é uma farsa impressionante, pela qual o país inteiro está pagando.
E a catástrofe que teve início em 1º de fevereiro de 1956, 24 horas depois da posse do presidente Juscelino, quem irá examinar e condenar? Essa tragédia durou 4 anos, 2 meses e 20 dias, até que se transformou na espantosa realidade que se materializou somente agora.
Mas vem em linha reta da mudança da capital, deixando aqui um Estado Novo, (não o de Vargas em 1º de novembro de 1937) e levando para o deserto uma cidade que já nascia velha, decrepta, enferrujada, corrupta, petulante, desperdiçadora, que exaltava a desigualdade. Enriquecia os já ricos, que recebiam todos os favores públicos, e empobrecia os ainda pobres, que seriam despojados, para que perdessem tudo o que almejavam,
Como você revela, essa confissão foi feita pelo presidente da AEPET, que já teve fase gloriosa, exaltadora e patriótica, na defesa dos interesses nacionais. Desde o início, assim que o presidente mandou para o Congresso o projeto de exploração do Pré-Sal, passei a combatê-lo.
Imediatamente defendi a criação de uma empresa 100 por cento nacional, que explorasse s-o-z-i-n-h-a essas riquezas, que seriam investidas em benefício da coletividade.
Tudo ali é da União, ou seja, da coletividade. Os campos, a tecnologia, a marca Petrobras, a capacidade de encantar os técnicos estrangeiros que "moram" nas plataformas da maior empresa do Brasil, para aprenderem como é que eles chegaram tão longe em matéria de profundidade na exploração.
Se a Petrobras já está praticamente a 3 mil metros de profundidade, para chegarem aos 6 mil metros que assustam tanta gente (principalmente do exterior), só terão que mergulhar apenas a metade.
Adendos:
PS1 –
Esses grupos de fora, insistem e são ouvidos, até mesmo por quem não deveria ouvi-los, o presidente da AEPET. Insistem em quê? No que chamam de investimento. Não precisamos de nada disso, a não ser que nos tragam dinheiro de verdade, (para lucrar, lógico, ou de outra maneira não viriam), mas não para comandar.
PS2 – Se o presidente da AEPET quiser se arrepender do erro de avaliação cometido, não se desespere. Pode usar este blog, para defender o que condenou antes, mas viu agora que é o que interessa ao Brasil: uma empresa 100 por cento nacional, outra petrobras dentro da própria petrobras. Não tenham receio de condenar o que defendiam, pois estarão combatendo para eliminar o erro cometido.
PS3 – Quanto ao serginho cabralzinho filhinho, não nos incomodemos com ele, Jorge Folena. Seria um exagero de nossa parte e uma análise deturpada do seu passado, acreditar que ele pudesse compreender e defender, o que é o interesse nacional. (Hélio Fernandes)
A Resposta:
Prezado Companheiro e Jornalista Helio Fernandes.
Com todo o respeito e admiração que lhe devoto por integrar a categoria, cada vez mais rara, de jornalistas independentes, gostaria de comentar a matéria publicada no seu blog “AEPET reconhece grave erro no projeto do Pré-sal, admite que não sabe o que fazer”. Talvez eu até não tenha me expressado claramente e dado ao autor da matéria essa interpretação. Mas ele foi o único a se manifestar nesse sentido.
Vamos então aos fatos:
1) Eu tenho dito que o projeto de contrato de partilha, do Governo Lula teve bons avanços em relação à Lei 9478/97, do Governo Fernando Henrique, o que não chega a constituir um grande elogio, pois a lei do petróleo de FHC é um dos seus crimes de lesa-pátria. Mas o que eu falei no Faixa-Livre foi que o substitutivo do relator piorou muito o projeto do Governo quando inseriu dispositivo que diz que os royalties serão ressarcidos ao consórcio em petróleo. Ou seja, o consórcio não pagará os royalties, quem os pagará é a União. Por isto eu estava indignado.
2) Tenho feito palestras por todo o País e, inclusive, no exterior (México e Peru) mostrando que o projeto do Governo Lula tem uma falha grave que é a manutenção dos leilões. Nessas palestras eu mostro em detalhes que os leilões só beneficiam as empresas estrangeiras, sendo absolutamente inconvenientes já que a Petrobrás tem todas as condições técnicas e financeiras para desenvolver o pré-sal;
3) Essas palestras tem ensejado a criação de comitês contra os leilões e a favor da volta da Lei 2004/53 – já são mais de 30 comitês em diversos estados brasileiros;
4) Estamos estudando medida judicial contra a emenda do relator, citada acima.
5) A Aepet fez várias emendas e até um substitutivo ao projeto do Governo. Entre essas emendas estava proposto o fim dos leilões. Como o relator não acatou nossas emendas, fizemos uma emenda de bancada, através do PDT, acabando com os leilões. Infelizmente, o PDT não defendeu essa emenda e ela não foi considerada.
6) A Aepet assinou o projeto dos movimentos sociais propondo a volta do monopólio, a recompra das ações da Petrobrás e, logicamente, o fim dos leilões.
7) Em nenhum momento eu reconheci erro nem disse que a Aepet não sabe o que fazer para combater os pontos indesejáveis do projeto do Governo.
8) Estamos organizando um grande ato público com esse objetivo, para o dia 22/3, às 18 horas, no Clube de Engenharia, para o qual V. Sa. está sendo convidado.
9) A Petrobrás não está a 3000m de profundidade, meu caro jornalista. Ela perfurou 13 poços no pré-sal a profundidades que vão de 5000 a 7000m. E está produzindo o poço de Tupi desde maio/2009, com profundidade de cerca de 6000m.
10) O governador Sergio Cabral teve uma postura mais de tumultuador do processo do que de defensor do Estado do Rio. Era necessário primeiro retomar de volta o bolo (petróleo). Ele foi incompetente criando uma reação indesejável e a ira dos outros estados. (Fernando Siqueira)
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Um comentário:

Kika Gada disse...

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